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100 empresas para mudar o mundo Carolina Derivi - 08/09/2010 às 07:00
O problema: salvar a biodiversidade do planeta. O americano Jason Clay, vice-presidente do WWF, acha que encontrou a solução. Apesar de conceitualmente simples, a ideia pode ser bastante controversa, já que não tem nada a ver com pressão popular ou a união fraterna dos povos na Era de Aquário.
Tudo se baseia, na verdade, em matemática elementar. O WWF identificou 35 hotspots de biodiversidade em todo o mundo. Ou seja, é nesses lugares que será preciso trabalhar para garantir alguma esperança de manutenção da variedade da vida que temos hoje. Depois, foram discriminadas as principais ameaças e o resultado apontou para 15 commodities (algodão, soja, carne, óleo de palma, entre outras).
Ao levantar hipóteses, Clay se pergunta com que atores deveríamos trabalhar. Vejamos o caso dos consumidores: são 6,9 bilhões de pessoas, 7 mil línguas globalmente, ou 350 idiomas principais. Considere-se que a média dessas pessoas não leva mais que 4 segundos para tomar uma decisão de compra. É possível torná-los cientificamente informados sobre todos os aspectos dos produtos nas prateleiras, especialmente quando se trata de informações que se atualizam quase que semanalmente? Hummm…
Se você acompanha esse blog com alguma freqüência, sabe que eu também desconfio da ideia de que os consumidores vão salvar o mundo. Não é que não se deva informar as pessoas, ou ajudá-las a premiar os comportamentos corporativos que julgarem merecedores. Mas já perdi a conta dos ongueiros inteligentes e capacitados que me renderam um comentário como este em entrevistas: as coisas só vão mudar no dia em que as pessoas perceberem que cada compra é um voto. Como se essa fosse a única e mais eficiente estratégia.
Depois de 40 anos, o movimento pelos orgânicos resultou em 0,07% do mercado global de alimentos. Nós simplesmente não podemos esperar todo esse tempo, diz Clay em uma palestra que você encontra na íntegra e com legendas em português, no TED.
Ele também constatou que trabalhar com 1,5 bilhão de produtores em todo mundo pode ser contraproducente. Foi aí que o WWF afunilou as cadeias produtivas e chegou a 100 mega corporações que controlam 25% dos mercados das 15 commodities. Se essas empresas tomarem uma decisão por padrões de sustentabilidade, todo o resto virá com o efeito dominó.
Clay diz que eles já conseguiram assinar acordos com 40 dessas empresas, em apenas 18 meses de trabalho. O diálogo é difícil, naturalmente, mas as perspectivas parecem promissoras. De todo modo, eficiência à parte, esse plano tem algo de deprimente. Para concordar com Clay, talvez seja preciso aceitar que vivemos num mundo em que o poder das massas é passado e que qualquer evolução significativa precisa passar pelo crivo de meia duzia de corporações.
É isso mesmo?
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08/09/2010 às 11:03 Anonymous - diz:
Rômulo Collopy Souza Carrijo – diz:Rômulo Collopy Souza Carrijo – diz:Acho que é um dos caminhos mais viáveis e importantes. Porém, estratégias de pressão popular organizada (ONGs) e de empresas avançadas em boas práticas, para criar um marco legal pela sustentabilidade também é um ponto a se considerar.
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Carolina Derivi é jornalista especializada em sustentabilidade. Começou há sete anos, como estagiária na ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e de lá pra cá foi repórter e subeditora da revista Página22. Hoje, como freelancer, colabora com diversos projetos de comunicação. Desde que passou uma temporada como voluntária na Chapada dos Veadeiros (GO), aos 18 anos, não perdeu mais a mania de encontrar relações entre meio ambiente e tudo o mais que há na vida. Aqui, discorre sobre as múltiplas conexões entre sustentabilidade, política e economia.
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