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Leitura obrigatória: primeiro relatório do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas Tasso Azevedo - 28/01/2015 às 19:54

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Artigo publicado originalmente no jornal O Globo em 28/01/2015

Um esforço de quatro anos envolvendo 360 pesquisadores das universidades e centros de pesquisa brasileiros produziu o primeiro Relatório de Avaliação Nacional do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (RAN 1 / PBMC).

O relatório – a versão completa foi lançada em três volumes na semana passada – se parece muito em formato, conteúdo e método com o relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) e traça um quadro das mudanças climáticas em curso no Brasil e seus impactos, indica nossas vulnerabilidades e as necessidades de adaptação e aponta caminhos para o Brasil contribuir para mitigação através do crescimento de baixo carbono.

O RAN – ou pelo menos o seu sumário executivo – deveria ser leitura obrigatória nas faculdades e universidades, nos escritórios de engenharia, arquitetura, construção e agronomia, nos consultórios médicos e hospitais, nos ministérios e secretarias de energia, planejamento, economia, agricultura e meio ambiente e por todo interessado em políticas públicas de longo prazo para o bem-estar e a sustentabilidade do país.

As mudanças climáticas atingem todas as regiões do país com implicações econômicas, sociais, ambientais, políticas e culturais marcantes e com consequências para a evolução de praticamente todas as profissões.

Os extremos climáticos estão desafiando séries históricas de várias décadas tanto em temperatura do ar como precipitação, ventos, períodos de seca, umidade do ar e outras dezenas de aspectos. Perguntas como onde, quando e que variedade plantar de café ou milho ou qual o nível sustentável de captação de água de um reservatório estão cada vez mais difíceis de responder com base nestas séries históricas estacionárias. Os cenários apresentados pelo RAN 1 e o IPCC mostram que precisamos considerar séries não estacionárias mesmo levando em conta todas as suas incertezas.

Os engenheiros, economistas, biólogos e toda sorte de profissionais têm que passar a considerar – de forma sistemática – os cenários de mudanças climáticas no processo de planejamento, implementação, manutenção e restauro de infraestrutura, serviços e sistemas produtivos no Brasil.

A leitura atenta destes relatórios e o aprofundamento do conhecimento das várias áreas apontadas pelos pesquisadores como impacto das mudanças do regime de chuvas sobre produção de energia e oferta de água para agricultura e para o consumo humano é condição fundamental para reduzir a vulnerabilidade e ampliar a resiliência do Brasil frente às mudanças do clima.

Abaixo, as capas dos três volumes do Primeiro Relatório (RAN1) do Painel Brasil Brasileiro de Mudanças Climáticas, em três volumes. Clique nas imagens para ler cada um.

livro1

livro2 livro3

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fotos: Juanedc/Creative Commons/Flickr; Luiz Gustavo Leme/Creative Commons/Flickr; Blue Square Thing/Creative Commons/Flickr
Imagens das capas: divulgação

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Comentários

29/01/2015 às 14:08 Rafaela Donato - diz:

O que adianta mobilizar tantas pessoas para produzir tal relatório se ele provavelmente esta pegando poeira na estante de quem deveria considerá-lo, em um país sem política, sem governo, sem alguém que lidere, que a meu ver é o caso do Brasil, quem irá por em prática medidas que minimizem , combatam e retardem ao menos tais efeitos. Esse governo asqueroso que temos só visa lucro , e o que for de contra este cenário não é sequer considerado por eles. Eu tenho vergonha deste país tão lindo neste estado deplorável.

29/01/2015 às 19:17 Cristina Cunha - diz:

Penso que não só as pessoas citadas devem ser informadas e conscientizadas mas, toda a população. É de essencial importância que toda a sociedade seja conscientizada das transformações, de suas causas e de como enfrentar o problema. É preciso chamá-los à conscientização e mudança de hábitos de forma firme, convocando-os à responsabilidade. Para tanto, as pessoas envolvidas na competência de traçar diretrizes devem exercer o seu papel.

29/01/2015 às 19:43 Petrus Alcantara Jr. - diz:

Por séries não estacionárias entendo que os dados apresentam perfis caóticos (não lineares) que, em princípio, podem ser tratados com certo grau de determinismo. Seria isso?

