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Código Florestal tem solução Carolina Derivi - 11/08/2010 às 14:13
Saudações à cavalaria. O Ministério do Meio ambiente, enfim, assumiu o compromisso de apresentar uma proposta de reforma do Código Florestal, espera-se, bem menos kamikaze que a proposta atual. Ainda bem!
Enquanto a bancada ruralista aposta em anistia e na fragilização das normas ambientais no campo, os ambientalistas de plantão em Brasília só fazem se defender para tentar evitar o pior. Desse jeito, a balança fica entre a pizza e a inação. Nada se resolve de verdade. É bom que o MMA venha com uma proposta moderada capaz de inverter as posições de ataque e defesa.
Recentemente entrevistei dez atores relevantes nesse debate para uma reportagem na Página22. A intenção era demonstrar que há muitos pontos de convergência entre ambos os lados, apesar do que dá a entender o entrevero no Congresso.
Por exemplo, todos (entre consultores, representantes de ONGs e produtores) concordaram que está fora da realidade supor que os proprietários rurais pagariam, sozinhos, a conta para recuperar o que foi desmatado ilegalmente. Isso vale pelo menos para a ampla maioria, composta de agricultores familiares.
Há muitas sugestões para ajudar a forma um rateio. Funciona assim: uma parte sai do bolso do produtor. Outra parte poderia vir dos subsídios agrícolas, desde que passassem a incorporar critérios socioambientais. Assim, a governo não incentivaria apenas a produção de alimentos, mas também a preservação ambiental e da cultura, ajudando a fixar o homem do campo.
Outra fonte de recursos seria o próprio mercado de carbono, desde que as regras do mecanismo Redd sejam aprovadas. Supermercados e frigoríficos, com a maior margem de lucro desse setor, também poderiam adotar políticas de remuneração diferenciadas para os produtores que respeitam a lei ambiental.
Para as áreas já consolidadas há décadas, as famosas plantações de arroz, café e frutas na várzea e no morro, muita gente concorda que é preciso atualizar o código para a realidade tecnológica atual. Isso significa que com uso de piquetes, curvas de nível e outras tecnologias, uma plantação de uva na encosta pode trazer benefício ambiental. E não o contrário.
Enfim, tem muita ideia boa por aí. Cabe ao Ministério do Meio Ambiente selecionar as melhores para apresentar uma proposta conciliadora.
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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