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Troca Solidária: leve lixo reciclável e ganhe livros ou alimentos Marina Maciel - 22/05/2015 às 09:30

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Você sabia que, em média, cada brasileiro produz um quilo de lixo por dia? Em 2013, o Brasil jogou fora cerca de 76 milhões de toneladas de embalagens, restos de alimentos e outros materiais – 30% poderiam ser reaproveitados, mas só 3% foram para a reciclagem. Vergonhoso, não?

É aí que entram iniciativas (simples, mas geniais) para engajar pessoas, comunidades e empresas a reduzir a geração de resíduos e estimular o reaproveitamento, a reciclagem e a compostagem. Entre elas: descontos na conta de luz em oito estados brasileiros, troca de lixo reciclável por orgânicos na cidade de Jundiaí, em Curitiba, no México… Agora, Porto Alegre (RS) também entrou na roda: vai dar livros ou alimentos para quem trouxer materiais recicláveis, por meio do projeto Troca Solidária.

Para participar do programa, basta levar ao ponto de coleta quatro quilos de recicláveis – metais, plásticos, vidros, papéis e embalagens longa vida – e trocá-los por um quilo de hortifrutigranjeiros ou dois livros (doados pela Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais), sendo que uma das obras fica para o acervo da biblioteca de uma escola participante. Muito legal!

O projeto piloto começou em dezembro passado e trocava resíduos apenas por comida. Deu tão certo que, em março deste ano, tornou-se um programa permanente do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) da cidade. Agora, o programa está em nova fase e também pretende incentivar a população a ler, por meio da troca de lixo por livros.

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A última edição do projeto aconteceu neste fim de semana em dois locais: em uma escola municipal do bairro de São José e em uma comunidade na Restinga. Foram trocados 305 quilos de materiais por livros e, ao todo, foram doadas 557 obras literárias, distribuídas aos participantes e à biblioteca da escola que recebeu o projeto.

Além disso, o DMLU eliminou um foco de lixo no entorno da escola que sediou a última edição do projeto. O lugar ganhou até um jardim, que será cuidado pelos professores e alunos a fim de evitar que o espaço volte a ser mal utilizado.

Que tal participar da próxima edição do Troca Solidária? Se você não mora em Porto Alegre e curtiu a iniciativa, que tal falar com a prefeitura da sua cidade para promover ações como esta?

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Fotos: Ivo Gonçalves/PMPA e Julia Clavelin/Divulgação PMPA

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‘Tem mais gente lendo’ incentiva leitura em espaços públicos e só cresce Vanessa Daraya - 28/04/2015 às 09:00

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“Brasileiro não gosta de ler”. É provável que você já tenha escutado essa frase por aí. Mas ela está bem longe de ser verdade. O projeto Tem Mais Gente Lendo* (TMGL, como é chamado pelos idealizadores) prova que brasileiro gosta, sim, de ler. E muito! Criado pelos jornalistas Sérgio Miguez e Hamilton dos Santos, o movimento fotografa e divulga nas redes sociais pessoas enquanto leem em espaços públicos. Afinal, tem coisa mais bonita de se ver do que alguém apreciando um bom livro?

Tudo começou há cerca de dois anos, quando Sérgio passou a publicar em sua página do Facebook imagens de pessoas lendo no metrô com a hashtag #temmaisgentelendo. Não demorou muito para que Hamilton, seu amigo, também notasse o fenômeno. “As pessoas deveriam estar no smartphone, no tablet… Uma das coisas que passou pela minha cabeça foi: isso é incompatível com o que dizem as pesquisas. De fato, há uma diminuição na compra de livros. Mas isso não significa que as pessoas não estejam lendo”, me contou Hamilton. “Pode ser que as pessoas comprem menos, mas leiam mais. Isso não é contraditório. Elas podem pegar livros emprestado ou ler aqueles que compraram há muito tempo e estavam naquela velha pilha”.

Hamilton, então, também aderiu ao movimento de Sérgio e começou a postar registros de pessoas lendo, em seu Facebook. As publicações dos dois amigos repercutiram tão bem que resolveram criar uma página na rede social para centralizar o conteúdo em um único local. “Assumimos que era um projeto de incentivo à leitura nos espaços públicos. Não por meio de discursos edificantes, mas por meio da tecnologia, da difusão da imagem e das redes sociais. Ao mesmo tempo em que valorizamos o gesto da leitura a partir de fotos bonitas, também valorizamos o espaço público”, explica o jornalista.

