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Cadeia do couro fecha cerco contra o desmatamento Carolina Derivi - 28/04/2010 às 12:03

É bom saber que a pressão sobre os frigoríficos na Amazônia não esmorece. O Greenpeace informa que Nike, Adidas e Timberland, entre outros, soltaram nota ontem em que a reafirmam o compromisso de interromper a compra do couro brasileiro a menos que haja garantia de origem não vinculada ao desmatamento.

Há algumas semanas, os três principais frigoríficos – Marfrig, Bertin e Minerva – pediram um adiamento de prazo para cumprir o compromisso de cadastrar todas as propriedades rurais em sua cadeia de custódia. É um atraso esperado, já que eles estão partindo do zero controle e as fazendas são muitas. Tem as que só criam bezerro, as que só fazem engorda, as que só vendem direto para o abate.

Mas para garantir mesmo, mesmo, o desafio é ainda mais difícil. Pouca gente fala sobre isso: boi caminha. O mérito de uma fazenda regularizada não se estende necessariamente ao seu rebanho, que pode ter as mais variadas origens. O próprio relatório do Greenpeace que desencadeou toda essa reação no mercado descreve como a carne e o couro são processados no Sul e no Sudeste, portanto “esquentados”.

Ainda não consegui achar ninguém que me explicasse como é possível criar um sistema de rastreamento acima de qualquer suspeita se os bois não tiverem um chip ou um brinco com GPS. Talvez eu esteja sendo muito cricri. Mas, como consumidora, só vou comemorar no dia em que eu tiver certeza da lisura dos produtos que encontro no supermercado. E esse dia ainda não chegou.

Em tempo: É curioso como o governo jamais admitiu a possibilidade de “desmatamento zero” na Amazônia, argumentando que alguma derrubada sempre haveria. Agora, na reta final, virou meta viável para 2022. Eleições?

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Eco BalaioCarolina Derivi

Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.

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