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Ambientalismo festivo Carolina Derivi - 15/06/2011 às 16:33
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Adorei saber que os blocos de Carnaval do Rio vão realizar uma belíssima batucada de manifestação contra o novo Código Florestal, neste domingo, na praia de Copacabana. Entra na roda um antigo ziriguidum: política + festa dá samba?
Francamente, eu nunca entendi o argumento de quem diz o contrário. Nunca entendi por que ação política que se preza, a de raiz, a legítima, só se expressa com muita raiva e cara fechada. É a mesma crítica que, ano após ano, assola as paradas gays tomadas de excessos carnavalescos. Ignora-se que quando uma multidão de pessoas estigmatizadas sai às ruas sem disfarce ou vergonha, não importa o quanto se beba, se dance, se beije ou se pule, estar ali é uma expressão intrínseca e inexoravelmente política.
Quanto ao Código Florestal, eu acho que o métier verde bem que está precisando espairecer. Tenho feito entrevistas depois da irônica semana do meio ambiente e a desolação das pessoas parece não ter consolo.
O termo esquerda festiva foi criado durante o período da ditadura para desqualificar o pessoal cheio de opiniões de boteco, mas que no entanto não botava a mão na massa (ou em armas). Pois o discurso de superioridade moral do militante que sabe tudo e vai a tudo é muito século 20, mesmo. Hoje as possibilidades de atuação estão pulverizadas, da velha passeata ao ciberativismo ou o que mais a criatividade da Aldeia Global permitir.
A admissão serena de que a maioria das pessoas jamais será Engajada com E maiúsculo abre porta e janelas para cada um participar do jeito que tem vontade. E esse acréscimo de forças não pode ser subestimado. Tem quem apanha da polícia, tem quem telefona pra Brasília, tem quem clica e dá forward, tem quem faz piada e quem diante de tudo isso resolve enfim perguntar: do que esse povo tá falando, afinal?
Tomara que a marcha de São Paulo (no vão livre do Masp, às 14h de domingo), que também é contra Belo Monte, encontre inspiração para temperar o protesto com leveza e um tantinho assim de farra. Não tenho nenhuma expectativa de que todo mundo vá compreender as minúcias de um assunto tão complexo (chato?) como o Código Florestal. Mas tenho esperança de que a diversidade de ações leve o imenso número de simpáticos da causa a nos dar uma forcinha.
É como dizem os cariocas. Simpatia é quase amor.
Foto: Dan Queiroz via Flickr (Jackson do Pandeiro no grafite)
ver este postcomente
16/06/2011 às 16:53 Anonymous - diz:
Maria – diz:Lastimável…Texto superficial para uma questão tão crucial.
17/06/2011 às 14:15 Anonymous - diz:
Carolina Derivi – diz:Ê patrulha sisuda… -hehe Maria, se você prefere o mau humor, talvez goste mais do meu post do dia seguinte à aprovação do novo Código Florestal na Câmara. Eu estava tinindo de raiva e amargura. Abs!http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/eco/ressaca-florestal-290840_pos t.shtml
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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