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Sem cerejas Carolina Derivi - 17/03/2010 às 14:09
Ignacy Sachs, o grande economista criador do conceito de ecodesenvolvimento, arrancou risos da platéia na última segunda-feira durante o lançamento da Linha de Crédito Economia Verde, oferecida pela agência Nossa Caixa Desenvolvimento.
Eu vivo em Paris e posso afirmar que é perfeitamente possível passar o inverno francês… sem cerejas, disse Sachs. Todo mundo jurava que ele ia dar uma de excêntrico e dizer que era viável dispensar a calefação. Mas Sachs escolheu um exemplo singelo para demonstrar que absurdos mesmo são alguns dos nossos hábitos de consumo considerados mais corriqueiros, como comprar cerejas fora de época, importadas do Chile, ao custo de toneladas e mais toneladas de carbono.
O professor ainda ressaltou que eficiência energética é muito bom, mas a gente também precisa de sobriedade energética. Significa reconhecer que algumas atividades são desperdícios por definição. Não se justificam, ainda que o avião que transporta as cerejas da América Latina para a Europa fosse movido a etanol, por exemplo.
No fim das contas, Sachs estava apontando o que tanta gente já percebeu, desde os anos 90: há muitas gorduras para queimar na seara do consumo. O ritmo de compra e descarte, pequenos e grandes luxos é irracional. É preciso repensá-lo.
Todo mundo concorda? Ótimo. Mas nem por isso a missão se torna fácil. Nem todo mundo concordaria que as cerejas no inverno sejam assim tão dispensáveis, e o mesmo vale para qualquer outro produto ou serviço…
Na hora me lembrei da Fátima Portilho, socióloga que escreveu uma tese de doutorado incrível sobre consumo verde. Na última entrevista que ela me concedeu, disse o seguinte: Qualquer sociedade usa os objetos disponíveis na sua cultura material para se relacionar. Quem vai dizer se o que eu comprei é consumo ou consumismo? É altamente subjetivo e, mais do que isso, é cultural.Talvez por isso o consumo, embora consensual em princípio, seja o fator mais nebuloso na equação da sustentabilidade.
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18/03/2010 às 14:51 Anonymous - diz:
Fabiane Escobar Fialho – diz:Para sociedade de consumo
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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