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Matéria-prima feita com cogumelo produz embalagens e objetos sustentáveis e biodegradáveis Suzana Camargo - 14/05/2015 às 11:53

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Se você separa o lixo reciclável na sua casa sabe bem do que estou falando. Diariamente nos descartamos de montanhas de resíduos. São embalagens e mais embalagens de todos os produtos que consumimos: caixa de sabão em pó, pote de iogurte, bandeja de carne e muito, muito mais. Apesar da grande maioria delas serem recicláveis, ainda estamos longe de ter um modelo ideal.

Buscando uma solução para este problema, uma empresa americana de design de produtos, a Ecovative, encontrou uma alternativa em meio à natureza: mais especificamente, em um fungo – o cogumelo. A ideia nasceu em 2007 com os estudantes de engenharia Eben Bayer e Gavin McIntyre.

Para fabricar a matéria-prima inovadora – segundo eles, o material cresce, não é fabricado, os engenheiros misturam subprodutos da agricultura (como sobras de feno e cascas de sementes) com micélio de cogumelo. Micélios são um conjunto microscópico de filamentos encontrados dentro de fungos, responsáveis pela sua sustentação e absorção de nutrientes.

Depois disso, há um processo como de fermentação, parecido com o que ocorre na massa de pão. Juntos, o micélio e o outro componente se tornam um material extremamente resistente, facilmente moldável e que pode ser utilizado na produção de embalagens, objetos de decoração e até material de construção.

materia-prima-feita-fungo-cogumelo-produz-embalagens-objetos-sustentaveis-biodegradaveis-luminariaLuminárias criadas com fungo de cogumelo

A principal diferença entre o material feito a partir do cogumelo é ser biodegradável, ou seja, após sua utilização, ele entra totalmente em decomposição em contato com o solo, ao contrário de outros materiais sintéticos e artificiais que demoram séculos para desaparecer no meio ambiente.

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Embalagem biodegradável entra em decomposição em contato com o solo

A criação dos jovens americanos já ganhou diversas premiações. Em 2008, recebeu 500 mil euros do PICNIC Green Challenge, um dos maiores prêmios internacionais de soluções para as mudanças climáticas. Durante o Fórum Econômico Mundial, em 2011, a empresa foi reconhecida como Tech Pioneer. Eben Bayer e Gavim McIntyer já participaram de dois TED Talk.

Agora em 2015, a equipe da Ecovative levou para casa o 2015 Design of the Year Award, organizado anualmente pelo Museu de Design de Londres. Vasos, luminárias e até pranchas de surfe já foram criadas com o material de cogumelo.

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Matéria-prima natural e sustentável

Veja no vídeo abaixo como é o processo de produção da matéria-prima com micélio:

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Fotos: divulgação Ecovative

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Máquina transforma plástico reciclado em filamento para impressora 3D Suzana Camargo - 07/05/2015 às 10:29

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Um dos principais avanços tecnológicos dos últimos tempos são as impressoras 3D. Em algumas áreas da ciência, como a medicina, a inovação tem servido para a fabricação de próteses, muitas delas caseiras e com custo bem mais barato.

Entre as maiores vantagens da nova tecnologia estão o ganho com tempo e economia de matéria-prima, utilizada para moldar os objetos. Impressoras 3D utilizam filamentos de plástico no lugar da “tinta”, usada nas máquinas tradicionais. Todavia, o preço dos filamentos é bastante caro e no final da impressão, há muita sobra de material.

Buscando uma maneira de tornar o processo mais sustentável, três estudantes de engenharia da Universidade de British Columbia, no Canadá, criaram a ProtoCycler, máquina que pode triturar qualquer tipo de resíduo plástico – garrafas PET, embalagens de comida, sacolas – e transformá-lo em filamento. O visual da engenhoca faz lembrar um daqueles forninhos de bancada para aquecer comida, que muitas famílias têm na cozinha.

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ProtoCycler, invenção de estudantes do Canadá, transforma
resíduos plásticos em filamentos

O nome da empresa criada por Dennon Oosterman, Alex Kay e David Joyce é ReDeTec* – Renewable Design Technology (Tecnologia do Design Renovável, em inglês). “Resíduos podem ser recuperados e transformados em tudo o que desejamos, sem precisarmos nos preocupar com a quantidade de dinheiro que vamos gastar ou o impacto ambiental que causaremos”, dizem os estudantes.

Para os jovens inventores, ao permitir que pessoas reaproveitem seus resíduos das impressoras 3D ou mesmo dêem vida nova a objetos de plástico, a tecnologia assume uma nova função – em vez de estimular o consumo, torna-se uma indústria impulsionada pela criação. “Queremos que toda tecnologia seja o mais sustentável possível”.

Oosterman, Kay e Joyce esperam que a ProtoCycler atraia o interesse de escolas, por exemplo, onde alunos poderão fazer testes e inúmeras tentativas de impressões reutilizando os mesmos filamentos plásticos inúmeras vezes. E sem  gerar resíduos para o meio ambiente.

