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Devaneios no Rio de Janeiro Carolina Derivi - 16/09/2009 às 18:38
A minha maneira de enxergar as mudanças climáticas mentalmente é imaginar a Avenida Atlântica, em Copacabana, sendo desocupada em meio ao avanço das ondas. De repente, aqueles apartamentos milionários não passariam de cimento e tijolo. E o cenário da minha adolescência (quanto vôlei de praia, quantas luzes, passeios noturnos, chope e açaí) seria só a lembrança como prova de que tudo é efêmero.
Isso sim é real. E surreal ao mesmo tempo. Acho que todo esse papo de aquecimento global só vai ganhar sentido mesmo quando se materializar em alguma coisa que a gente gosta.
Ainda bem que acabo de entrevistar o Sergio Besserman. Economista, flamenguista e atual conselheiro de mudanças climáticas e assuntos correlatos para a prefeitura do Rio. Ele me garantiu que antes de o oceano Atlântico engolir Copacabana, muitas alternativas tecnológicas serão adaptadas para evitar o pior. Está aí a Holanda, país situado ligeiramente abaixo no nível do mar, mas que literalmente segura a onda com diques e outros macetes.
Adorei perceber quantas semelhanças existem entre a pomposa Convenção do Clima em Copenhagen e os desafios que a gente tem que enfrentar aqui, cada um na sua cidade. Por exemplo, um dos nós no plano internacional não é convencer os ricos a pagarem a maior parte da conta? Pois na cidade é a mesma coisa. Os ricos, aqueles que mais contribuíram e contribuem com emissões de carbono, precisam se acostumar com medidas restritivas ao transporte individual. Isso significa custo.
Vocês sabiam que além de agravar as mudanças climáticas, os escapamentos dos carros ainda pioram as ilhas de calor nos ambientes urbanos? Ou seja, o abuso do carro não é um problema apenas para a abstração de um aquecimento global que vai se abater não se sabe bem onde, não se sabe bem como. É vetor de um problema real, enquanto os microclimas urbanos já são expressivamente mais quentes que outros cantos arborizados.
Querem mais uma? Disse o IPCC que os países mais pobres serão os mais afetados pelos eventos climáticos extremos. Na minha cidade, na sua cidade, é a mesma coisa. As populações mais carentes, instaladas em favelas íngremes e beira de córregos, com imóveis improvisados, correm mais riscos. O interessante é que a ameaça vira também uma oportunidade para superar a segregação sócio-espacial nas metrópoles. A emergência climática dá um sentido coletivo ao meio urbano, um interesse comum, que há muito tempo não se vê.
Pensar global e agir local, repetiu o Bessrman. Mas também pensar local e agir global. O cidadão carioca, brasileiro, do mundo… não tem mais grande diferença. Essa é a marca do século 21. Estamos todos juntos na mesma barca, seja no planeta ou na rua, no bairro. Alguma coisa sempre nos uniu, mas talvez nunca tão claramente.
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17/09/2009 às 12:08 Anonymous - diz:
GISELE GRANDIZOLLI – diz:Carolina,Você, em poucas palavras, resumiu algo que identifiquei também: união em objetivos comuns. Senates tínhamos interesses antagônicos, como explorou tão bem o marxismo, hoje temos um viés na dinãmica sóci-econômica e política, que converge os interesses: oa sobrevivência do Planeta. Assino embaixo Abraços Gisele
20/09/2009 às 23:32 Anonymous - diz:
Carolina Derivi – diz:Oi Gisele, obrigada pelo comentário excelente. Pois é, tem um sentido sábio nos fenômenos climáticos… a maneira que temos de lidar com isso nos empurra a saldar velhas dívidas. Na linha da sustentabilidade, se pensa em desigualdade, em segregação, em oportunidades de desenvolvimento para países da periferia. Boto fé!
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12/10/2009 às 18:56 Anonymous - diz:
MAGNO ROGÉRIO CRUZ – diz:MAGNO ROGÉRIO CRUZ – diz:MAGNO ROGÉRIO CRUZ – diz:ESTIMADA CAROLINA DERIVI, PARABÉNS PELO BLOG.ESTOU DIVULGANDO ALGUMAS MATÉRIAS TUA EM MEU BLOG: VERDESDORIO.NIN.COM.MUITO GRATO,MAGNO CRUZ-FROÇA VERDE
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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