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A economia e os arreios ambientais Carolina Derivi - 23/11/2011 às 14:50
O senso comum, como se sabe, é como cara ou coroa. Pode se mostrar sábio tanto quanto um erro grosseiro. E é um desses expoentes da intuição coletiva que está por trás dos nós nas maiores ambições da sustentabilidade, da empacada Convenção do Clima ao polêmico Código Florestal brasileiro. Afinal, restrições ambientais prejudicam a economia?
A gente desconfia que sim. Governos e economistas costumam seguir esse palpite. Estamos acostumados a antever que mais regras = mais dor de cabeça = mais custos = esfriamento dos negócios. Com base em dados dos Estados Unidos, o economista Gernot Wagner, do Environmental Defense Fund, demonstra um fascinante revés para essa noção geral pouco questionada.
O Clean Air Act, legislação paradigmática dos anos 1970 que obrigou a indústria americana a reduzir a poluição do ar, gerou US$30 de benefícios econômicos para cada US$1 de custo imediato, segundo cálculos do professor de Harvard, Dale W. Jorgenson. O princípio é simples: meio ambiente limpo = cidadãos mais saudáveis = cidadãos mais produtivos. Paralelamente, as normas restritivas determinaram todo um novo campo de negócios dedicado a desenvolver e vender soluções.
Há quem acredite que o mesmo mecanismo, o chamado cap-and-trade não, funcionaria para o problema climático, já que a tecnologia definitiva, viável e barata ainda não está disponível para dar contas de todas as necessidades. Por outro lado, esse é um caso clássico de “ovo ou galinha”. Não temos regulação porque a tecnologia não está pronta, ou não temos tecnologia porque a regulação ainda não apareceu para direcionar investimentos onde a inovação é mais necessária?
Acrescento ainda um novo relatório do PNUMA, sobre redução gradativa do enxofre na gasolina em todo o mundo. Até agora, esse arreio ambiental rendeu US$ 2,4 trilhões em gastos de saúde poupados, o equivalente a 4% do PIB mundial.
Daí não posso deixar de pensar no nosso Código Florestal, cujo projeto de alteração está sendo discutido neste momento no Senado. Será mesmo que a legislação ambiental atravanca o progresso no campo? Ou será apenas que ainda não fomos capazes de propor um mecanismo inteligente de ganha-ganha?
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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