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11 fatos marcantes da sustentabilidade em 2014 Marina Maciel - 19/12/2014 às 19:05

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Antes que o ano acabe, o Planeta Sustentável preparou esta lista para você relembrar alguns momentos marcantes da sustentabilidade em 2014. Mas já avisamos: não temos só notícias boas e dá para aprender lições valiosas com cada uma delas. Preparado?

*Participaram Caco de Paula e Mônica Nunes.

1) CRÍSE HÍDRICA NO SUDESTE
São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais vão disputar de maneira feroz o “ouro do século 21″: a água. É o que afirma a ambientalista Malu Ribeiro, coordenadora da ONG S.O.S. Mata Atlântica.

Desde o começo do ano, os paulistas têm sentido na torneira – bem pior do que no bolso, concorda? – os efeitos da atual política de gestão dos recursos hídricos. O estado de São Paulo enfrenta uma das piores secas de sua história. Tão violenta, que praticamente esgotou o volume de água das represas que abastecem as cidades do estado.

Pior: a seca não tem perspectiva de melhora em 2015, por conta do desenvolvimento do fenômeno El Niño. O aquecimento das águas do Oceano Pacífico formará nuvens que se arrastarão para a direção oeste. Mas não para a América do Sul…

A situação é tão preocupante que 15 importantes cientistas brasileiros – entre eles, o climatologista Carlos Nobre e o pesquisador do INPE José Marengo – lançaram carta aberta que faz análise minuciosa da grave crise hídrica que atinge a região Sudeste.

Quer saber mais? Acompanhe o blog Planeta Água e fique por dentro do assunto!

2) O PIOR SURTO DE EBOLA DA HISTÓRIA
Só em 2014, o vírus Ebola matou 6.856 pessoas, segundo dado divulgado em 13/12 pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar de a maior parte das vítimas ser da África Ocidental (especialmente da Libéria, e dos fronteiriços Serra Leoa e Guiné, onde existem apenas 10 médicos para cada 100 mil habitantes), a epidemia preocupa o mundo todo. No total, mais de 18 mil casos do vírus foram confirmados. Até o Brasil teve casos suspeitos.

Para conter a epidemia, profissionais de saúde de todo o mundo foram enviados para as regiões mais prejudicadas. Graças à falta de infraestrutura adequada, o trabalho é perigoso. 639 casos de infecção foram registrados, com 349 vítimas fatais. A revista Time fez uma bela homenagem a estes corajosos ao eleger equipes de combate ao ebola como personalidades de 2014.

O surto também sensibilizou famosos e artistas. Dois DJs da Libéria lançaram uma música (com direito a coreografia), cantores – entre eles Bob Geldof, Bono Vox, One Direction, Sinead O’Connor e Chris Martin (assista ao vídeo, abaixo) – e craques do futebol também se uniram em prol da causa.

Descoberto em 1976, o vírus normalmente mata 500 pessoas na África Subsaariana a cada ano. A epidemia de 2014 é considerada a mais mortal desde a descoberta do Ebola.

3) A CIDADE DE SÃO PAULO E A MOBILIDADE URBANA
Nem um ano depois dos protestos por conta do aumento da tarifa de ônibus em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad arregaçou as mangas para encarar de frente este assunto tão urgente de São Paulo: a (i)mobilidade urbana.

Em pouco tempo, a cidade ganhou faixas exclusivas de ônibus e ciclovias nas principais avenidas. Claro que a medida foi polêmica, já que reduziu espaço que antes era usado por automóveis para estacionamento ou trânsito. Para o famoso ciclista e empresário norte-americano Gary Fisher, que andou pela cidade em outubro, “a mudança está chegando em São Paulo”. E ela é muito boa!

4) CO2 E OUTROS GASES NOCIVOS À ATMOSFERA
Depois de milhões de anos, a humanidade bateu recorde perigoso em abril: a concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera passou o nível de 400 partes por milhão (ppm) durante todo o mês. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), para limitar o aumento da temperatura do planeta entre 2 e 2,4ºC, os níveis de CO2 na atmosfera não podem exceder 400 ppm.

Os alimentos já começaram a sofrer os efeitos da mudança do clima, revelou estudo da Nature, publicado em junho. Trigo e arroz, por exemplo, poderão ter menos nutrientes em 2050 por conta das altas concentrações de CO2 na atmosfera.

Além disso, mais um fato preocupante: cientistas descobriram sete novos gases emitidos por humanos nocivos à camada de ozônio. Quatro deles foram detectados em março e outros três em junho.

