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Biodiversidade e pobreza Carolina Derivi - 26/05/2010 às 12:36
Esse é um assunto polêmico à beça. Mas como o barato da sustentabilidade é fazer conexões, vamos lá: um novo estudo publicado no periódico Proceedings of The National Academy of Science levantou a situação socioeconômica de comunidades que vivem cercadas por unidades de conservação há pelo menos 15 anos, na Tailândia e na Costa Rica.
Em comparação com outras comunidades pobres nos dois países, as populações no entorno de áreas protegidas tiveram uma redução de 30% no nível de pobreza na Tailândia e 10% na Costa Rica, com base no status social aferido no ano 2000.
O pulo do gato é que os pesquisadores simplesmente não sabem qual a ligação entre a manutenção da biodiversidade e a redução da pobreza, como uma coisa influência a outra. Poderia ser coincidência?
Não sei como funciona a política ambiental na Tailândia, mas na Costa Rica (já escrevi sobre isso aqui) já há uma política de pagamento por serviços ambientais desde os anos 80. Uma espécie de bolsa-floresta, ideia que foi aplicada por aqui no estado do Amazonas. Além disso, o ecoturismo é uma indústria muito forte na Costa Rica, e os parques nacionais respondem por quase 6% do PIB.
Além da hipótese de geração de renda por subsídios governamentais e pela cadeia do turismo, a manutenção de áreas protegidas beneficia a pequena agricultura. O economista Pavan Suhkdev, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), argumenta que a perda de biodiversidade prejudica principalmente os mais pobres.
Se a floresta não oferece mais nutrientes e água para o solo, se não protege mais contra secas e enchentes, se não oferece mais extrativismo, quem sofre? Os camponeses pobres, pequenos agricultores, que não têm dinheiro para bancar sistemas de irrigação ou para comprar fertilizantes químicos, afirmou Sukdev em palestra na Fundação Getulio Vargas.
Ele ainda citou o exemplo da Índia, onde 480 milhões de pessoas ganham a vida com agricultura familiar, pesca e extrativismo informal, criação de animais etc. Uma organização chamada Green Indian State Trust (GIST) calculou, com base em dados de 2002 e 2003, que os serviços ambientais correspondem a 57% do PIB dos pobres. No PIB convencional, vale 7,3%.
Pelo que eu percebo, a maioria dos estudiosos concorda que a biodiversidade e a redução da pobreza não se conversam por combustão espontânea. Caso a caso, há situações em que a conservação pode seguir o sentido oposto da geração de emprego e renda. A saída então seria estudar os modelos em que uma coisa contribui com a outra e aprender a aplicá-los de forma eficiente. Queria que alguém fizesse uma pesquisa dessas no Brasil.
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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