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A boa vida e a velhice Carolina Derivi - 26/01/2012 às 13:23
Uma das entrevistas mais interessantes que já fiz na vida foi com Jorge Félix, autor do livro Viver Muito: outras ideias sobre envelhecer bem no século XXI (e como isso afeta a economia e o seu futuro). Já faz algum tempo, mas lembrei dela porque funciona como excelente adendo ao meu post sobre trabalhar menos e o que significa isso no contexto da sustentabilidade.
O envelhecimento populacional é geralmente tratado com contornos cataclísmicos. Lá vem a bomba! Para se ter uma ideia, segundo projeção do Banco Mundial, o Brasil de 2050 terá 64 milhões de idosos, ou quase um terço do total de brasileiros. Essa proporção é maior do que a verificada no Japão, atualmente o país mais envelhecido do mundo.
Daí que esse futuro apavora as pessoas. A previdência vai quebrar! Quem vai dar conta de sustentar todos esses dependentes? O que será do sistema de saúde, meu Deus? Félix é um dos poucos caras com olhar de oportunidade para a nova demografia. Embora reconheça que os riscos de uma velhice mais difícil e mais cara são maiores para a minha geração, ele entende que isso vai requerer uma adaptação positiva, capaz de beneficiar pessoas em todas as idades.
A palavra-chave aqui é qualidade de vida, do discurso à prática. Uma transição inevitável da nova demografia é dissociar definitivamente a idade da dependência, física ou financeira. O único jeito de manter essa barca Brasil nos eixos é dar condições para que as pessoas possam ser ativas por muito mais tempo. Já que eu tenho que trabalhar até os 80 anos, a quem interessa que eu tenha uma úlcera antes dos 40, ou um ataque do coração, de tanto trabalhar? Interessa ao governo que vai arcar com as minhas despesas de saúde caso eu não possa fazê-lo por mim mesma? Interessa às empresas num cenário de baixa disponibilidade de mão de obra qualificada? Interessa à economia? Não mesmo.
Eu entendo que, para nós, tão acostumados que estamos ao capitalismo selvagem, seja difícil acreditar que esse mesmo sistema possa se ver obrigado a promover cada vez mais a vida de qualidade. Mas você pode olhar para isso com um olhar pragmático de business. Atualmente, no Brasil, entram dez pessoas no mercado de trabalho para cada idoso que se aposenta. Em 2050, essa proporção será de um para um.
Até hoje, sempre foi muito fácil para o mercado sugar os seres humanos até os ossinhos e depois cuspir o bagaço. Numa sociedade jovem, existe abundância de trabalhadores no banco aptos a entrar em jogo, mesmo com regras duríssimas. Já num país envelhecido… Temos, segundo Félix, a oportunidade de rediscutir o papel do trabalho na vida das pessoas, rediscutir o papel de governos e empresas na promoção dessa qualidade, e ampliar cada vez mais o significado de uma vida efetivamente saudável.
Crédito foto: Patrick Doheny
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27/01/2012 às 15:40 Rodolfo Almeida - diz:
Olá Carolina, bom dia! Sou de Embu das Artes e ainda guardamos com carinho sua reportagem do ano passado sobre nossa cidade.
por favor, tem um lixão irregular da própria prefeitura, bem no centro, acima de um hospital, ele está lá a 4 anos e ninguém resolve, você pode escrever uma matéria a respeito?
tem algumas informações a respeito em nosso site.
http://salveembudasartes.com.br/?p=678
muito obrigado e um abraço
01/02/2012 às 14:05 Carolina Derivi - diz:
Oi Rodolfo! Vou dar uma olhada na sua história, mas acho que você provavelmente conseguiria melhores resultados se escrevesse para o seu jornal local. De todo modo, obrigada pelo carinho e pela confiança.
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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