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Cada um com seu cada qual Carolina Derivi - 03/03/2010 às 18:05
É até difícil acreditar nas notícias. O Macro Zoneamento Econômico Ecológico da Amazônia (ZEE) está nos últimos dias de consulta pública e caminha para ser aprovado por decreto presidencial. Trata-se de uma ideia tão antiga e tão importante que já tinha se tornado quase como uma utopia, um folclore, um mito.
Dentro da estrutura de um bom ZEE teria tudo, repito, tu-do que seria necessário para aliar preservação e desenvolvimento na região mais negligenciada do País. A começar por ordenamento territorial, ou seja, a quem pertence o quê, onde pode e como pode fazer uso dos recursos naturais.
Identificados os potenciais econômicos de cada área, teríamos o marco zero para duas providências fundamentais: alavancagem de um mercado para produtos e serviços florestais, nas áreas destinadas ao uso sustentável (é o famoso "desenvolvimento tropical", cunhado por Carlos Nobre) e a intensificação da agroindústria nas áreas já degradadas que, por força das circunstâncias, também garantiria a manutenção das porções destinadas apenas à conservação.
É a materialização daquele argumento tantas vezes repetido: se todas as áreas desmatadas e abandonadas da Amazônia fossem aproveitadas para o agronegócio, não seria preciso derrubar mais nenhuma árvore…
Mas o elemento mais revolucionário seria condicionar todas as políticas públicas na Amazônia a essa organização espacial. Como diz o repórter Danilo Fariello no Valor de ontem: "a questão socioambiental não será mais a última etapa de concepção de um projeto de infraestrutura, mas sim uma das primeiras". Ou seja, quer fazer uma hidrelétrica? Antes de animar as empreiteiras, tem que ver se o projeto cabe no planejamento estratégico daquela região. Hoje, tanto Belo Monte quanto Rio Madeira, por exemplo, estão inseridas em área de altíssima relevância para a biodiversidade.
O que está me causando espécie, por assim dizer, é esse silêncio na reta final da consulta pública. Não vejo nenhum analista tarimbado ou entidade socioambiental oferecendo análises mais aprofundadas sobre a proposta do ZEE. O meu palpite é que temos aí a calmaria típica que antecede a tempestade.
Isso porque não foi apenas a vontade política que faltou nas últimas décadas… o ZEE é, de fato, um pesadelo cartográfico. Os potenciais e interesses da Amazônia não se distribuem pelo espaço como a gente gostaria, cada um com seu cada qual. Em muitas regiões, são conflitantes.
Então, aguardem, que os problema ainda vão aparecer. Aprovar esse decreto não será um passeio no parque.
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06/03/2010 às 19:58 Anonymous - diz:
Thiago Lopes – diz:É..Acaba hoje, dia 6 a consulta pública. Não ouvi nada sobre o respeito.. Nada mais fácil depois o governo dizer, “Ah, mas teve consulta pública, quase ninguém se manifestou, então fiz do meu jeito mesmo..” Espero que ainda sobre alguma Amazônia depois disso..
09/03/2010 às 12:43 Anonymous - diz:
Thays – diz:Boa tarde Carolina, sou estudante do último ano de jornalismo.Estou fazendo um trabalho sobre Meio Ambiente e Sustentabilidade, com públic alvo de Microempresários de 28 à 60 anos.Pretendo fazer um guia de sustentabilidade.Gostaria de saber se você aceita ser uma das minhas fontes para o mesmo.os veiculos serão Tv, Rádio, Internet e Impresso.Você pode escolher o veículo que lhe agrada mais para participar.Me mande um email caso haja interesse.Agradeço desde já sua atenção.Thays Amanda
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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