5) LANÇAMENTO DO 5º RELATÓRIO DO IPCC
O clima foi o assunto do ano, especialmente por conta dos aguardados lançamentos do IPCC:  as três últimas partes do 5º Relatório de Avaliação sobre Mudanças Climáticas (AR5). As publicações foram tão significativas que 600 mil pessoas, de 161 países (inclusive do Brasil!), foram às ruas pedir ações efetivas e mais compromisso dos governos no dia 21 de setembro, marco que ficou conhecido como Marcha pelo Clima.

Além disso, 2014 está prestes a se tornar o ano mais quente de que se tem registro, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM). O calor recorde tem relação com as altas temperaturas nos oceanos, e vem se mostrando um problema desde janeiro: tanto que os 10 primeiros meses do ano foram os mais quentes já registrados desde que começaram as medições, em 1880.

Hoje, cidadãos do mundo todo conhecem não só as causas do aquecimento global, mas também sua origem, graças aos relatórios, resultado do trabalho de milhares de cientistas. São eles:
- Impactos, Adaptação e Vulnerabilidades, que apresenta conclusão importante (e preocupante): nenhuma pessoa estará livre dos impactos do aquecimento global nos próximos anos;
- Mitigação das Mudanças Climáticas, que destaca a necessidade de mudança de comportamento e de padrões de consumo para fazermos cortes de emissões profundos, e
- Relatório Síntese, que reúne, alinha e, claro, resume as informações das três partes do relatório já publicadas entre 2013 e 2014.

O AR5 veio em um momento crítico da ação internacional de combate às mudanças climáticas e servirá de base para a elaboração de um acordo global na COP21, em Paris, em 2015.

6) CHINA E EUA SE UNEM PARA REDUZIR EMISSÕES
Mas não fique desesperançoso. Existe luz no fim do túnel. Como diz o próprio IPCC, o aumento de temperatura é irreversível, sim – mas podemos reduzir os efeitos catastróficos da mudança do clima com a mitigação das emissões de gases de efeito estufa.

Em novembro, o mundo se surpreendeu (e comemorou) com o anúncio de um tratado entre China e Estados Unidos, já que os dois países são os maiores emissores de carbono do mundo, para redução drástica de emissões até 2030. Para o presidente norte-americano Barack Obama, o acordo é um “grande marco” histórico.

7) MALALA: DA TRAGÉDIA AO PRÊMIO NOBEL DA PAZ
A história da menina paquistanesa Malala Yousafzai inspira pessoas de todo o mundo. Aos 15 anos, em 2012, , acusada por talibãs paquistaneses de “prejudicar o islã” por frequentar a escola, ela levou um tiro na cabeça. Em vez de amedrontá-la, o atentado só a fez insistir ainda mais na causa. “A educação é o caminho para acabar com o terrorismo”, acredita.

Não foi à toa que ela se tornou símbolo na luta pelo direito universal à educação e pelos direitos das mulheres. Agora, Malala ganhou outro reconhecimento: é a pessoa mais jovem a ganhar o Prêmio Nobel da Paz. Demais essa menina, não?

8) AS LIÇÕES DA SECA NA CALIFÓRNIA
O estado mais rico dos EUA, está no seu quarto ano consecutivo de seca e tem registrado queda significativa dos níveis de chuva. Pior: cientistas temem que a situação perdure até o fim do século.

A escassez é tão preocupante que o governo da Califórnia tomou medidas drásticas para evitar o desperdício de água: passou a multar em 500 dólares quem for pego lavando calçadas, regando jardins ou lavando carros.

Por conta da multa salgada, alguns californianos adotaram uma medida no mínimo curiosa para manter a grama sempre lustrosa: pintá-la de verde. Este ano, pipocaram no estado empresas especializadas na pintura de gramados.

Deixando o bizarro de lado, a Califórnia tem, pelo menos, 10 boas iniciativas que podem servir de exemplo para o Brasil também:
1- multar quem desperdiça água;
2- multar casas com vazamentos;
3- criar cursos obrigatórios para quem gasta demais;
4- priorizar o consumo humano;
5- premiar quem troca o gramado por plantas que exigem menos água;
6- distribuir hidrômetros gratuitamente;
7- reaproveitar água do ralo;
8- tratar esgoto e usá-lo para abastecer os lençóis freáticos;
9- tirar o sal da água do mar, e
10- evitar vazamentos nas tubulações subterrâneas.