No início do ano, a ReDeTec conseguiu US$ 100 mil para viabilizar a produção da máquina no site de crowdfunding Indiegogo. O preço da ProtoCycler ainda é um pouco alto. Está sendo vendida por US$ 699. Mas os jovens da universidade canadense garantem que o investimento vale a pena.

A máquina produz cerca de 3 metros de filamento por minuto e de qualquer cor desejada – basta colocar o plástico a ser reciclado do tom que o usuário deseja.

Confira a seguir as etapas do processo da produção dos filamentos recicláveis para a impressão em 3D:

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 Resíduos plásticos são triturados e transformados em filamento

maquina-transforma-plastico-reciclado-filamento-impressa-3D-puller-560A ProtoCycler produz até 10 metros de filamento por minuto

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O filamento na bobina ao final do processo, pronto para ser usado em novas impressões

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Custo mais baixo e menor impacto ambiental nas impressões 3D

 


*ReDeTec

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Fotos: divulgação

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Inovador brasileiro usa substância da casca da laranja para limpar solos contaminados Suzana Camargo - 27/03/2015 às 13:35

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Estima-se que todos os anos cerca de 80 milhões de toneladas de solo sejam contaminados por óleo. Só no Brasil, são 2,5 milhões de toneladas. As técnicas utilizadas atualmente para solucionar o problema têm mais de quarenta anos. Além de caras, muitas vezes geram impacto ambiental.

inovador-brasileiro-usa-substancia-casca-laranja-limpar-solos-contaminados-fernando-pecoraro-140Engenheiro químico, com experiência em meio ambiente, o paulistano Fernando Pecoraro descobriu na casca da laranja uma maneira sustentável e mais barata de descontaminar solos impregnados com óleo.

Para entender como esta tecnologia 100% brasileira funciona é preciso primeiro ter uma rápida aula de química. Vamos lá. Terpeno é um hidrocarboneto líquido (traduzindo:  um composto orgânico formado de carbono e hidrogênio), base de grande quantidade de essências vegetais, obtido pela destilação de plantas.

A casca da laranja é rica em óleo essencial D-Limoneno, um terpeno comum. Depois de seis anos de pesquisa, Pecoraro conseguiu potencializar a ação do composto para uso como desengraxante natural e criou o terpeno P.

A tecnologia para recuperação de solos contaminados recebeu o nome de Recoy – RE de recuperação, ECO de ecológico e Y de água, em tupi guarani. “O nosso objetivo sempre foi o de construir uma empresa sustentável. Para isto, tínhamos que nos basear em três pilares principais: escala, qualidade e preço competitivo”, contou Pecoraro ao Blog da Redação. “Para termos escala, buscamos o óleo da casca da laranja, já que o suco da fruta é produzido em larga escala e a cadeia da laranja é bem desenvolvida”.

O equipamento, que funciona dentro de um caminhão, lava o solo sem utilizar grandes quantidades de água, o que é comum nos processos tradicionais. A remoção do óleo a frio dispensa o uso de energia. Ao final do processo, o solo está limpo e pode ser devolvido ao seu lugar original. Não há descarte de resíduo contaminante, que é separado e pode até ser reutilizado. O solvente químico verde também pode ser usado novamente.

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Segundo o engenheiro, as novas linhas de pensamento em sustentabilidade falam de modelos circulares. Abandonar os processos lineares onde exploramos recursos, utilizamos os mesmos e descartamos tudo aquilo que foi transformado e não serve mais. “A tecnologia Recoy partiu do princípio de que dois grandes ativos – solo e óleo – não podem simplesmente perder seus valores reais quando misturados. Dois ativos que viram resíduo tóxico imediatamente após combinados. Desenvolvemos uma forma de devolvê-los ao formato original”, explica.

O terpeno P se mostrou eficiente na remoção de solos contaminados com hidrocarbonetos em geral. Podem ser de origem mineral, vegetal ou animal. Ou seja, qualquer tipo de contaminação com petróleo e derivados, óleos vegetais e gorduras animais.

Em janeiro deste ano, a inovação do brasileiro foi premiada pelo programa americano Launch*, que tem como logo “Collective Genius for a Better World” (Gênios Reunidos por um Mundo Melhor, em tradução livre). O programa é uma parceria entre o Departamento de Estado dos Estados Unidos, Nasa, Nike e Agência Para o Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos. O objetivo da iniciativa conjunta é identificar e acelerar inovações que possam melhorar o planeta. Exatamente como a nova tecnologia desenvolvida no Brasil.

Fernando Pecoraro recebeu o prêmio de melhor desafio nos avanços na área da química verde. Foi selecionado entre 60 concorrentes de 12 países. Em palestra no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, no começo do ano, apresentou sua descoberta e discutiu com membros do Conselho Launch estratégias para tornar a tecnologia global.

“Foi uma honra ter sido selecionado pelo Launch e ainda ter recebido o Innovator’s Award. É como encerrar a fase de desenvolvimento tecnológico inovador com chave de ouro”, diz.

Assista abaixo animação que mostra o processo de produção do terpeno P e no outro vídeo como funciona a limpeza do solo dentro do caminhão:



*Launch

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Imagem: postbear eater of worlds/creative commons

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