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Adoro Vancouver Carolina Derivi - 24/02/2010 às 14:29
Podem me chamar de encrenqueira, mas o que eu mais gosto nos grandes eventos esportivos internacionais, à parte os esportes que também adoro, são os escândalos. A combinação de mídia extensiva com esses tempos em que arsenal verde se tornou mandatório faz tudo vir à tona.
Os Jogos de Vancouver, como muitos antecessores e outros que virão, estão abaixo de fogo pesado por causas ambientais. A começar pelo inverno quente e molhado que obrigou os organizadores a importar neve, numa farra de carbono que deve ser do tamanho de uma avalanche.
Uma das minhas ações preferidas é a organização internacional pelos direitos dos animais, Peta, que denuncia a matança de focas no Canadá. O vídeo que acompanha o hotsite é brilhante. Isso porque um bebê foca é simplesmente o filhote mais insuportavelmente adorável que natureza já pôs sobre a Terra. E o flagrante desses animais sendo exterminados a pauladas é de embrulhar o estômago.
Também não podiam ficar de fora as areias betuminosas de Alberta, ou oil sands, a região em que se extrai o petróleo mais sujo no mundo, com o pior balanço energético do mundo. A mesma região que já foi chamada de Mad Max por uma jornalista brasileira e de Mordor por uma ativista canadense (a terra do mal em Senhor dos Anéis). Tem um excelente texto sobre isso no Huffington Post.
Também adorei a crônica da jornalista canadense Heather Mallick no Guardian. Ela resume a coisa assim: assistir à abertura das Olimpíadas no seu país é como ver o seu pai ficar bêbado numa festa. Você ama o cara e tudo, mas quando ele começa a fazer aquela dançinha dá uma vergonha… E alerta: preparem-se, britânicos, vocês serão os próximos!
E eu pensando comigo: nós também! Nós temos bananas, Copa e Olimpíadas. Imagina que beleza de podridão não vai emergir da Amazônia, do pré-sal, da Mata Atlântica, do trabalho escravo. Enquanto a maioria dos brasileiros (aposto) estiver ofendida de morte pelas críticas e com raiva dos gringos, eu estarei extasiada.
E por falar em greenwash… Faz tempo que eu queria comentar isso aqui, mas não tinha encontrado ainda o gancho, então vai sem gancho mesmo: o que é a Maria Fernanda Cândido na propaganda da Ford??? Ela anuncia que a montadora produz 2938428764928 zilhões de carros por segundo. Mas sabe o que é mais legal?, diz a beldade, os tapetes são feitos com garrafa PET! Isso, segundo a propaganda, deveria indicar que a empresa pensa no futuro.
Fico de cara com essas coisas… Será que eu sou a única?
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24/02/2010 às 17:58 Anonymous - diz:
ZeBrasil® – diz:Realmente a hipocrisia já faz parte do nosso cotidiano. Coisas absurdas são ditas e feitas sem nenhuma pretensão de informação. Tudo porque é bonito falar de preservação da natureza no momento. Lastimável!!!
25/02/2010 às 11:29 Anonymous - diz:
Thiago – diz:Ah, mas nem é a única viu..Também achei no mÃnimo ridÃculo esse comercial da Ford..1 carro a cada 70 segundos, com toneladas de recursos minerais e poluição, e alguns gramas de tapetes reciclados..No mÃnimo um contrasenso…Mas para o ‘povo’ que ela quer atingir…Brasil véio de guerra…¬¬
25/02/2010 às 19:02 Anonymous - diz:
Janaina Alexandra Lucena – diz:Quanto a isso o mínimo que podemos fazer, eh enviar emails a Ford, criticando o comercial. Assim eles vêem que nem todo mundo engole as “máscaras verdes” que eles andam colocando nos produtos…
25/02/2010 às 19:02 Anonymous - diz:
Janaina Alexandra Lucena – diz:Quanto a isso o mínimo que podemos fazer, eh enviar emails a Ford, criticando o comercial. Assim eles vêem que nem todo mundo engole as “máscaras verdes” que eles andam colocando nos produtos…
16/03/2010 às 09:54 Anonymous - diz:
Raquel – diz:Ah! Alguém! Alguém também achou isso do comercial da Ford! Deus, não bastasse esse “discurso x prática” a que estamos constantemente sujeitos diariamente com a hipocrisia humana, me vem a pérola das pérolas com esse comercial. E ao mesmo tempo que me dá um certo desanimo ao saber de notícias como essa do Canadá, eu arregaço as mangas e parto para essa luta (im)possível de Sustentabilidade e Cultura de Paz. Abraços!
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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