Aos poucos, o projeto saiu do metrô e ganhou outros lugares, como ônibus, parques e até praias. Já são mais de 900 fotos publicadas, com cliques de gente lendo os mais diversos tipos de livros, que vão desde George R. R. Martin, Edmund Wilson e Madame Bovary à Bíblia e Zíbia Gasparetto. “Esse é o maior charme do projeto: a gente só registra o movimento do leitor. O gosto do leitor. Não o nosso”, conta.

E se alguém não curtir aparecer na página do TMGL, não tem problema! Apesar de a maioria dos registros não mostrar o rosto para preservar o direito de imagem das pessoas, basta pedir para tirar a foto do ar que a equipe se encarrega disso.

Na internet, o movimento extrapolou as fronteiras do Facebook e das imagens. Hoje, há o blog do TMGL*, que reúne conteúdos relacionados ao mundo dos livros a partir do gosto e da perspectiva do leitor. Um dos exemplos é a lista com objetos que ajudam a ler com mais conforto. Há também rankings dos livros mais lidos no metrô de São Paulo. “Fazemos uma cobertura que não tem pressupostos. Ela é popular. Para onde o leitor aponta a gente vai. Estamos tentando organizar esse conteúdo de alguma forma, com vários formatos e meios, entre eles vídeos”. Veja, abaixo, uma produção com algumas inspirações que deram vida ao projeto:

A equipe também cresceu. Apesar de não ter ninguém dedicado exclusivamente ao TMGL, hoje, além de Sérgio e Hamilton, fazem parte do projeto outros profissionais, também amantes de livros. O administrador Alexandre Campos, o designer gráfico Peu Ishio, e os jornalistas Carol Argamim Gouvêa e André Azevedo fazem parte do grupo.

Tudo isso sem falar dos incontáveis colaboradores virtuais. “Temos recebido muitas mensagens. As pessoas enviam fotos de todo o Brasil. Ainda não conseguimos publicar tudo que chega, mas divulgamos na medida do possível. Criamos uma rede e achamos que ela será ampliada”, afirmou.

Vale lembrar que o TMGL é talvez o mais recente projeto de incentivo à leitura. Existem outros como já contamos aqui no Planeta Sustentável sobre o Leitura no Vagão (parceiro do TMGL), que distribui livros nos bancos dos metrôs de São Paulo. E também o Underground New York Public Library*, da fotógrafa Ourit Ben-Haim, que registra leitores no transporte público de Nova York, nos Estados Unidos.

No blog do TMGL, Hamilton publicou uma entrevista com o fotógrafo holandês Reinier Gerritsen, viciado em clicar gente devorando livros no metrô de Nova York e autor da série The Last Book*, em que reúne esses retratos. E essas são apenas algumas provas de que, sim, tem mais gente lendo no Brasil e no mundo. E sempre terá!

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*Tem Mais Gente Lendo
*Blog do TMGL
*Underground New York Public Library 
*The Last Book

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Primeira Foto: Divulgação/TMGL/Bruna Goldberger Teixeira Coelho
Segunda fotoDivulgação/TMGL

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‘Leitura no Vagão’ incentiva leitura nos metrôs de São Paulo Vanessa Daraya - 23/02/2015 às 15:03

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Quem mora em grandes cidades está sempre com pressa. Corre para chegar pontualmente em qualquer compromisso – trabalho, escola, um curso especial, cinema, encontrar os amigos… Ouvir alguém dizer que não tem tempo para fazer o que gosta virou rotina. Você, por exemplo, consegue dedicar parte do seu dia à leitura prazerosa de um bom livro? Muita gente tem a resposta na ponta da língua: “não”.

Ao observar as pessoas que encontrava todos os dias no trajeto de metrô para o trabalho que Fernando Tremonti, 26 anos, desenvolvedor de software, teve a ideia de criar projeto para incentivar a leitura e tornar a vida de alguns usuários de metrô, na cidade de São Paulo, mais agradável. Assim, em agosto de 2014, surgiu o Leitura no Vagão.