9) POLÍTICA NACIONAL DOS RESÍDUOS SÓLIDOS: #FAIL
O Brasil já ocupa o 5º lugar entre os maiores produtores de lixo do mundo, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). Em 2013, cada brasileiro gerou 1kg de resíduos por dia. Só que apenas 3% do nosso lixo é reciclado.

A situação ficou ainda mais feia agora, já que passou o prazo estipulado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em vigor desde 2010, para o fim dos lixões a céu aberto. Além de contaminar o meio ambiente, o descarte irregular de resíduos coloca a saúde da população em risco.

A lei é clara: os lixões deveriam ser fechados até 8 de agosto e os resíduos sem possibilidade de reciclagem deveriam ser encaminhados a aterros sanitários. Mas a data passou e o descarte ilegal continua… Estagnamos nos lixões?

10) A AMEAÇA DA 6ª EXTINÇÃO DE ESPÉCIES
Uma série de estudos publicados em julho trouxe um alerta: a biodiversidade corre perigo. Segundo um dos autores da pesquisa, Clinton Jenkins, hoje, a extinção de espécies no mundo, provocada pelo homem, é mil vezes maior que a taxa natural.

Esta onda crescente de “sumiço” de espécies está sendo chamada de defaunação. Diferentemente do desmatamento, que pode ser medido por satélites, o declínio de espécies de animais pode passar despercebido por órgãos de proteção ambiental.

Em agosto, um dos biólogos mais importantes do mundo surpreendeu ao propor estratégia de conservação audaciosa. Segundo Dr. Edward Osborne Wilson, influente cientista de 85 anos da Universidade de Harvard, para prevenir a sexta extinção em massa de espécies, precisamos destinar metade do planeta exclusivamente para a proteção dos animais. Ele acredita que estamos enfrentando um “holocausto biológico”, causado pelos seres humanos. O que acha da ideia?

11) 2014: O ANO DA SELFIE (DO PLANETA TERRA)
Como você sabe, este foi o ano de pegar o celular, esticar o braço e tirar um retrato de si mesmo. Nem a Terra não ficou de fora da famigerada selfie! Explicamos.

Para comemorar o Dia da Terra, em 22 de abril, a Nasa convidou todas as pessoas do planeta a fazer uma selfie em uma paisagem legal. Depois, todas as fotos enviadas pelas redes sociais foram reunidas para compor uma “selfie global”.

Diz aí, o mosaico bonitão da foto abaixo não inspira a gente a cuidar melhor do planeta? Que venha 2015!

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Fotos: Michael Mazengarb/Creative Commons/Flickr, Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de Vargem, Global Panorama/Creative Commons/Flickr, Victor Moriyama, Divulgação/NASA, Sivanesan S/Creative Commons/Flickr, U.S. Department of Agriculture/Creative Commons, © European Union 2013 – European Parliament, Juliana Beletsis/Creative Commons/Flickr, Marcello Casal Jr./Agência Brasil, jacki-dee/Creative Commons/Flickr; NASA

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Engajamundo quer levar jovens brasileiros para COP do clima em Lima e você pode ajudar! Suzana Camargo - 10/11/2014 às 11:54

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Mudanças climáticas é um assunto que interessa a todos. Com o aquecimento da temperatura do planeta, todos nós seremos impactados. E não estamos falando de futuro. Já sentimos os efeitos do desequilíbrio ambiental pelos quatro cantos do mundo: secas históricas, enchentes, ondas de frio intenso. Estes fenômenos irão afetar diretamente a forma como vivemos e nos relacionamos com a natureza.

Preocupados em engajar a juventude brasileira nesta discussão, um grupo de jovens criou a organização Engajamundo*. Eles levam conhecimento e informação a todo país para que mais pessoas entendam e participem dos debates sobre o tema de maneira efetiva e inclusiva nas negociações internacionais.

O Engajamundo já participou de conferências das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas – as COPs – e discursou na ONU como representante dos jovens brasileiros. No ano passado, a ONG conseguiu levar quatro pessoas para participar do encontro realizado em Varsóvia, na Polônia.

Este ano, o Engajamundo quer ir além. Pretende fazer com que 10 jovens possam estar em Lima, no Peru, durante a realização da COP 20, no início de dezembro. Para que isso se torne possível, o grupo criou um financiamento coletivo para poder cobrir gastos com transporte, alimentação e acomodação durante a conferência.

