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Cadeirante ‘digital’ protege vagas especiais e dá bronca em motoristas Vanessa Daraya - 01/06/2015 às 10:31

Respeitar o próximo é nosso dever mais básico. Mesmo assim, tem muita gente por aí com a cara de pau de estacionar em vagas reservadas para pessoas com necessidades especiais. A falta de cidadania tira do sério qualquer um com bom senso – e a vaga de quem precisa, claro – em qualquer canto do mundo.

Na Rússia, por exemplo, 30% dos motoristas param seus carros irregularmente em vagas exclusivas. A ONG Dislife Russia* e a agência Y&R Moscow decidiram por fim ao desrespeito e organizaram a campanha More than a sign (Mais do que uma sinalização, em tradução livre).

Por lá, um holograma protege as vagas reservadas dos motoristas malandros. Câmeras e sensores avaliam se há nos vidros do carro um adesivo feito para pessoas com deficiência. Se não houver, a tecnologia aciona uma mensagem holográfica. Um cadeirante aparece na frente do carro e diz:

“Pare! O que você está fazendo? Não sou apenas um sinal no chão. Não finja que não existo. Por que você está surpreso? Esta vaga é para pessoas com deficiência. Sim, eu sou real! Por favor, procure outro lugar para estacionar. Eu enfrento muitos desafios todos os dias. O seu único desafio é respeitar os meus direitos”.

O sistema foi criado a partir de um projetor e dispersores de água que formam uma tela bem fina de gotículas de água, visíveis aos olhos humanos apenas em conjunto, como forma de holograma. Câmeras escondidas captaram a reação dos motoristas “espertinhos” em centros comerciais e shoppings de Moscou. A campanha é uma ótima lição de responsabilidade social. Veja, abaixo, o resultado da ação:

A campanha da Dislife surpreende pelo uso da tecnologia. Mas existem outras ações maravilhosas que buscam conscientizar a população sobre o uso de vagas reservadas para pessoas com deficiência.

No Peru, a produtora Cine70 fez a campanha Pedimos respeto, no milagros. Assim que o motorista descia do carro, um grupo aparecia e dizia que havia acontecido um milagre, já que era visível que a pessoa não tinha nenhuma necessidade especial. Assista ao vídeo:

Já aqui no Brasil, foi em Curitiba (Paraná) onde nasceu a campanha que bombou nas redes sociais, ganhou adeptos e defensores em todo país. O movimento Esta vaga não é sua nem por um minuto*, da agência TheGetz* em parceria com a cadeirante e empresária Mirella Prosdócimo, colocou cadeiras de rodas em vagas normais e registrou a reação dos motoristas que se deparavam com essa surpresa quando queriam estacionar. Afinal, é ruim ver a sua vaga ocupada por quem não deveria, não é?

*Dislife Russia 
*Esta vaga não é sua nem por um minuto 
*TheGetz 

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Solar Bike: a bicicleta elétrica movida a energia solar Suzana Camargo - 20/05/2015 às 11:20

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Que tal unir duas tecnologias limpas para melhorar a mobilidade urbana? Esta foi a ideia do dinamarquês Jesper Frausig. Depois de três anos desenvolvendo o produto, muitos testes e dois protótipos, o engenheiro apresenta a Solar Bike.

Diferentemente das bicicletas elétricas convencionais que precisam ser recarregadas em tomadas, a Solar Bike tem células solares acopladas nas rodas, que garantem a autonomia da bateria por cerca de 70 quilômetros.

A magrela dinamarquesa alcança entre 25 a 50 quilômetros por hora, garante o engenheiro. A recarga da bateria é feita quando a bicicleta está parada, em pé, em lugares ensolarados. Quando o ciclista está pedalando, a bateria – instalada no tubo acima dos pedais – ativa o motor.

