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Calar com convicção Carolina Derivi - 07/12/2011 às 16:58
Caros leitores, não vou mentir. O que eu mais queria hoje era traduzir o resultado da votação do Código Florestal no Senado para leigos. Mas, como muitos de vocês, estou perdida. Em parte porque volto de um longo período de férias, em parte porque li todas as notícias de hoje sobre o assunto e encontrei informações contraditórias.
Para ajudá-los a entender o processo político, seria necessário não apenas explicar as modificações mais importantes, mas também as principais emendas que foram rejeitadas (e por quê). Só essas são mais de sessenta.
Poderia, eventualmente, seguir o caminho seguro e endossar a posição das ONGs. Mas estou farta de maniqueísmo. Farta dessa briga de foice que opõe ruralistas desalmados, sedentos de motossera, e ambientalistas delirantes, vendidos a interesses internacionais, mais preocupados com árvores que com pessoas. Estereótipos, por definição, não correspondem à realidade.
Por um lado estou orgulhosa desta trajetória que alçou ao topo do debate nacional assuntos ambientais da maior importância e que, anos atrás, eu tinha me acostumado a discutir só com uma turminha seleta.
Por outro, penso que existe um esforço tremendo para convencer as pessoas e pouca energia dedicada a esclarecê-las. Você só pode escolher o time A ou o time B. E vejo muita gente se alinhando com um dos lados mais por ideologia que por informação. Isso vale para o Código Florestal como vale para Belo Monte.
Venho dizendo, desde a aprovação do relatório de Aldo Rebelo, na Câmara dos Deputados, que gostaria de ter visto mais colaboração, em lugar de confrontação. Nunca existiu nenhuma chance de formular um Código Florestal do século 21 sem uma profunda compreensão das dificuldades e necessidades do homem do campo.
A porrada, em sentido figurado, também tem o seu valor, como demonstrou muito bem o Greenpeace nos últimos 40 anos. Uma organização que se torna alvo de ataques públicos de repente passa a ser muito mais propensa ao diálogo. Mas se todos estão concentrados nos ataques, quem é que agarra na ponta do diálogo?
E se houve diálogo bem feito, então alguém me explica como é que quase todas as vozes e grupos da agricultura (a única exceção que conheço é a Via Campesina) se bandearam para o lado errado, em um universo repleto de contrastes que vai do Seu Zezinho a Blairo Maggi.
Lembro do meu professor de ética, Caio Tulio Costa. Certa vez, ele sugeriu que o jornalista, sempre cheio de informações e opiniões, às vezes também precisa saber “calar com convicção”. Pois bem. Prometo me atracar com essa colcha de retalhos nos próximos dias e quem sabe voltar na semana que vem com uma digestão mais clara.
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07/12/2011 às 17:37 Mônica Nunes - diz:
Excelente análise, Carol! Precisa, exata e perfeita para este momento.
08/12/2011 às 15:02 Ezequias Netto - diz:
O brasileiro que morra de fome, para os países do 1º mundo respirar, eles desmataram 100% suas terras. Árvores não enche barriga vazia.
Por que os ambientalistas de plantão não pressionam de igual modo os países que exterminaram suas matas e ecossistemas?
08/12/2011 às 16:51 Sarah - diz:
Sinceramente, acho que o tempo de discutir e dialogar já passou a muito tempo no brasil. E desde que me interesso por política e venho acompanhando o caos e o absurdo que se tornou o governo brasileiro eu acho que os nossos queridos políticos brasileiros não dão a mínima para a nossa opinião e discussões que não passam de uma farsa para passar uma falsa ilusão de que há democracia e de que eles ouvem a população, quando no final, fazem apenas o que querem. A nossa opinião só importa em época de eleição, não fosse assim a votação do novo #códigoflorestal não teria sido favorável apesar da maioria da população brasileira, pelo menos a consciente, ser contra. E se o #códigoflorestal não está claro, não é problema nosso, alias é bem característico dos nossos representantes, não deixar as cosias claras, fazer mudanças e revisões em cima da hora e se calar até que o povo esqueça. O povo brasileiro, claro, sempre acostumado a se acomodar e aceitar, acaba esquecendo e deixando pra lá. Acho que nós jovens, que vamos definir o futuro desse mundo, então devemos nos juntar e lutar por um pais mais justo, um novo sistema político, o fim da corrupção e pela preservação e respeito aos nossas riquezas naturais. Um exemplo do descaso e desrespeito do governo brasileiro é o que fizeram com os índios . Alias o novo código florestal deveria permitir 0% de desmatamento e ainda fazer os agricultores reconstruírem o que destruíram e não dar brinde para quem ocupou áreas protegidas ilegalmente e se esconde atrás da podridão do capitalismo e do poder do dinheiro que só visa os interesses que pesam no bolso. O que não pode é tentar justificar a degradação ambiental atrás da desculpa de produzir alimentos e novas fontes de energia, até porque, nos dias atuais existem tecnologias suficiente para fazer isso sem destruir o meio ambiente.
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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