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Na Amazônia não tem efeito Fukushima Carolina Derivi - 30/03/2011 às 17:04
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Dá para traçar um paralelo entre a crise nuclear do Japão e o que se passa hoje na capital rondoniense e arredores.
Alguém dirá que os riscos da radioatividade para a saúde humana, somados à destruição do terremoto, são muito mais trágicos. Ok, então que se guardem as proporções. Mas o caos que se instalou em Porto Velho por influência direta da construção das hidrelétricas, e cuja revolta de trabalhadores é apenas um dos sintomas, pode perfeitamente ser chamado de desastre também.
Se o caso do Madeira prova, mais uma vez, que instalar empreendimentos vultosos numa área empobrecida sem planejamento é uma péssima ideia, por que isso não influencia Belo Monte?
É isso que me vem à cabeça quando leio as notícias sobre o efeito Fukushima. Em boa parte do mundo, pululam suspensões de projetos nucleares e revisão de regras de segurança. Já se especula que os riscos devem afugentar o investimento privado, tornando a indústria inviável sem subsídios, como demonstra matéria do The Guardian.
É uma reação bastante razoável diante do sinal amarelo. O Brasil, entretanto, mostra-se incapaz de aprender com sua própria experiência. Altamira passará pelo mesmo drama de Porto Velho. As obras no rio Xingu continuam apesar de protestos e liminares na justiça, resultado de um licenciamento atabalhoado, ilegal, e que não protege a população das conseqüências da migração em massa.
Ao lado da explosão de investimentos e arrecadação de impostos, tudo de ruim também disparou em Porto Velho. Aumentaram os furtos, os assassinatos, os casos de lesão corporal. Aumentaram os acidentes de trânsito, a prostituição infantil, o tráfico de drogas. Disparou o custo de vida, puxado pelo preço dos imóveis. E o sistema de saúde na capital é provavelmente o mais assoberbado e decadente do país, neste momento.
Eu me lembro que já em 2005, quando trabalhava na ONG Amigos da Terra, tudo que a gente fazia era disseminar as estimativas que hoje a realidade corrobora. Não foi por falta de aviso, como bem assinala Sergio Abranches. Mas faltou mencionar que esse não é um caso isolado. Quase todas as hidrelétricas já instaladas na Amazônia têm histórias similares e a elas se somam estradas, mineração e demais obras de infraestrutura. O impacto social é sempre tão grave quanto o ambiental, senão mais.
Isso acontece porque a tradição democrática no Brasil é surda, muda e blindada quanto se trata de projetos considerados estratégicos. Nesse campo, não tem abertura nem conversa. Bem diferente do que se percebe em matéria de política social e até em alguns pontos da agenda ambiental.
Enquanto o governo federal não se abrir para a inteligência da sociedade, contida em movimentos, ONGs, universidades, mas sobretudo nas histórias dos amazônidas que passam pela mesma coisa há mais de meio século, a estupidez se perpetuará.
Desde que a floresta permaneça em pé, quem se importa?
Foto: Divulgação
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13/04/2011 às 13:55 Anonymous - diz:
Marcello Santo Nicola – diz:Como eu sempre digo, a energia nuclear envolve RISCO de desastre – risco que pode ser reduzido através de controle rÃgido. Já a energia hidrelétrica tem o desastre como ponto de partida, condição inicial. Não se faz uma sem provocar uma catástrofe. A diferença é que não morre gente (na hora), mas a fauna e a flora.
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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