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‘Tem mais gente lendo’ incentiva leitura em espaços públicos e só cresce Vanessa Daraya - 28/04/2015 às 09:00

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“Brasileiro não gosta de ler”. É provável que você já tenha escutado essa frase por aí. Mas ela está bem longe de ser verdade. O projeto Tem Mais Gente Lendo* (TMGL, como é chamado pelos idealizadores) prova que brasileiro gosta, sim, de ler. E muito! Criado pelos jornalistas Sérgio Miguez e Hamilton dos Santos, o movimento fotografa e divulga nas redes sociais pessoas enquanto leem em espaços públicos. Afinal, tem coisa mais bonita de se ver do que alguém apreciando um bom livro?

Tudo começou há cerca de dois anos, quando Sérgio passou a publicar em sua página do Facebook imagens de pessoas lendo no metrô com a hashtag #temmaisgentelendo. Não demorou muito para que Hamilton, seu amigo, também notasse o fenômeno. “As pessoas deveriam estar no smartphone, no tablet… Uma das coisas que passou pela minha cabeça foi: isso é incompatível com o que dizem as pesquisas. De fato, há uma diminuição na compra de livros. Mas isso não significa que as pessoas não estejam lendo”, me contou Hamilton. “Pode ser que as pessoas comprem menos, mas leiam mais. Isso não é contraditório. Elas podem pegar livros emprestado ou ler aqueles que compraram há muito tempo e estavam naquela velha pilha”.

Hamilton, então, também aderiu ao movimento de Sérgio e começou a postar registros de pessoas lendo, em seu Facebook. As publicações dos dois amigos repercutiram tão bem que resolveram criar uma página na rede social para centralizar o conteúdo em um único local. “Assumimos que era um projeto de incentivo à leitura nos espaços públicos. Não por meio de discursos edificantes, mas por meio da tecnologia, da difusão da imagem e das redes sociais. Ao mesmo tempo em que valorizamos o gesto da leitura a partir de fotos bonitas, também valorizamos o espaço público”, explica o jornalista.

Aos poucos, o projeto saiu do metrô e ganhou outros lugares, como ônibus, parques e até praias. Já são mais de 900 fotos publicadas, com cliques de gente lendo os mais diversos tipos de livros, que vão desde George R. R. Martin, Edmund Wilson e Madame Bovary à Bíblia e Zíbia Gasparetto. “Esse é o maior charme do projeto: a gente só registra o movimento do leitor. O gosto do leitor. Não o nosso”, conta.

E se alguém não curtir aparecer na página do TMGL, não tem problema! Apesar de a maioria dos registros não mostrar o rosto para preservar o direito de imagem das pessoas, basta pedir para tirar a foto do ar que a equipe se encarrega disso.

Na internet, o movimento extrapolou as fronteiras do Facebook e das imagens. Hoje, há o blog do TMGL*, que reúne conteúdos relacionados ao mundo dos livros a partir do gosto e da perspectiva do leitor. Um dos exemplos é a lista com objetos que ajudam a ler com mais conforto. Há também rankings dos livros mais lidos no metrô de São Paulo. “Fazemos uma cobertura que não tem pressupostos. Ela é popular. Para onde o leitor aponta a gente vai. Estamos tentando organizar esse conteúdo de alguma forma, com vários formatos e meios, entre eles vídeos”. Veja, abaixo, uma produção com algumas inspirações que deram vida ao projeto:

A equipe também cresceu. Apesar de não ter ninguém dedicado exclusivamente ao TMGL, hoje, além de Sérgio e Hamilton, fazem parte do projeto outros profissionais, também amantes de livros. O administrador Alexandre Campos, o designer gráfico Peu Ishio, e os jornalistas Carol Argamim Gouvêa e André Azevedo fazem parte do grupo.

Tudo isso sem falar dos incontáveis colaboradores virtuais. “Temos recebido muitas mensagens. As pessoas enviam fotos de todo o Brasil. Ainda não conseguimos publicar tudo que chega, mas divulgamos na medida do possível. Criamos uma rede e achamos que ela será ampliada”, afirmou.

Vale lembrar que o TMGL é talvez o mais recente projeto de incentivo à leitura. Existem outros como já contamos aqui no Planeta Sustentável sobre o Leitura no Vagão (parceiro do TMGL), que distribui livros nos bancos dos metrôs de São Paulo. E também o Underground New York Public Library*, da fotógrafa Ourit Ben-Haim, que registra leitores no transporte público de Nova York, nos Estados Unidos.

