BuscaBusca avançada
Publique
o selo
no seu blog
Acomodação Carolina Derivi - 16/02/2011 às 14:57
É de se imaginar que a escassez e corda no pescoço sejam condições mais férteis para a inovação que a abundância. Pois essa teoria intuitiva diz muito sobre como os países reagem às demandas de sustentabilidade e energia.
Pensei nisso quando soube que a Argélia se propôs a limpar quase a metade de sua matriz energética em menos de 10 anos. Isso significa muita coisa para uma dos maiores exportadores de petróleo do mundo. Na verdade, mais de 90% da economia argelina depende dessas exportações.
O que rolou, provavelmente, foi um cálculo de longo prazo: se o mundo está apontando para outra direção no futuro energético, o país não pode arriscar a bancarrota. Os esforços serão gigantescos e envolvem até mesmo desenvolver novas tecnologias localmente, aproveitando o potencial de insolação do deserto do Saara.
Outro exemplo bem claro é o pequenino Japão cuja escassez de recursos naturais, entre outros fatores, ajudou a moldar setores industriais dos mais inovadores do mundo.
E o Brasil? O campeão megabiodiverso tem água que não acaba mais, a maior floresta tropical do mundo e ainda muita terra disponível para agropecuária. Lembremos que o etanol, entre as maiores realizações da ciência nacional, foi fruto de um dos raros momentos de escassez: as crises do petróleo dos anos 70 e 80.
No mais, as condições sempre tão favoráveis podem ter um toque de benção tanto quanto de maldição. Já cansei de ouvir de economistas e gestores públicos que o Brasil tem lições a dar ao mundo, em termos de energia limpa. Mas até quando?
Esse risco está bem diagnosticado no relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgado ontem. O País já está notoriamente em desvantagem no ramo de pesquisa e desenvolvimento do etanol celulósico e ainda não acordou para o fato que de há uma corrida internacional em torno da tecnologia eólica.
Vale a pena conferir o que diz o IPEA sobre o potencial de indução de boas práticas do BNDES, responsável por 80% dos financiamentos no setor elétrico.
ver este postcomente
Não há nenhum comentário. Seja o primeiro!
Deixe aqui seu comentário: Preencha os campos abaixo para comentar, solicitar ou acrescentar informações. Participe!
Enviar
Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
• A soma de todos os problemas…
• Ombudsman para as futuras gerações
• Código Florestal: presente e futuro
• Rio+20: o racha que vem de baixo
• A economia florestal vai mal
• Desigualdade faz mal à saúde?
• Nas entrelinhas de uma conferência
• O país mais sustentável do mundo
• Sobre dar valor ao que tem valor
• Trabalhar menos para ser sustentável
• Impacto ambiental na ponta do lápis
• A economia e os arreios ambientais
• Ambientalistas gregos e troianos
• Fundos ambientais: aprender com a África
• Para entender o desmatamento
• A Amazônia e seus quatrilhões
• Embu das Artes e o caminho das pedras
• O melhor investimento do mundo
• Na Amazônia não tem efeito Fukushima
• Sustentabilidade by the book
• Debates esquecidos em Belo Monte
• Código Florestal e as enchentes
• Abrolhos não rima com Petróleo
• Adeus ano velho, adeus Código Florestal
• Sustentabilidade dá dinheiro?
• Pensar global, sabotar local
• Moradores ameaçados de despejo no Madeira
• 100 empresas para mudar o mundo
• Munição para debates climáticos
• Código Florestal tem solução
• Amazônia equatoriana abre mão do petróleo
• A morte da lei climática americana
• Código Florestal: a história sem fim
• Campos de morango para sempre
• O incrível duelo do ruim contra o menos pior
• Pizza na legislação ambiental
• Cadeia do couro fecha cerco contra o desmatamento
• Vila japonesa encara lixo zero
• A economia pode crescer para sempre?
• Sem os gatos, os ratos fazem a festa
• Entre a mata e o machado, quem vai ceder?
• Brasil, terra de “contradições”
• Menos criança, menos carbono
• Congresso pode extinguir leis ambientais
• MP 458 e a repetição da história
• Nove em cada dez são pessimistas
• Por que aderir à Hora do Planeta
• Licenciamento ambiental for dummies
• O salvamento da crise e do clima
• Cidade quebrada reage na Amazônia
• Ideias infames pra salvar o planeta
• A vida menos verde do vizinho
• Além do que agrada aos olhos
• Reino do gado na terra de ninguém
• Rio Madeira, direito e esquizofrenia
• Pódio para os biocombustíveis