Você pode apoiar este projeto no site do juntos.com.vc até 20/11. Ajude os jovens brasileiros a levar a voz do país para a discussão que realmente fará a diferença pelo nosso planeta.

*Engajamundo

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Foto: divulgação

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“Nature Is Speaking”: campanha com famosos de Hollywood dá voz à natureza Marina Maciel - 10/10/2014 às 09:30

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Harrison Ford, Julia Roberts, Robert Redford, Penelope Cruz, Kevin Spacey e Edward Norton estão irritados. Respectivamente, os atores dão voz ao oceano, à Mãe Natureza, à floresta de sequoias, à água, à floresta tropical e ao solo, em vídeos curtos, para passar uma mensagem muito simples: a natureza não precisa “ser salva” pelos seres humanos, mas as pessoas dependem da natureza.

Trata-se da nova campanha da ONG Conservation International (CI), Nature Is Speaking* (“A Natureza Está Falando”, em tradução livre do inglês), que reuniu atores – ligados ao movimento ambientalista, de alguma forma – para chamar a atenção das pessoas para a urgência de cuidar melhor do meio ambiente e garantir a própria sobrevivência.

Reproduzimos os seis vídeos abaixo, com tradução para o português. Se gostar, aceite o convite da CI e espalhe a campanha nas redes sociais, usando a hashtag #NatureIsSpeaking. Até o final do ano, serão lançados mais vídeos da série. O próximo será com Ian Somerhalderator e ativista que participou do movimento 24 Horas de Realidade, de Al Gore, este ano -, que interpretará recifes de corais.

MÃE NATUREZA – JULIA ROBERTS 

Alguns me chamam de Natureza. Outros me chamam de Mãe Natureza. Eu estou aqui há 4,5 bilhões de anos – 22,5 mil vezes mais tempo que vocês. Eu não preciso de pessoas, na verdade. Mas as pessoas precisam de mim. Sim, o seu futuro depende de mim. Quando eu floresço, vocês florescem. Quando eu vacilo, vocês vacilam – ou pior. Mas eu estou aqui há eras. Eu alimentei espécies maiores que vocês. Eu matei a fome de espécies maiores que vocês. Meus oceanos, meu solo, meus ribeiros, minhas florestas – todos eles podem levar vocês ou abandonar vocês. Como escolhem viver cada dia e se vocês me levam em consideração ou não, não me importa, na verdade. Suas ações determinarão o seu futuro. Não o meu.

No site da campanha, Julia Roberts, que declara sempre ter sido ambientalista, diz que sua vida mudou ao ter filhos. “Percebi que não estava fazendo o bastante para proteger o planeta”, contou.

OCEANO – HARRISON FORD 

Eu sou o Oceano. Eu sou água. Eu sou a maior parte deste planeta. Eu dei forma a ele. Cada córrego, cada nuvem e cada gota de chuva. Tudo volta para mim. De uma forma ou de outra, todas as coisas vivas aqui precisam de mim. Eu sou a fonte. Eu sou de onde eles rastejam para fora. Humanos não são diferentes. Eu não devo nada a eles. Eu dou, eles pegam. Mas eu sempre posso pegar de volta. É assim que sempre foi. Não é o planeta deles, de qualquer forma. Nunca foi, nunca será. Mas humanos pegam mais do que a sua parte. Eles me envenenam e, depois, esperam que eu os alimente. Mas as coisas não funcionam desse jeito. Se os humanos querem existir na natureza comigo, e de mim, sugiro que prestem atenção – só vou dizer isso uma vez: se a natureza não for mantida saudável, humanos não sobreviverão. Simples assim. E eu não me importo se for com ou sem humanos. Eu sou o Oceano. Já cobri a Terra uma vez, e sempre posso cobrir novamente. É só o que tenho a dizer.

Envolvido com a CI há mais de 20 anos, Harrison Ford acredita que a mensagem “Pessoas precisam da natureza” é mais importante do que nunca. “O meio ambiente se tornou uma questão política polarizadora. É hora de mudarmos a conversa sobre natureza para focar no que temos em comum: nossa humanidade compartilhada”, disse.

