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Cenoura ou chicote? Carolina Derivi - 18/05/2011 às 09:49


Assisti ao documentário Cool it – Um ambientalista Cético no canal GNT, que apresenta uma visão alternativa sobre o combate ao aquecimento global. Basicamente, o famoso cientista político dinamarquês Bjorn Lomborg diz que os cenários futuros catastróficos não passam de palpite e que a gente não precisa se desesperar porque vamos conseguir nos adaptar.

Lomborg ficou famoso porque é um ambientalista original mesmo. Já foi chamado de cético, e agora é considerado um ex-cético. Na pauta política do aquecimento global, talvez ele possa ser chamado de moderado, ou de centro. Nem está em pânico porque o mundo vai acabar, nem acredita que a crise climática seja uma mentira completa.

O ponto que mais me cativou no filme é quando ele mostra algumas comunidades pobres africanas dependentes de petróleo ou carvão. O argumento é que não se pode encarecer os combustíveis fósseis, porque isso seria uma injustiça com os coitados que não tem alternativa. O que precisamos fazer, segundo Lomborg, é investir em energia limpa, com tal velocidade e vigor, que as novas tecnologias possam se tornar baratas e replicáveis em pouco tempo.

Esse é um ótimo ponto para debate. Será que a gente precisa mesmo botar um preço nas emissões de carbono, ou podemos resolver o problema apenas com incentivos na outra direção?

Eu sou uma cética em relação ao Lomborg. Vejam o caso da mobilidade urbana, por exemplo. Nenhuma grande cidade do mundo jamais conseguiu sair da enrascada dos congestionamentos sem restringir o uso do carro. A lista é grande: Nova York, Londres, Paris, Seul, Bogotá… Pode botar transporte público de qualidade até perder de vista. Se não restringir a circulação, ou encarecer o uso, as pessoas continuam encapsuladas dentro de seus carros.

A psicologia econômica explica, conforme publiquei aqui no blog semanas atrás. Não basta oferecer o caminho mais vantajoso e sensato. As pessoas não são assim tão racionais. Quantos de nós já não vivemos situações em que sabíamos que uma mudança para melhor era necessária, mas a inércia vai nos levando e adiando a tomada de decisão…?

Eu acho que isso dá uma boa pista sobre a necessidade de taxar as
emissões de carbono. Tudo indica que as duas coisas são importantes: o prêmio e também o castigo. O que vocês acham?

Foto: Divulgação

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Comentários

20/05/2011 às 07:45 Anonymous - diz:

vania – diz:O ser humano é movido é movido por vantagens e desvantagens econômicas, assim só deixaremos de sair de carro se for doer no bolso.

26/05/2011 às 19:02 Anonymous - diz:

Mladenka Aleksija Lukic – diz:Marketing Sustentável no BrasilOlá, meu nome é Mladenka Aleksija Lukic e estou atualmente escrevendo a minha dissertação de mestrado em ASB (Dinamarca), com o tema de Marketing Sustentável no Brasil. A fim de obter dados relevantes para o meu estudo, eu gostaria de solicitar a sua ajuda. Link: http://www.survey-xact.dk/LinkCollector?key=WW5PWM6K36C1 Esta é a questionário anônimo.Obrigado :)

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Eco BalaioCarolina Derivi

Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.

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