No blog do TMGL, Hamilton publicou uma entrevista com o fotógrafo holandês Reinier Gerritsen, viciado em clicar gente devorando livros no metrô de Nova York e autor da série The Last Book*, em que reúne esses retratos. E essas são apenas algumas provas de que, sim, tem mais gente lendo no Brasil e no mundo. E sempre terá!

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*Tem Mais Gente Lendo
*Blog do TMGL
*Underground New York Public Library 
*The Last Book

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Primeira Foto: Divulgação/TMGL/Bruna Goldberger Teixeira Coelho
Segunda fotoDivulgação/TMGL

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Reality show leva blogueiros de moda para trabalhar em fábrica de roupas no Camboja Suzana Camargo - 28/01/2015 às 10:45

reality-show-leva-blogueiros-moda-trabalhar-fabricas-camboja-abre-560Diversas denúncias já mancharam os bastidores do mundo fashion: trabalho análogo à escravidão, condições insalúbres, pagamentos miseráveis e até pedido de socorro enviado através da etiqueta da roupa. Em 2013, o mundo ficou chocado ao ver nas manchetes dos jornais que quase mil pessoas tinham morrido no desabamento de um prédio em Bangladesh. A grande maioria delas confeccionava peças para redes de lojas internacionais.

Aqui no Brasil, há vários escândalos também com marcas de moda bastante conhecidas, que lamentavelmente, ainda fazem uso de trabalho mal-remunerado e que desprezam garantias fundamentais aos direitos humanos de funcionários.

Para trazer esta realidade chocante para ainda mais perto das pessoas, um reality show da Noruega decidiu levar três jovens blogueiros de moda para passar um mês no Camboja em 2014. Não só eles dormiram em casas de famílias locais, mas também trabalharam em fábricas têxteis.

Sweatshop, Deadly Fashion, produzido pelo principal jornal norueguês, o Aftenposten, foi considerado um experimento social. O título “sweatshop” se refere a como são chamados os lugares onde as pessoas destes países trabalham: ambientes minúsculos, sem janelas e ventilação, por isso sweat, suor em inglês.

Nos primeiros episódios, Anniken Jørgensen (na foto que abre este post), Frida Ottesen e Ludvig Hambro encaram a aventura como uma viagem turística à capital Phnom Penh. Mas logo, logo eles se depararam com a terrível vida de milhares de trabalhadores de países pobres que fabricam as roupas que vemos nas vitrines e eles noticiavam em seus blogs.

reality-show-leva-blogueiros-moda-trabalhar-fabricas-camboja-casa-560A série mostra, por exemplo, como o preço de uma peça bem simples pode ser o mesmo pago para o aluguel da casa de uma jovem cambojana da mesma idade dos blogueiros. Sokty, de 17 anos, recebe, em média, 3 dólares por dia de trabalho.

Em entrevista ao canal de notícias G1, após sua volta à Noruega, Anniken afirmou que demorou a se recuperar da experiência. Disse ainda que agora compra roupas raramente e seu blog fala mais sobre estilo de vida. Todavia, ela acredita que o principal problema não é “comprar”, mas as péssimas condições de trabalho a que as pessoas são submetidas. Os episódios do programa estão disponíveis no site do Aftenpost, com legenda em inglês.

O trailer do reality show, originalmente em norueguês, mas divulgado recentemente com legendas em inglês, viralizou na internet. Revela o que muitos de nós não enxergamos – ou fingimos que não, principalmente os amantes da moda. Por isso, o ideal é saber a procedência das roupas que você compra e não levar para casa peças de marcas envolvidas em denúncias.

Também já divulgamos aqui no Blog da Redação, do Planeta Sustentável, ferramentas com as quais se pode checar se há trabalho forçado na fabricação de produtos. Para isso, é só acessar a página do Slavery Footprint e responder um questionário online, que analisa as condições em que se é fabricado tudo aquilo que temos no guarda-roupa e nos armários de casa.

