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Campos de morango para sempre Carolina Derivi - 30/06/2010 às 12:19
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Imagine um pedaço de terra de conservação que reúna a maior biodiversidade do mundo. Agora substitua as plantas e os animais nativos por frutinhas, aquilo que os ingleses chamam de berries: morangos, cerejas, mirtilos etc. O resultado é Pavlovsk, estação experimental nos arredores de São Petersburgo, na Rússia, que reúne o maior banco genético de frutos do mundo.
São cerca de 4 mil espécies, quase mil só de morangos. Acredita-se que mais de 90% do acervo não tem paralelo em nenhum outro lugar do globo. Mas Pavlovsk está em vias de ser aterrada, para horror da comunidade científica europeia.
A terra é pública e o governo russo decidiu doá-la para a Fundação pelo Desenvolvimento da Moradia. Os campos de berries devem ser transformados em área residencial. Tudo depende do que o juiz vai decidir numa audiência no final dessa semana.
Escolhi essa notícia porque descobri coisas surpreendentes sobre a perda de biodiversidade da comida, recentemente. Eu, como muita gente, penso logo em mato quando se fala em biodiversidade, não nas gôndolas do supermercado. Mas a verdade é que a produção global de alimentos processa uma espécie de seleção artificial: sobrevivem as variedades compatíveis com a produção em larguíssima escala, nos mais diferentes tipo de solo e clima. Aquelas que não se adaptam tendem a desaparecer.
O milho amarelo repleto de gomos que conhecemos tão bem foi um dos vencedores. Outras espécies, do branco ao roxo, do mais doce ao mais amargo, infelizmente não tão polpudos, são preciosidades que poucas pessoas terão a chance de experimentar ao longo da vida.
A história que mais me impressionou foi contada por Alexander Van Parys, diretor da consultoria EcosSistemas. No passado, existiam cenouras pretas, amarelas, vermelhas, brancas… A variedade alaranjada foi selecionada por agricultores holandeses em homenagem a William of Orange, líder do movimento de independência. A nossa cenoura é laranja até hoje por motivos políticos.
Pois é, os atentados contra a diversidade estão em tudo, inclusive na comida. Esse panorama criou um exército de salvadores de sementes no mundo todo, como a ONG norte-americana Seed Savers. Vale o clic.
Foto: Gastonmag via Stock.xchng
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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