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Clima na mira dos lobistas Carolina Derivi - 08/04/2009 às 01:00
O debate sobre a futura legislação climática está pegando fogo nos EUA. Um levantamento feito pelo The Center for Public Integrity (grupo de jornalistas investigativos) mostra que o número de lobistas especializados no tema, em atividade no Congresso americano, aumentou 300% em cinco anos.
Mais de 770 empresas e grupos setoriais contrataram cerca de 2.340 lobistas, em 2008, só para influenciar os senadores americanos e puxar a brasa da sardinha climática para um lado ou para o outro. A reportagem que contextualiza esses dados é bárbara se você quiser conhecer a fundo o jogo de interesses nos EUA. Mas é bem longa e o inglês é bem refinado, o que me fez recorrer ao dicionário várias vezes. Se você só quiser conhecer o essencial, e em português, segue a vaca fria:
Não existe mais mocinho e bandido. Um exemplo é a organização American Coalition for Clean Coal Electricity. A ACCE representa a indústria de geração de eletricidade térmica, a carvão, que responde por mais de 50% de toda a energia elétrica consumida no país. Eles gastaram quase US$ 10 milhões em lobby no ano passado. E tudo isso é para impedir as inovações verdes? Pelo contrário.
A ACCE é favorável ao futuro sistema cap-and-trade, que deverá impor limites de emissão de carbono por setor da economia e forçar um comércio de permits, ou seja, créditos (o objetivo é que os EUA emitam 80% menos carbono em 2050). O que eles querem é incluir um dispositivo que disponibilize rios de dinheiro para desenvolver alguma tecnologia capaz de capturar o carbono, em lugar de banir o uso do carvão.
O pessoal da energia renovável ou de baixo carbono está "assim assim" com eles. A gigante General Eletric, no ramo da energia hidrelétrica, a gás e nuclear, acha que pode vender uma tecnologia para "limpar" o carvão a preços atualmente exorbitantes.
E sabe quem são os principais lobistas do momento? Os bancos de Wall Street e as seguradoras. São os futuros operadores financeiros de um mercado que deve movimentar US$ 3 trilhões e fazer com que o carbono seja a commodity mais negociada do mundo. Ou seja, um debate que antes era travado só por ambientalistas e grandes poluidores agora é de todo mundo. Todo tipo de empresa entrou no jogo. A preocupação por lá é que tamanha confluência de interesses impossibilite o acordo, ou promova uma lei tão cheia de concessões que acabe ineficiente.
Ah, claro, o pessoal do "hay verde, soy contra" ainda existe. Este vídeo é uma propaganda da Câmara Americana de Comércio contra o projeto de lei Lieberman-Warner, proposto em 2005, que era bem moderado em comparação com o que Obama quer fazer agora.
Curiosidade: Como vocês acham que o The Center for Public Integrity conseguiu esses dados? Investigação ferrenha? Acordos escusos com delatores internos? Nada disso. Os dados são públicos. Nos EUA, há uma lei que obriga os lobistas a se registrarem no Congresso, bem como as empresas e os interesses que representam. Veja você…
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade, subeditora da revista Página 22. Durante seus "verdes anos", foi ativista pelo cerrado na Chapada dos Veadeiros (GO). Trabalhou na ONG Amigos da Terra e dedicou o último ano da faculdade a um livro-reportagem sobre o complexo hidrelétrico do rio Madeira (RO). Desde então, seu assunto preferido, seja neste blog ou em mesa de bar, é a Amazônia brasileira. Acha que o barato do jornalismo ambiental são as boas histórias, e da sustentabilidade, as boas ideias. Aqui, discorre sobre os rumos do meio ambiente e as múltiplas conexões com política e economia.
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