Há ainda o aplicativo Moda Livredisponível para os sistemas operacionais iOS e Android. Gratuito, mostra como as principais marcas de roupas lidam com as questões do trabalho escravo no Brasil e em suas cadeias de produção

Confira abaixo o vídeo com o trailer do reality show norueguês que está bombando nas redes sociais:


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Fotos: reprodução

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10 notícias que ‘bombaram’ nas redes sociais do Planeta Sustentável em 2014 Vanessa Daraya - 18/12/2014 às 17:56

Fim de ano é sempre um ótimo momento para rever escolhas e ações e comemorar os bons resultados. Por isso, aqui no Planeta Sustentável, sempre listamos as notícias que mais causaram impacto – foram compartilhadas, favoritadas e comentadas – entre nossos leitores nas redes sociais: Facebook, Twitter e Google+. Escolhemos 10 notícias inspiradoras para celebrar com você o fim de 2014 e o novo ano, sempre com a ideia de que, com mais informação e conhecimento, podemos transformar o mundo construir um futuro melhor e mais justo para todos.

1. VIN DIESEL LANÇA DESAFIO: PLANTE UMA ÁRVORE PARA GROOT
Um dos maiores virais nas redes sociais em 2014 foi o desafio do balde de gelo, cujo objetivo era arrecadar fundos para ONG dedicada à pesquisa sobre a esclerose lateral amiotrófica. Mas não foi essa mobilização que fez sucesso nas redes do Planeta. Inspirado por ela, James Gunn, diretor do filme “Guardiões da Galáxia“, desafiou o ator Vin Diesel que aceitou, mas de um jeito diferente: lançou outra campanha – Plante uma Árvore para Groot – em homenagem ao personagem da história que é dublado por ele no cinema. James adorou a ideia e aderiu. Nossos leitores, nas redes, também. Quem topou participar do desafio plantou uma árvore e publicou uma foto pelo Instagram ou pelo Twitter com a hashtag #PlantATreeForGroot. Nossos leitores curtiram muito.

2. PRIMEIRO PARQUE PARA CRIANÇAS DEFICIENTES DE SÃO PAULO É INAUGURADO
O primeiro parque acessível de São Paulo foi uma novidade maravilhosa de 2014. A ideia veio de Rudi Fischer, executivo do setor financeiro. Após perder a filha de três anos em um acidente de carro, ele fundou o primeiro parque para crianças deficientes na cidade. A inspiração veio durante uma viagem a Israel, onde conheceu um escorregador adaptado para crianças com deficiência (com rampa em vez de escada).

O parquinho acessível foi financiado por Fischer e inaugurado em 25 de janeiro em uma unidade da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), no Parque da Mooca, na Zona Leste. A ação será levada adiante com inauguração de mais espaços semelhantes em São Paulo e outras cidades, como Recife e Porto Alegre.

3. SAUDITA INSTALA GELADEIRA NA RUA PARA INCENTIVAR DOAÇÃO DE ALIMENTOS
Um terço de toda comida produzida no mundo vai para o lixo. Pensando nisso, um morador da cidade de Ha’il, na Arábia Saudita, encontrou uma solução simples para ajudar a reduzir a fome e o desperdício de alimentos: instalou uma geladeira em frente a casa onde mora e convidou vizinhos a doarem a comida excedente de suas refeições.

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4. CONCURSO DA ONU ABRE VAGAS PARA JOVENS PROFISSIONAIS
Escolher uma boa profissão e trabalhar em um lugar bacana é o sonho de boa parte do mundo. Por isso, sempre que a ONU abre inscrições para seleção de funcionários públicos internacionais em seu portal de carreiras, a notícia explode na internet. Foi o que aconteceu este ano, também entre os leitores do Planeta Sustentável, com a divulgação do Programa Jovens Profissionais, que busca candidatos qualificados para atuar em diversas áreas das Nações Unidas, anualmente: Economia, Direitos Humanos, Tecnologia da Informação, Fotografia, Assuntos Políticos e Produção de Rádio.

5. KENNY, PRIMEIRO TIGRE BRANCO COM SÍNDROME DE DOWN
Kenny chamou a atenção da mídia – e dos leitores do Planeta Sustentável – em 2014 por sua deficiência. Ele nasceu da experiência que forçou o cruzamento entre dois tigres brancos irmãos, com deformidades no rosto, má formação bucal e possíveis deficiências mentais (que não foram confirmadas na época em que a notícia se espalhou). Kenny morreu de câncer em 2008, com 10 anos de idade, na reserva Turpentine Creek, para onde foi levado após ser rejeitado pelo criadouro.

