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Ambientalistas gregos e troianos Carolina Derivi - 17/11/2011 às 17:12
O movimento ambientalista já não é mais o mesmo. E faz tempo. Um mundo bem mais simples era aquele em que o desmatamento e a poluição industrial despontavam como os únicos problemas ambientais e ambas as bandeiras uniam a todos sem distinção. Daí os verdes, os ecochatos, os abraçadores de árvores, os cavaleiros do apocalipse, ou quaisquer outros rótulos que se fizeram colar nessa turma ao longo do tempo faziam mais sentido.
Acontece que, neste século 21, as mudanças do clima despontaram para o centro da agenda. E agora nem todo mundo concorda com o caminho para descarbonizar e desaquecer o planeta. Apesar do racha no front, ninguém se considera menos comprometido com o futuro sustentável da humanidade que os demais.
No mínimo, temos aí dois grandes grupos. Se você quer saber de que lado está determinado ativista/cientista/formador de opinião, há que prestar atenção a duas questões fundamentais: energia nuclear e alimentos transgênicos. Via de regra, o sujeito terá a mesma posição nos dois casos. Ou radicalmente contra, ou audaciosamente a favor.
Polarização é um troço chato, mas neste caso é difícil escapar. O que divide as pessoas, na verdade, é o pano de fundo da tecnologia e seus supostos efeitos colaterais versus a urgência de reduzir emissões de gases de efeito estufa e promover a adaptação a um mundo com clima desregulado.
Assim: energia nuclear tem os seus riscos, mas não emite carbono. Transgênicos também apresentam riscos, mas seriam uma opção viável para aumentar a produtividade usando menos terra e para manter o abastecimento de alimentos mesmo em condições climáticas extremas.
Para quem deseja se aprofundar neste espinhoso entrevero, fiz uma seleção de ótimos argumentos de ambos os lados.
-Nesta entrevista ao site YaleEnvironment360, o ativista britânico Mark Lynas conta que apoiar essas tecnologias controversas foi como sair do armário. Por anos ele pesquisou o assunto, formou opinião, mas tinha medo de jogar sua reputação na lama. Pra vocês verem como esses dois assuntos exaltam os ânimos…
- George Monbiot, autor de diversos livros sobre meio ambiente, e Jonathon Porritt, diretor da Comissão de Desenvolvimento Sustentável do Reino Unido, travam um duelo de esgrima retórica em torno da energia nuclear no jornal The Guardian.
- E na revista Foreing Policy, a ativista e escritora Anna Lappé assina o divertido artigo “Don’t panic, go organic”. Ela defende que é possível alimentar o mundo com agricultura de base ecológica, melhor ainda que com a alternativa convencional ou transgênica.
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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