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Aprender a conversar Carolina Derivi - 06/04/2011 às 12:44
Pode ser uma aposta arriscada, mas estou cada vez mais convencida (como também estão alguns ambientalistas e produtores rurais que entrevisto vez ou outra) que nenhum dos lados da disputa em torno do
Código Florestal terá força para empurrar a sua visão unilateralmente.Em outras palavras, se a reforma proposta por Aldo Rebelo passar, eu é que ficarei passada. Seria necessário que o Senado e depois a própria presidente resistissem não somente à enorme pressão interna do movimento ambientalista, mas também às pressões internacionais que patrulham o que o Brasil faz de suas florestas.
Se o governo não achasse que esse caminho é uma encrenca, não estaria costurando uma proposta alternativa entre seus ministérios e com apoio técnico de todos os lados. Foram 10 mil manifestantes a favor da reforma que está na mesa, em Brasília, ontem. A reação, chamada de Marcha em Defesa do Código Florestal, está marcada para amanhã. Quantos serão?
Recentemente reencontrei um velho amigo, facilitador profissional de processos participativos, que estava me explicando por que o voto é o pior método para se chegar a qualquer decisão coletiva. O voto exclui a inteligência da minoria. É comum que as ideias mais criativas e transformadoras sejam justamente as minoritárias. Às vezes a hora daquela ideia não chegou, mas é importante que ela esteja incluída no construto final, e que tenha a oportunidade de ganhar força. Isso é inteligência coletiva, disse ele.
Imediatamente pensei no Código Florestal. Pensei que a tarefa de dar uma direção definitiva a esse impasse só pode ser realizada se for fruto da inteligência coletiva. Nenhum grupo de poderosos ou formadores de opinião dará conta do recado sozinho, porque a insatisfação dos demais será insustentável. Enquanto a briga segue polarizada, perde-se a oportunidade de lançar luz às inúmeras vias de convergência que estão aí, escondidinhas, só esperando para entrar em pauta.
PS: Tinha planejado comentar a decisão da OEA de requerer a suspensão das obras de Belo Monte. Mas a Natália Suzuki, do blog Janela de Babel, já disse tudo e mais um pouco. Recomendo a leitura!
Foto: João Ramid
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06/04/2011 às 19:44 Anonymous - diz:
André – diz:Aliás não vejo problema nenhum que este substitutivo emperre. Tá mais do que na hora de pessoas honestas fazerem valer seus princípios de forma intrasigente. Não tem que destruir mais nenhum bioma ou quaisquer de seus ecossistemas. Não vamos ser ingênuos a ponto de acreditar nas boas intenções de gente gananciosa.
07/04/2011 às 00:19 Anonymous - diz:
thomaz Astolfi – diz:O maior poder esta em nossas mãos! A comunicação! A INTERNET!A melhor ferramenta para conseguir fortalecer alguma ação em prol do bem estar coletivo e do meio ambiente. Com certeza não podemos fechar os olhos! Como disse nosso amigo André, gente gananciosa não tem boa intenção! Vamos divulgar tudo que for relacionado ao código Florestal!É a hora de garantirmos um crescimento sustentável para nosso país e garantir possibilidades para as gerações futuras.
10/04/2011 às 05:36 Anonymous - diz:
fernando wucherpfennig – diz:fernando wucherpfennig – diz:VC foi ao ponto do problema.Mas nos nossos sistemas, nossa cultura ainda colonial,estamos longe de atingir a inteligência coletiva, mas com a Internet poderemos acelerar neste rumo.
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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