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Vovô sírio transforma lixo em brinquedos para crianças refugiadas Vanessa Daraya - 12/05/2015 às 15:18

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A Síria enfrenta, desde 2011, uma triste guerra civil. Cerca de 10 milhões de adultos e dois milhões de crianças estão em campos de refugiados em países vizinhos. O carpinteiro Kareem, de 65 anos, vive com sua família no deserto da Jordânia. O abrigo onde mora está longe de ser confortável. Mas nada disso abala o vovô, que faz brinquedos com o que encontra no lixo para deixar a rotina de seus netos e das crianças da vizinhança mais leve.

Kareem levava uma vida agradável na Síria ao lado de seus 14 filhos. Eles eram donos de uma grande fazenda, tinham casas confortáveis e várias lojas em um vilarejo próximo à cidade de Homs. Quando a guerra começou, homens armados invadiram sua casa e ameaçaram matar sua família, a menos que ele entregasse suas economias. Foi quando decidiu abandonar tudo o que tinha construído em busca de um lugar mais seguro.

A UNHCR – agência da ONU para refugiados – e diversas ONGs oferecem o necessário para que famílias como a de Kareem possam viver com o mínimo de dignidade. Os refugiados têm casa, comida e roupas. Mas não há como negar a tristeza de deixar tudo para trás. “Fora daqui tínhamos conforto, uma casa boa e limpa. Quando chegamos, estava tudo sujo”, conta ele em entrevista para a UNHCR. “Mas tudo bem. É melhor do que nada. Agora estamos acostumados e felizes. Não podemos negar isso”.

Hoje, a maior reclamação de Kareem é a falta do que fazer. E, para acabar com o problema, ele decidiu usar o tempo livre para garantir a brincadeira da criançada. “Aqui é muito entediante. A única coisa que podemos fazer é comer e dormir… ou dormir e caminhar. É bom fazer algo para manter a mente ocupada”, explica.

Kareem usa sua habilidade de carpinteiro para fabricar brinquedos. Tudo é produzido com itens encontrados no lixo, como espumas de isolamento, cordas e arames. “Fico muito feliz quando vejo meus netos e outras crianças brincarem com as coisas que faço. Meu estresse vai embora”, diz.

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Um avião se destaca entre carrinhos, bicicletas, flores e outas peças feitas por Kareem. “Não pensava em guerra quando o fiz”, explica. “Eu viajava muito a trabalho para Arábia Saudita, Bahrein, Dubai. Adorava viajar de avião. Mas a imagem que nos marcou foi a de quando as aeronaves vieram nos bombardear. Fiz este brinquedo para nos lembrarmos daqueles aviões que eu amava”. Ele espera que, com suas criações, as crianças possam se distrair, ocupar suas mentes e imaginar um futuro melhor, onde poderão pilotar e andar de carro sem medo.

“Se eu pudesse, faria brinquedos ainda melhores”, conta Kareem, cujo maior desejo é voltar para casa. “Neste momento, eu quero paz e amor de volta à Síria. Nós éramos tão felizes… Espero que a gente possa voltar para o nosso país e ter esses dias de alegria de volta”.

Quer saber mais sobre essa história inspiradora? Veja, abaixo, o vídeo produzido pela UNHCR:

Crédito da foto: Reprodução/YouTube

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Sonhos de crianças com doenças graves viram realidade com ajuda de um irlandês Vanessa Daraya - 09/04/2015 às 10:13

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A palavra “impossível” parece não fazer parte do vocabulário do irlandês Shay Kinsella, que trabalha para transformar sonhos de crianças com doenças graves ou portadoras de deficiência em realidade. Ele fundou a ONG Share a Dream Foundation* (Fundação Compartilhe um Sonho, em tradução livre) depois de conhecer uma menina de 7 anos com leucemia que desejava ir para a Disney.

A doença foi mais rápida do que todos os esforços de Kinsella para realizar o desejo da garota. E a impossibilidade de fazer esse sonho virar realidade o deixou tão arrasado que ele decidiu dedicar sua vida a levar um pouco de magia para crianças irlandesas que enfrentam difíceis obstáculos.

Sem subsídios ou patrocinadores, Kinsella depende de pessoas entusiasmadas como ele para arrecadar fundos e conseguir ajudar a garotada diariamente. Ele já devolveu o brilho no olhar e o sorriso no rosto de mais de 20 mil crianças desde o episódio da menina vitimada pela leucemia, mas centenas ainda enviam cartas todos os anos para a ONG.

Independente do desejo, Kinsella e sua equipe tentam torná-lo real. Organizam encontros, viagens e passeios para dar uma pausa nos tratamentos longos, cansativos e muitas vezes dolorosos das crianças. É o caso de Aishlinn, de 4 anos, que foi diagnosticada com câncer cerebral quando tinha apenas 10 semanas. Assim como a menina que motivou a criação da ONG, Aishlinn queria visitar a Disney e conhecer a Branca de Neve. Já John Christie, de 11 anos, que sofre de Distrofia Muscular de Duchenne, uma doença hereditária e degenerativa, teve a oportunidade de conhecer o lutador John Cena.