29/01/2015 às 21:07 Claudio Marques de Oliveira - diz:

Prezado Tasso,
Realmente uma leitura obrigatória para todos!
Grato,
Claudio Marques de Oliveira
UFRJ-PEA

29/01/2015 às 22:35 ana lucia de mello Rivello - diz:

Como conseguir cópia destes relatórios ? Grata.

30/01/2015 às 15:34 Ines - diz:

Obrigada por disponibilizar os volumes! Não faço parte de nenhuma das áreas que você mencionou, mas estou sempre me atualizando sobre essas questões e tantas outras que nos fazem repensar o futuro do planeta.
Abs.
Inês

01/02/2015 às 11:48 Ana Cristina Costa Colares Guadagnoli - diz:

Acompanho há tempos matérias referentes ao aquecimento global e suas consequências que já são notórias em nosso cotidiano. É preciso chamar a atenção do governo federal em relação a destruição da floresta Amazônica entre outras do Brasil. O sudeste está virando deserto e a temperatura está subido muito mais rápido que as previsões indicavam. Temos que mobilizar a população através da internet p um abertura de consciência. A mídia só dá importância a matérias sensacionalistas, o governo não faz absolutamente nada, ou seja, precisamos de algum modo pensar no futuro das nossas crianças que certamente sofrerão com a destruição desenfreada do Planeta Terra.

lamento nossa triste realidade, Cristina Collares

01/02/2015 às 13:41 Solange - diz:

Olá!

Essa questão de aquecimento global sempre existiu e a escassez de água não é de hoje, antes da copa ou das eleições para presidente.
Infelizmente as pessoas envolvida fizeram vistas grossas ao longo dos anos por achar que nós éramos um berço neo eterno de nascente de água para esse problema sério; e a população infelizmente também precisa de tratamento de choque para entender a gravidade da situação do país.
Do que adianta as pesquisa se não foram colocadas em prática?
Certo é que se falta água, faltará energia, e se faltar ambos; faltará TUDO.

02/02/2015 às 09:57 AIRES UMBERTO - diz:

gostaria de adquiri esses livos.

04/02/2015 às 19:25 Marcos Nicol Giusti - diz:

Ótimas publicações, de um trabalho muito sério, interdisciplinar, coordenado pelo Prof. Nobre. Os resultados são preocupantes!! Diminuição da pluviosidade, aumento das temperaturas, entre outros.
Uma leitura obrigatória!!
Agradeço ao Planeta Sustentável por me deixar sempre atualizado e bem informado!!
Abraço!

10/03/2015 às 16:41 Benedito Ferreira Lima - diz:

Excelente! Coerente com as publicações do IPCC, o Brasil parece acordar para a necesidade de aprofundar os estudos no campo das Mudanças Climáticas. Há uma oportunidade histórica única, me parece, quando vários estudos procuram ” Reduzir as Vulnerabilidades e Reforçar a a Resiliência”, como faz o Relatório do Desenvolvimento Humano 2014 da ONU e o IPCC de 2013 ” Povos Resilientes – Planeta Resiliente – Um Futuro Digno de Escolha.” E digo mais, há sim um aumento da consciência mundial quanto à necessidade dessa mudança. Sou daqueles que creem no progressivo despertar da consciência crítica, principalmente apoiada em publicações sérias, como as citadas, que aprofundam a discussão e podem formar consensos importantes para a mudanças de atitudes.

Benedito F. Lima
Oficial de Logística da Força Aérea Brasileira

FAB

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A Mudança Climática é uma das mais importantes discussões de nosso tempo. Como esse assunto influencia a vida das pessoas, das empresas e dos países? O que a pegada de carbono tem a ver com a Nova Economia? Como isso altera o meio ambiente, a produção de energia e a criação de empregos? O que a mudança climática tem a ver com o cotidiano de cada um de nós? O Blog do Clima vem para ajudar a entender melhor tudo isso e acompanhar o lançamento do 5º. Relatório do IPCC – Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas, da ONU, realizado entre 2013 e 2014. Este blog tem curadoria do engenheiro florestal TASSO AZEVEDO (foto), empreendedor socioambiental e consultor sobre florestas, clima e sustentabilidade, que também foi diretor geral do Serviço Florestal Brasileiro e um dos formuladores da Política Nacional de Mudanças Climáticas.

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