BuscaBusca avançada
Publique
o selo
no seu blog
Eureca climática Carolina Derivi - 15/07/2009 às 00:08
Na blogosfera gringa especializada, não se fala em outra coisa. Um grupo de intelectuais da Universidade de Princeton (EUA) pode ter descoberto a fórmula ideal para levar o mundo a um acordo climático ao mesmo tempo justo e eficiente.
Antes de revelar a epifania, vamos ao impasse: de um lado, os países pobres que contribuíram muito pouco para o aquecimento global, têm menos recursos humanos e financeiros e acham que os ricos devem pagar a maior parte do pato.
Por sua vez, o mundo desenvolvido já entendeu que vai ter de abrir a carteira, mas quer garantias de que seus esforços não serão em vão. O conjunto dos países em desenvolvimento já responde por mais da metade das emissões de carbono globais. Sozinhos, os ricos não dão conta.
A solução: individualizar. O que os caras de Princeton propõem é usar como medida não a riqueza das nações, mas a riqueza de um bilhão de indivíduos no topo da pirâmide global, espalhados por todos os países. É criar um limite universal para quanto uma pessoa pode emitir por ano, de acordo com a quantidade de carbono que se quer retirar da atmosfera.
Mesmo os países em desenvolvimento têm uma parcela de sua população que é afluente e, por conseguinte, causa mais estrago ambiental. A beleza dessa proposta é o apurado senso se justiça. A maior parte dos top um bilhão de poluidores está nos países ricos, que receberiam metas de redução mais elevadas. Em primeiro lugar aparecem EUA e China. E, sucessivamente, até os grotões mais pobres da África, cada país receberia sua cota customizada de redução.
Não para por aí. A grande novidade é que os pesquisadores propõem também um piso. Três bilhões de pessoas no mundo, os pobres dos pobres, estariam abaixo desse piso e seriam estimulados a emitir mais carbono. Em outras palavras, isso significa licença para dispor de todas as alternativas, inclusive as fósseis, no combate à pobreza extrema.
Percebem a dinâmica? Riqueza material e pegada de carbono são tratadas como a mesma coisa. Fazer com que o topo e a base se encontrem no meio termo desejável pode não apenas solucionar a crise climática, mas ser um instrumento de combate à desigualdade no mundo.
Tá bom ou quer mais?
ver este postcomente![]()
Não há nenhum comentário. Seja o primeiro!
Deixe aqui seu comentário: Preencha os campos abaixo para comentar, solicitar ou acrescentar informações. Participe!
Enviar
Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
• A soma de todos os problemas…
• Ombudsman para as futuras gerações
• Código Florestal: presente e futuro
• Rio+20: o racha que vem de baixo
• A economia florestal vai mal
• Desigualdade faz mal à saúde?
• Nas entrelinhas de uma conferência
• O país mais sustentável do mundo
• Sobre dar valor ao que tem valor
• Trabalhar menos para ser sustentável
• Impacto ambiental na ponta do lápis
• A economia e os arreios ambientais
• Ambientalistas gregos e troianos
• Fundos ambientais: aprender com a África
• Para entender o desmatamento
• A Amazônia e seus quatrilhões
• Embu das Artes e o caminho das pedras
• O melhor investimento do mundo
• Na Amazônia não tem efeito Fukushima
• Sustentabilidade by the book
• Debates esquecidos em Belo Monte
• Código Florestal e as enchentes
• Abrolhos não rima com Petróleo
• Adeus ano velho, adeus Código Florestal
• Sustentabilidade dá dinheiro?
• Pensar global, sabotar local
• Moradores ameaçados de despejo no Madeira
• 100 empresas para mudar o mundo
• Munição para debates climáticos
• Código Florestal tem solução
• Amazônia equatoriana abre mão do petróleo
• A morte da lei climática americana
• Código Florestal: a história sem fim
• Campos de morango para sempre
• O incrível duelo do ruim contra o menos pior
• Pizza na legislação ambiental
• Cadeia do couro fecha cerco contra o desmatamento
• Vila japonesa encara lixo zero
• A economia pode crescer para sempre?
• Sem os gatos, os ratos fazem a festa
• Entre a mata e o machado, quem vai ceder?
• Brasil, terra de “contradições”
• Menos criança, menos carbono
• Congresso pode extinguir leis ambientais
• MP 458 e a repetição da história
• Nove em cada dez são pessimistas
• Por que aderir à Hora do Planeta
• Licenciamento ambiental for dummies
• O salvamento da crise e do clima
• Cidade quebrada reage na Amazônia
• Ideias infames pra salvar o planeta
• A vida menos verde do vizinho
• Além do que agrada aos olhos
• Reino do gado na terra de ninguém
• Rio Madeira, direito e esquizofrenia
• Pódio para os biocombustíveis