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Marina Lá Carolina Derivi - 17/06/2009 às 18:36
A coisa toda soa como utópica, é verdade. Um movimento composto por ambientalistas, cientistas, a comunidade na internet e especialmente o Partido Verde quer ver Marina Silva candidata à presidência da República. É um movimento que se assemelha muito ao que conclamou Gabeira a sair candidato à prefeitura do Rio. Tudo começou no blog do jornalista Pedro Doria, ganhou escala, Gabeira topou e por duas polegadas logo nos quadris não saiu vitorioso.
O caso de Marina é mais complicado. O primeiro desafio seria convencê-la a sair do PT, partido com o qual a senadora tem laços históricos de fidelidade e no qual jamais conseguiria apoio para cargo executivo que não fosse o governo do Acre.
A segunda dificuldade é sua ambição pessoal. Marina já é uma personalidade histórica, de prestígio mundial ilibado (só no último ano já ganhou quatro condecorações internacionais). Por que toparia passar pelo desgaste de uma campanha presidencial e pegar a bucha de ser presidente, virando telhado de vidro para tudo e para todos?
Só ela sabe. Mas a possibilidade é tão legal que gosto de conjecturar. Por exemplo: Marina candidata seria como refundar o PV. Seria retomar os princípios originários do partido e encampar de fato uma proposta de País que tenha a questão ambiental como prioridade. Quem bom seria ter um partido com essas características fortalecido no cenário nacional. E que melhor momento para começar esse trabalho senão agora, quando tantos países relevantes, a começar pelos Estados Unidos, elevam a política ambiental ao status de estratégica?
Em entrevista à Carta Capital, o diplomata Rubens Ricúpero acertou na mosca: O único problema mundial que não pode ser resolvido sem o Brasil é o ambiental. Ou seja, é a única área em que o País tem condições de exercer liderança num horizonte próximo. Se essa análise estiver correta, Marina Silva como presidente é a chave para um Brasil fortalecido no cenário internacional.
A chefe de redação do Valor Econômico, Rosângela Bittar, arriscou um palpite em artigo publicado no jornal: aposta que Marina teria entre 8% e 9% das intenções de voto na largada, graças à simpatia da classe média pelas questões ambientais e pelo próprio PV. A senadora tem grande carisma e pertence ao seleto grupo de políticos identificados com a ética pela opinião pública.
Mas imagino que seu calcanhar de Aquiles seria justamente o meio ambiente. Numa disputa eleitoral, consigo visualizar os adversários argumentando que Marina entende de floresta e só. E que é preciso muito mais que isso para comandar o País. Estariam errados, acredito. Pouco assuntos são tão transversais quanto meio ambiente. A discussão é inseparável de energia, infra-estrutura, desenvolvimento, cultura, políticas sociais. E Marina é escolada em todos esses assuntos, até porque é senadora da República desde 1995.
É quase impossível, mas vamos sonhando. Quem sabe a gente não emplaca Marina, mas emplaca uma mensagem de apoio à sustentabilidade no poder.
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18 de June de 2009 Anonymous - diz:
Mariana Lopes – diz:Muito boa a análise, Carolina. Agora, vamos torcer para a Marina encampar essa ideia e se candidatar.
24 de June de 2009 Anonymous - diz:
Irapuan Campos – diz:Carolina;Acho ótimo que pessoas de boa fé, como Marina Silva se candidatem a presidencia da republica, cidadãos que pouco se interessam com politica, tem suas esperanças renovadas com atitudes desse porte, lembro quando em 2002, o Lula venceu finalmente a disputa pela presidência, muita gente, se animou naquele tempo, ainda acho que as coisas estão melhorando no país, mas esse ainda não é o ponto. O ponto é o próprio Partido Verde!Estaria o PV preparado para assumir tamanha responsabilidade?Certamente você conhece muito mais sobre o trabalho do PV do que eu, mas não acha que apenas contar com a “simpatia da classe média pelas questões ambientais” é pouco para realmente se obter algum resultado nesse assunto?
25 de June de 2009 Anonymous - diz:
Carolina Derivi – diz:Oi Irapuan! Na verdade, eu não conheço tão a fundo as tividades do PV… Afinal, os embates políticos em matéria ambiental no Brasil se dão muito mais entre as ONGs e os representantes do agronegócio e energia, do que entre partidos.A simpatia da classe média é pouco, sim. A própria candidatura à presidência também. Tudo é pouco, de partida. Mas gosto de sonhar com o longo prazo, e com a possibilidade das questões ambientais, por entermédio das eleições, entrarem no radar do debate nacional com a força e a seriedade que merecem.Acho que o namoro do PV com Marina é bem pensado. Se o que se deseja é começar um processo de fortalecimento do partido e de sua identidade, nada melhor do que uma grande liderança, e uma grande personalidade.Espero ter respondido. Um abraço!
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade, subeditora da revista Página 22. Durante seus "verdes anos", foi ativista pelo cerrado na Chapada dos Veadeiros (GO). Trabalhou na ONG Amigos da Terra e dedicou o último ano da faculdade a um livro-reportagem sobre o complexo hidrelétrico do rio Madeira (RO). Desde então, seu assunto preferido, seja neste blog ou em mesa de bar, é a Amazônia brasileira. Acha que o barato do jornalismo ambiental são as boas histórias, e da sustentabilidade, as boas ideias. Aqui, discorre sobre os rumos do meio ambiente e as múltiplas conexões com política e economia.
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