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A Amazônia e seus quatrilhões Carolina Derivi - 13/07/2011 às 16:17
Parece que a velha máxima de que a Amazônia é terra de riquezas finalmente ganhou um fundamento técnico robusto. O pesquisador José Aroudo Mota, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada estimou em US$ 1,9 quatrilhão o valor das reservas de água, mas isso é só um fator da conta a que vêm se somar ainda biodiversidade, recursos minerais e seqüestro de carbono.
O levantamento poderia até ser comparado a um Relatório Stern versão tupiniquim. O estudo de Sir Nicholas Stern, publicado em 2006, revelou pela primeira vez em termos financeiros o custo da imobilidade no enfrentamento à mudança do clima. Agora, no contexto brasileiro, finalmente sabemos o tamanho da perda econômica associada ao desmatamento. Sem floresta, não tem biodiversidade, não tem captura de carbono e nem água, já que o solo raso perde a capacidade de retê-la.
Segundo reportagem do jornal O Globo, em teoria, a floresta em pé poderia ser considerada o maior ativo econômico do País. É uma conclusão empolgante. Mas não muda o fato de que, ainda hoje, um hectare de terra desmatado na Amazônia pode valer 12 vezes mais que um hectare de floresta no mercado fundiário.
O desafio no radar, inédito na História, é o de traduzir toda essa elucubração teórica para a vida real. O que, para muitos estudiosos, implica desenvolver um mercado real para todos esses ativos ambientais, tais como a biodiversidade e o serviço de produção e distribuição de água por meio da chuva.
Se desmatar é anti-econômico para o País, precisa ser também para os indivíduos. Isso inclui os colonos, os grileiros, os pecuaristas, os madeireiros e (como não lembrar deles?) os ruralistas. Grosso modo, essa empreitada esbarra em duas perguntas fundamentais: quem pagará pela conservação? E como os recursos devem ser distribuídos?
Taí uma charada cascuda, haja vista todas as controvérsias que cercam o mercado de carbono e o nascente mercado da biodiversidade. O jeito é torcer para que as melhores mentes encontrem saídas para corrigir distorções antes que o sistema econômico passe a valorizar os recursos naturais pela via amarga: a mais absoluta escassez.
Crédito/imagem: Carlos Koblischek
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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