6. OS 20 PROFISSIONAIS MAIS BEM PAGOS NA ÁREA AMBIENTAL
Uma pesquisa feita pelo site de empregos Catho trouxe uma boa notícia para profissionais brasileiros ligados à área ambiental. Os salários dos profissionais brasileiros aumentaram nos últimos anos. A média no setor era de R$ 4.627,54 em 2012 e subiu para R$ 4.988,29 em 2014. Sem dúvida, a valorização dessas profissões é também resultado do aumento da consciência ambiental no mundo empresarial.

7. BOLIVIANA CONSTRÓI CASAS DE GARRAFAS PET PARA FAMÍLIAS CARENTES EM 20 DIAS
O desejo da boliviana Ingrid Vaca Diez era construir casas com garrafas pet para famílias em situação de extrema pobreza. Assim, criou a Casas de Botellas, no ano 2000, e construiu mais de 300 casas – feitas de garrafas recicláveis e cimento sustentável (barro, açúcar, mingau e linhaça) –, não só em seu país, como também na Argentina, México, Panamá e Uruguai.

Segundo ela, com 82 garrafas PET de 2 litros por metro quadrado e a ajuda de 10 voluntários, é possível construir uma casa em 20 dias.

8. COMO SERÁ A PRIMEIRA CIDADE 100% SUSTENTÁVEL NO PLANETA
Parece sonho, mas a primeira cidade 100% sustentável do planeta – que noticiamos (pela primeira vez) em 2008  - já começou a ser construída e vai virar realidade até 2030. Masdar (fonte, em árabe) está sendo construída em um deserto nos Emirados Árabes Unidos, a 30 km da capital, Abu Dhabi.

Nossos leitores ficaram interessadíssimos por esta cidade do futuro que terá 6 km2, abrigará 40 mil pessoas e apenas empresas não poluidoras. Masdar será abastecida apenas por energias renováveis, reutilizará o lixo que produz, terá transporte público movido a eletricidade e neutralizará todas as emissões de gás carbônico. O custo do projeto é de US$ 22 bilhões.

9. 7 HÁBITOS DE PESSOAS QUE TÊM CONSIDERAÇÃO PELOS OUTROS
Abdulla M. Abdulhalim, candidato a PhD em pesquisas dos serviços de saúde farmacêuticos na Universidade de Maryland, estudou – ao lado de outros seis estudantes – sobre a consideração especial que algumas pessoas têm pelas outras e por qual motivo isso é importante.

De acordo com o estudo, agir com consideração costuma ser um ato inconsciente, não intencional. Mas conhecer os hábitos das pessoas que agem assim pode nos ajudar a criar esse hábito e torná-lo parte do dia a dia com o mundo que nos cerca. Trata-se de algo tão importante para os leitores do Planeta Sustentável que a notícia está entre as mais lidas nas redes sociais.

10. MULHER COMPRA VESTIDO E ACHA DENÚNCIA DE TRABALHO ESCRAVO NA ETIQUETA 
Ao comprar um simples vestido de verão na loja de varejo Primark, a jovem inglesa Rebecca Gallagher se viu “envolvida” em um caso de trabalho escravo que se tornou bem conhecido. A etiqueta da peça trazia um pedido de socorro escrito à mão: “Somos forçados a trabalhar por horas exaustivas”.

Depois de procurar a confecção, sem retorno, ela divulgou a notícia na imprensa, que se espalhou pelo mundo e nas redes sociais do Planeta também. Mais uma oportunidade para disseminar um dos temas mais complicados de nossa sociedade: a exploração de adultos e crianças. Ao comprar produtos baratos demais, é importante refletir sobre sua origem porque, geralmente, há pessoas que não têm seus direitos respeitados envolvidas em sua fabricação.

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A redação do PLANETA SUSTENTÁVEL é um encontro de pessoas envolvidas com um grande desafio: trabalhar a sustentabilidade como um tema urgente, transversal e inspirador, tradutível em múltiplas linguagens e necessário para os diversos públicos. Aqui, a editora Mônica Nunes, as repórteres Marina Maciel Vanessa Daraya e a jornalista Suzana Camargo (que colabora com o Planeta desde 2009) indicam lugares imperdíveis da web e contam novidades e boas histórias sobre cultura, sociedade, meio ambiente, cidadania, mudanças climáticas, mobilidade, inovação, direitos humanos, economia verde e muito mais.

Mônica NunesEditora/Gerente de Conteúdo

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