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Cartas na mesa do clima Tasso Azevedo - 23/02/2015 às 18:57

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No dia 13 de fevereiro, representantes de mais de 180 países do Grupo de Trabalho para implementação da Plataforma de Durban (ADP) encerraram a Conferência de Clima de Genebra ao aprovar o documento que servirá de base para a negociação do novo acordo climático global. Este acordo deverá ser finalizado e aprovado na Conferência das Partes da Convenção de Mudanças Climáticas (COP 21), em Paris, em dezembro próximo.

De fato, o trabalho deveria ter sido terminado na COP20, que aconteceu em dezembro último em Lima, Peru. Mas, na falta de um bom acordo, foi preciso marcar nova reunião.

O documento-base – que já começou a reunião em Genebra com quase 40 páginas – recebeu centenas de emendas e, em vez de ser enxugado, foi inflado com todas as propostas colocadas na mesa, chegando a 86 páginas. Para efeito de comparação, a Convenção sobre Mudanças Climáticas tem 25 páginas e o Protocolo de Kyoto,22 páginas.

Em praticamente todos os temas em debate existe, no mínimo, três opções de texto com abordagens às vezes bem distintas e distantes como, por exemplo, o objetivo do novo acordo. Algumas alternativas indicam, como objetivo, zerar emissões antrópicas neste século para assegurar maior chance de manter o crescimento da temperatura média global no limite de 2ºC. Outras propõem a busca – dentro das possibilidades de cada país – de uma economia de baixo carbono ao longo do século.

Até o final do ano, serão realizadas, pelo menos, mais duas sessões de negociação antes de Paris, para limpar o texto, reduzir as opções e buscar consensos.

Apesar de toda complexidade e “gordura” do texto, é possível começar a visualizar uma estrutura e uma narrativa deste documento.

Começa com um longo preâmbulo que procura desenhar o contexto, avanços e retrocessos do processo da convenção de clima e sua implementação e ancorar o novo acordo como um novo mecanismo de implementação. Segue para os objetivos do novo acordo, no qual o grau de ambição varia enormemente entre as diferentes opções de texto. Depois, no final, desenvolve o caminho para o objetivo ser alcançado a partir de ações de cinco áreas: mitigação, adaptação, financiamento, assistência técnica e mecanismo de perdas e danos. Nestas cinco áreas, disputa-se no texto como serão feitos compromissos legalmente vinculantes para os países (ou parte deles) e como eles seriam definidos, implementados e monitorados.

Em outros posts, trataremos dos dilemas nas diferentes partes do texto e o significado das escolhas ao penderem para um lado ou outro.

Foto: Martin Sharman/Creative Commons/Flickr

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Comentários

26/02/2015 às 13:12 Em busca do zero a zero - Blog do Clima - diz:

[…] de negociação do novo acordo, aprovado na Conferência de Clima de Genebra (leia o post Cartas na mesa do clima), estão longe desse grau de ambição, mas possuem várias brechas e espaços para alcançá-la. […]

27/02/2015 às 17:03 FATIMA SILVA - diz:

adoro o q vcs fazem.

13/03/2015 às 10:41 Metas nacionais para novo acordo climático começam a ser registradas - Blog do Clima - diz:

[…] de revisão de metas em ciclos de 5 ou 10 anos que aparece como um dos elementos fortes do documento do novo acordo, atualmente em negociação. São estes ciclos que permitiram ajudar e ampliar o nível de ambição das contribuições dos […]

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A Mudança Climática é uma das mais importantes discussões de nosso tempo. Como esse assunto influencia a vida das pessoas, das empresas e dos países? O que a pegada de carbono tem a ver com a Nova Economia? Como isso altera o meio ambiente, a produção de energia e a criação de empregos? O que a mudança climática tem a ver com o cotidiano de cada um de nós? O Blog do Clima vem para ajudar a entender melhor tudo isso e acompanhar o lançamento do 5º. Relatório do IPCC – Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas, da ONU, realizado entre 2013 e 2014. Este blog tem curadoria do engenheiro florestal TASSO AZEVEDO (foto), empreendedor socioambiental e consultor sobre florestas, clima e sustentabilidade, que também foi diretor geral do Serviço Florestal Brasileiro e um dos formuladores da Política Nacional de Mudanças Climáticas.

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