FLORESTA TROPICAL – KEVIN SPACEY

Eu sou a Floresta Tropical. Eu os vejo crescendo aqui. Eles vão embora, mas sempre voltam. Sim, eles sempre voltam – para minhas árvores, sua madeira, seus remédios, pela minha beleza, seu refúgio. Eu sempre estive por perto para eles. E eu fui mais que generosa. Algumas vezes, dei tudo para eles. Agora, desapareceram para sempre. Mas humanos são tão espertos, tão espertos, com grandes cérebros e polegares opositores. Eles sabem como fazer coisas, coisas maravilhosas. Mas por que eles ainda precisariam de uma velha floresta como eu? Selvas, árvores… Bem, eles respiram ar. E eu faço ar. Eles pensaram nisso? Humanos… Tão espertos. Eles vão perceber. Humanos… Fazendo ar! Vai ser divertido de assistir.

Para o ator principal da série de TV americana House of Cards, a mensagem da natureza não poderia ser mais clara: não podemos continuar a fazer o que fazemos agora. “Energia limpa sustentável é crucial e não pode esperar”, declarou Kevin Spacey.

SOLO – EDWARD NORTON 

Eu sou o Solo. Estou nas colinas, nos vales, nas fazendas, nas hortas. Sem mim, humanos não poderiam existir. Mas vocês me tratam como sujeira. Vocês percebem que eu sou apenas uma fina pele do planeta? E que, de fato, eu estou vivo, cheio de organismos que fazem sua comida crescer? Mas eu estou quebrado, com dor, esgotado, doente. Por causa de vocês. Vocês me secaram para a metade do que eu costumava ser há apenas 100 anos atrás. Vocês estão prestando atenção? Eu estou virando poeira. Então, talvez vocês pudessem me tratar com um pouco mais de respeito. Acredito que vocês ainda querem comer, certo?

Vindo de uma família de ativistas pela conservação, Edward Norton tem conexão forte com a natureza durante toda a sua vida. Tanto que, hoje, é o Embaixador pela Biodiversidade da ONU. “Temos que perceber que a natureza é absolutamente essencial para nossa sobrevivência e que precisamos agir nessa premissa agora”, afirmou.

ÁGUA – PENÉLOPE CRUZ 

Eu sou a Água. Para humanos, eu simplesmente estou ali. Eu sou algo que eles tomam por certo. Mas exite apenas um tanto de mim, e mais e mais deles a cada dia. Eu começo como chuva nas montanhas, flutuo para rios e córregos e deságuo no oceano. Então, o ciclo se reinicia. E vai levar 10 mil anos para eu voltar ao estado em que estou agora. Mas, para humanos, eu sou apenas água, logo ali. Onde humanos me encontrarão quando existirem bilhões a mais deles no planeta? Onde eles se encontrarão? Será que travarão guerras por mim, como fazem com todo o resto? É sempre uma opção. Mas não é a única.

Durante sua vida, Penélope Cruz viu a disponibilidade de água cair drasticamente. “Estou orgulhosa de emprestar minha voz para a Água e chamar a atenção para essa questão urgente”, declarou.

FLORESTA DE SEQUOIAS – ROBERT REDFORD, COM LENA REDFORD 

LENA: Como você é tão inteligente?!
ROBERT: Filha, eu estou por aqui há muito tempo. Na verdade, nossa espécie existe há mais tempo do que quase qualquer outra. Eu já vi quase tudo.
LENA: Sério? Como o quê?
ROBERT: Bom, já vi o tempo. Todos os tipos de tempo.
LENA: E muito bichos?
ROBERT: Sim, muitos bichos. Antes, eram só insetos e aranhas, depois, alguns camundongos e ratos, e alguns coelhos e ursos. Então, de repente, haviam humanos. E virou um inferno.
LENA: Por quê? O que os humanos fizeram?
ROBERT: Bom, eles transformaram lobos em cães, rios em lagos e nós em madeira. Começaram a usar o planeta como se ele existisse só para eles. Agiram como se houvesse um mundo extra em volta.
LENA: Por que eles fizeram isso? Por que eles não entendem?
ROBERT: Não sei. Se eles não entenderem que fazem parte da natureza, em vez de só usarem a natureza, eles provavelmente não estarão por aqui para ver você crescer.

Aos 15 anos, Robert Redford começou a trabalhar no Parque Nacional de Yosemite, nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, percebeu que sua cidade natal, Los Angeles, estava se transformando: os espaços verdes deram lugar ao cimento, ruas ficaram lotadas com o tráfego e a poluição do ar. “Tudo isso em nome do ‘progresso’. Tive a impressão de estar perdendo a minha casa. Isso teve um impacto profundo em mim, e percebi o quão importante a natureza era para o meu espírito, alma e ponto de vista”, disse.

*Nature Is Speaking

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