A intenção de Frausig (que escreveu sobre a Solar Bike na sua tese de mestrado na Universidade de Berlim) é estimular o uso das bikes nas cidades (Copenhague, a capital da Dinamarca já é um dos lugares onde elas são mais utilizadas). Segundo ele, a Solar Bike pode ser usada por pessoas mais velhas e em serviços de entrega e transporte, principalmente em países onde o acesso à energia elétrica ainda é limitado.

Por último, acabou aquela desculpa para não deixar o carro em casa e ir de bicicleta para o trabalho porque vai chegar suado: com a elétrica, não se faz esforço! E também não se emite dióxido de carbono na atmosfera, evitando o aquecimento global e deixando o  ar mais limpo.

A inovação está concorrendo ao prêmio internacional Index – Design to Improve Life 2015 (Design para Melhorar a Vida, em português) na categoria Comunidade. Considerada uma das mais importantes do mundo no setor de design para sustentabilidade, a premiação concederá ao vencedor €500 mil.

Veja no vídeo abaixo a Solar Bike em ação:

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Foto: divulgação Solar Bike

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Caixa eletrônico movido a energia solar distribuirá água potável no Paquistão Vanessa Daraya - 18/05/2015 às 19:08

Qual a maior riqueza da humanidade: dinheiro ou água? Não há dúvidas de que é água. Pois, então, por que só sai dinheiro do caixa eletrônico? Foi com esse pensamento que um grupo de pesquisadores deu uma inovadora – e muito bem-vinda – utilidade aos terminais bancários.

A província de Punjab, no Paquistão, ganhará caixas eletrônicos movidos a energia solar que entregam água potável em vez de dinheiro. A tecnologia chamada de Wrind* é uma forma de reduzir o desperdício e garantir o acesso de cada cidadão.

O “saque” é feito por meio de um cartão de crédito que deve ser usado pelos cidadãos para coletar a quota diária de água. Dessa forma, o governo sabe a quantidade exata distribuída. Cada família poderá recolher gratuitamente, no máximo, 30 litros por dia.

O projeto foi criado pelo Laboratório de Inovações para Aliviar a Pobreza de Lahore* (IPAL Lab, na sigla em inglês) em parceria com o governo de Punjab e a empresa Saaf Pani. A ideia é instalar um caixa eletrônico em cada uma das usinas de filtragem de água da cidade.

Em sua primeira fase, o projeto irá abranger três distritos: Bahawalpur, Rajanpur e Faisalabad, que passam por problemas graves de contaminação de água. Isso permitirá que cerca de 20 mil famílias sejam beneficiadas. Qualidade e quantidade da água serão monitoradas em tempo real pela internet com ajuda de um servidor central. Um medidor verificará o controle de fluxo, e sensores medirão quanto ainda há disponível no terminal.

Investir no acesso à água é prioridade do governo de Punjab, cidade mais populosa do país, com 98 milhões de habitantes. Por lá, apenas 13% dos moradores de áreas rurais têm acesso à água potável. O número sobe para 43% em regiões urbanas.

Mas o problema não se restringe a Punjab. Água limpa é um luxo no Paquistão, onde falta acesso à água potável para 35% da população. Nas áreas rurais, o processo é complicado e demorado. É preciso caminhar grandes distâncias e enfrentar longas filas nas plantas de filtração. E é comum que a água acabe antes de atender todos que estão à espera.

O fornecimento inadequado gera uma série de problemas. Aumenta as taxas de morbidade e mortalidade, além de ameaçar o crescimento e desenvolvimento das crianças. A estimativa é que doenças relacionadas à falta de saneamento básico, higiene e saúde custem à economia do país cerca de 1 bilhão de dólares.

Ainda é cedo para saber se a tecnologia irá acabar com os problemas na região. Mas não dá para negar a genialidade do projeto, que garante a distribuição igualitária da água limpa, um direito fundamental à vida cada vez mais escasso e mal gerenciado em todo o mundo, inclusive no Brasil.

*Wrind
*Laboratório de Inovações para Aliviar a Pobreza de Lahore 

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