E estas são apenas pequenas amostras do trabalho da ONG, que já projetou o quarto de uma menina cadeirante, ajudou uma garota a gravar seu próprio CD e até fez um garoto viver a experiência de ser guarda por um dia. “Não há alegria maior do que ver o sorriso no rosto de uma criança especial que tem sofrido muito em sua vida curta e traumática, sabendo que você fez isso acontecer. É mágico”, disse Kinsella ao Independent*, jornal local.

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A ONG não realiza apenas um sonho por vez. Kinsella criou o Dream Machine, ônibus que viaja o país até crianças que não têm a possibilidade de sair de casa. Há também o Dream Concert, evento gratuito onde todos podem assistir aos shows de seus cantores e bandas favoritos.

Atualmente, a ONG está em busca de doações para criar o Dreamland Fun Centre, um parque de diversões especial na Irlanda, algo em falta no país. Somente lá há 70 mil crianças sem lugar para brincar. Uma discriminação e tanto!

Já mostramos aqui em nosso site, por exemplo, o primeiro parquinho acessível de São Paulo. Ele foi inaugurado em 2014 em uma unidade da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), no Parque da Mooca, na Zona Leste.

A ideia de Kinsella é que em parques, eventos, viagens ou em outras oportunidades as crianças possam ser… crianças. Ou seja, que ninguém se sinta diferente. Por um curto período de tempo, todos podem desfrutar o melhor da infância ao lado de amigos e familiares, mas longe de hospitais, médicos e tratamentos. Afinal, todos têm o direito de brincar.

*Share a Dream Foundation
*Independent

Fotos: Divulgação/Share a Dream Foundation

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Tapetes usados viram bicicletas infantis Vanessa Daraya - 02/02/2015 às 09:00

Wishbone Design creates bikes from old carpets.

Você sabia que 5 bilhões de toneladas de tapete vão parar em aterros sanitários todos os anos? Por ser volumoso e fabricado a partir de uma grande combinação de materiais, é um produto considerado difícil de reciclar. Mas essa enorme quantidade de lixo pode, sim, ser reutilizada de maneira inusitada.

Prova disso é a bicicleta criada pelo casal de neozelandeses Jenny e Rich McIver, da Wishbone Design Studio*, empresa de design de produtos. Juntos, eles desenvolveram tecnologia capaz de transformar tapetes antigos em tubos rígidos muito úteis na fabricação de bicicletas para crianças.

Após três anos de muito trabalho, nasceu a Bike Recycled Edition, que – além de linda! – utiliza apenas de materiais reciclados.

O quadro da bicicleta é feito com restos de nylon de tapetes e de vidro, combinação de materiais que garantem força e rigidez à estrutura. O vidro é adicionado ao processo de reciclagem junto com a fibra do tapete para fortalecer a estrutura parecida com plástico e ajudar a moldar uma bicicleta rígida.

Outra coisa legal é que a bicicleta é adaptável para crianças de 12 meses a seis anos. Ou seja, é um produto durável que pode acompanhar boa fase do crescimento da garotada.

A bike pode ser ajustada de três formas diferentes:
- bike de três rodas (triciclo) e sem pedais para crianças pequenas;
- modelo com duas rodas (para a criança muito pequena sentir o que é uma bike de duas rodas e testar seu equilíbrio) e
- com duas rodas com pedais, para os mais velhos.
E ainda existe uma outra opção com marchas para quem é mais craque no ciclismo.

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O kit completo da Bike Recycled Edition (3 rodas + 2 pedais) está à venda no site por 229 dólares e pode ser personalizado com adesivos. Mas, se a criança já é maior, não há necessidade da terceira roda; aí, a bike ideal é a mais simples (e mais barata): 199 dólares.

Curtiu a bike sustentável para a criançada? Conhece algum outro produto que recicla materiais de forma tão genial? Se sim, conte abaixo, nos comentários.

E você sabia que, em 1994, nos Estados Unidos, um cara genial chamado Ray Anderson inspirou todos os funcionários da empresa de tapetes que criou em 1973 – InterfaceFLOR – com o objetivo de acabar com o desperdício de água e energia, zerando seus impactos ambientais? Foi uma mudança radical de postura, inspirada no livro “A ecologia do comércio”, de Paul Hawken.

Além de usar material reciclado ou de origem orgânica na produção, Anderson reduziu em 70% as emissões de gases de efeito estufa de suas fábricas. Mas sua maior sacada foi contatar donos de carpetes antigos, mesmo que de empresas concorrentes, para reciclá-los. Uma decisão inédita e inspiradora, não é mesmo?

*Wishbone Design Studio

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Foto: Divulgação/Wishbone

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