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Clássicos da maquiagem Carolina Derivi - 08/06/2011 às 14:44
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Só um real. A moedinha que sintetiza algumas (raras) ofertas imperdíveis de consumo agora também pode aplacar a sua consciência ambiental. Um negócio da China, consumidor! É entrar no site da HTR Participações em Petróleo e ver para crer. A campanha se chama Barril Verde. A cada barril de petróleo vendido, R$1 será convertido para o (excelente, é bom que se diga) Programa Bolsa Floresta da Fundação Amazonas Sustentável.
Suponho que os idealizadores do projeto devem ter imaginado que uma boa ação como essa, em parceria com uma entidade de prestígio como a FAS, não levaria ninguém a questionar o paradoxo petróleo = verde. Eu acho graça… Em 2011, ainda tem empresa que se presta a este verdadeiro clássico da maquiagem verde, o mito do mínimo investimento e máximo retorno, resgatado da fase mais primitiva da responsabilidade socioambiental.
Se você tem dúvida sobre este clássico, explico. Empresa quer doar uma grana para um projeto porreta de conservação. Ótimo. Mas quando se transforma isso numa peça de marketing, com o nome de Barril Verde, está se sugerindo que o petróleo pode ser esverdeado. Uma missão dificílima que esta promessa absolutamente não cumpre.
Alguém poderia argumentar que os R$ 60 milhões prometidos pela HTR em parcelas até 2013 são significativos. Será mesmo? O grande indicador da seriedade de uma empresa quanto à sustentabilidade não é a sua disposição filantrópica (embora a filantropia também tenha o seu lugar), mas as medidas para reduzir os impactos diretos de sua atividade. No século XXI, é isso que interessa. O resto é enfeite.
O raciocínio da Silvia Dias, do blog Ascendidamente, é tão afiado que reproduzo aqui. Ainda que fizéssemos vista grossa para os impactos socioambientais locais da extração do óleo, o mínimo que se poderia esperar do tal petróleo verde é a compensação das emissões de carbono, já que clima é o grande tópico na agenda desta indústria. Compensar um barril, segundo os cálculos da Silvia, custaria entre R$13 e R$18. Mas com apenas R$ 1 a HTR conseguiu um atalho fabuloso e baratinho.
Isso me lembra a campanha da Iódice, no ano passado, que prometeu doar também R$1 a comunidades extrativistas da Amazônia a cada peça vendida. Nada como fazer sombra com o chapéu dos outros. E tem também o meu favorito de todos os tempos: o caso da Tesco, rede britânica de supermercados, que para estimular o consumo de lâmpadas fluorescentes entregava brindes na forma de… milhas aéreas!
Conhece mais casos como esses? Compartilhe comigo aqui. Depois desses dias tão difíceis, com Belo Monte, Código Florestal e assassinatos no Pará, a gente merece se divertir.
Foto: Freerange Stock
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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