“Observei que a maioria das pessoas está sempre conectada aos seus smartphones, mas nunca com um livro em mãos. Leio dois títulos por semana só nas viagens que faço do trabalho para casa e vice-versa. A leitura nos torna mais interessantes, amplia nosso repertório, nos faz viajar sem sair do lugar. Ela me transformou em um ser humano muito melhor – ainda em construção, mas bem melhor do que antes”, me contou Fernando.

unnamedPara espalhar a ideia pelos vagões que frequenta, ele criou folders que encartou nos livros que começou a deixar nos bancos de alguns vagões em cada ‘viagem’. “Impossível ver um livro no banco e não pegá-lo, já que é preciso tirá-lo dali para sentar. Isso já provoca qualquer pessoa a folheá-lo… e, quem sabe, sentir sua ‘energia’”, explica. “Mas, mesmo com a apresentação do projeto no folder, as pessoas demoram a aderir e, quando me veem deixar o livro no assento, me avisam que o esqueci. Respondo: ‘Agora é seu, um presente’”.

Fernando deixa cerca de vinte livros por semana em diversas estações. “Na verdade, por fazer sempre o mesmo percurso, divido a tarefa com todos de casa já cedinho, quando separo os títulos do dia”.

Ele acredita que o hábito de ler ainda está muito aquém do que poderia ser, entre os brasileiros. Com o projeto, espera que a leitura transforme a vida das pessoas assim como mudou a dele. “Comecei a ler fervorosamente há seis anos. E sei o bem que esta prática me fez em vários sentidos”. E completou: “Espero que a leitura mude a vida das pessoas como mudou a minha, de um ser humano arrogante para alguém que sabe que tem muito o que aprender”, disse empolgado.

O projeto de Fernando não para por aí! Ele também sorteia livros e brindes nas páginas do seu projeto no Facebook*, Twitter* e Instagram*, e tenta divulgar o trabalho de escritores independentes, como de seu pai, que lançou a obra Sobrevivi a um AVCi Tipo Tronco – Agora quero voltar a ser eu novamente. “Sei que é complicado lançar um título. Alguns autores fazem doações e eu ajudo a divulgar para que o trabalho dessas pessoas se espalhe”.

Quer ajudar a disseminar a leitura nos trens e metrôs de São Paulo? Você pode aderir ao projeto de Fernando de duas formas: doando livros – “Isso é importante porque assim consigo distribuir mais obras por dia” – ou solicitando folders e espalhando sua ideia. E mais: se encontrar algum livro do projeto por aí ou alguém que curtiu a ideia, tire uma foto (neste segundo caso, peça autorização, claro!) e publique nas redes sociais com a hashtag #LeituraNoVagão.

A ideia de deixar livros em qualquer lugar para incentivar a leitura não é nova. Em 2013, noticiamos sobre dois projetos bem bacanas, aqui no Blog da Redação: Parada do Livro, em São Paulo  e Little Free Library, que começou nos Estados Unidos e se espalhou por outros continentes. A jornalista Giu Capello, do blog Gaiatos e Gaianos, também aqui no site do Planeta Sustentável, contou no post Leitura no ponto de ônibus sobre a linda experiência da cidade onde mora, Piracaia, interior de São Paulo.

Fernando e todos que iniciaram projetos de leitura como esses foram movidos pelo prazer de ler e pelo desejo de compartilhar esse prazer, incentivando outras pessoas a otimizar seu tempo livre (ou perdido nos trens e vagões) e enriquecê-lo na companhia dos livros. Belo ideal.

“Prefiro dizer para quem não tem o costume de ler: ‘Não acredite no que dizem sobre leitura, mas a experimente’. E quem sabe a oportunidade de fazer o teste esteja no banco de um vagão que você quer sentar”, completou.

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Fernando já conseguiu autorização do metrô para fazer uma ação especial e colocar um livro em cada banco de um vagão no terminal Barra Funda.

leitoraEle também registrou uma leitora de um dos livros que colocou no banco do vagão. Dá até para ver o folder que Fernando colocou na capa da obra.

*Facebook
*Twitter 
*Instagram 

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Fotos: Divulgação/Fernando Tremonti

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