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Máquina transforma plástico reciclado em filamento para impressora 3D Suzana Camargo - 07/05/2015 às 10:29

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Um dos principais avanços tecnológicos dos últimos tempos são as impressoras 3D. Em algumas áreas da ciência, como a medicina, a inovação tem servido para a fabricação de próteses, muitas delas caseiras e com custo bem mais barato.

Entre as maiores vantagens da nova tecnologia estão o ganho com tempo e economia de matéria-prima, utilizada para moldar os objetos. Impressoras 3D utilizam filamentos de plástico no lugar da “tinta”, usada nas máquinas tradicionais. Todavia, o preço dos filamentos é bastante caro e no final da impressão, há muita sobra de material.

Buscando uma maneira de tornar o processo mais sustentável, três estudantes de engenharia da Universidade de British Columbia, no Canadá, criaram a ProtoCycler, máquina que pode triturar qualquer tipo de resíduo plástico – garrafas PET, embalagens de comida, sacolas – e transformá-lo em filamento. O visual da engenhoca faz lembrar um daqueles forninhos de bancada para aquecer comida, que muitas famílias têm na cozinha.

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ProtoCycler, invenção de estudantes do Canadá, transforma
resíduos plásticos em filamentos

O nome da empresa criada por Dennon Oosterman, Alex Kay e David Joyce é ReDeTec* – Renewable Design Technology (Tecnologia do Design Renovável, em inglês). “Resíduos podem ser recuperados e transformados em tudo o que desejamos, sem precisarmos nos preocupar com a quantidade de dinheiro que vamos gastar ou o impacto ambiental que causaremos”, dizem os estudantes.

Para os jovens inventores, ao permitir que pessoas reaproveitem seus resíduos das impressoras 3D ou mesmo dêem vida nova a objetos de plástico, a tecnologia assume uma nova função – em vez de estimular o consumo, torna-se uma indústria impulsionada pela criação. “Queremos que toda tecnologia seja o mais sustentável possível”.

Oosterman, Kay e Joyce esperam que a ProtoCycler atraia o interesse de escolas, por exemplo, onde alunos poderão fazer testes e inúmeras tentativas de impressões reutilizando os mesmos filamentos plásticos inúmeras vezes. E sem  gerar resíduos para o meio ambiente.

No início do ano, a ReDeTec conseguiu US$ 100 mil para viabilizar a produção da máquina no site de crowdfunding Indiegogo. O preço da ProtoCycler ainda é um pouco alto. Está sendo vendida por US$ 699. Mas os jovens da universidade canadense garantem que o investimento vale a pena.

A máquina produz cerca de 3 metros de filamento por minuto e de qualquer cor desejada – basta colocar o plástico a ser reciclado do tom que o usuário deseja.

Confira a seguir as etapas do processo da produção dos filamentos recicláveis para a impressão em 3D:

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 Resíduos plásticos são triturados e transformados em filamento

maquina-transforma-plastico-reciclado-filamento-impressa-3D-puller-560A ProtoCycler produz até 10 metros de filamento por minuto

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O filamento na bobina ao final do processo, pronto para ser usado em novas impressões

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Custo mais baixo e menor impacto ambiental nas impressões 3D

 


*ReDeTec

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Fotos: divulgação

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Bibliotroca: o livro usado que vira novo Suzana Camargo - 04/02/2015 às 13:33

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Isabel Milani tem dois filhos na escola Gracinha, em São Paulo. Neste começo de ano, em vez de comprar os livros didáticos, ela trocou. Com isso, fez uma economia de cerca de 1.800 reais. É que Isabel levou os livros usados dos filhos ao projeto Livro Livre, organizado por mães voluntárias. “Consegui trocar praticamente a lista toda. A maioria estava em ótimo estado!”, conta. E não foi só a economia que a deixou feliz. “Há o ensinamento aos filhos e o ganho da reciclagem”.

A iniciativa que vem tomando cada vez mais espaço nas escolas de São Paulo e outras cidades brasileiras é conhecida como bibliotroca. Na realidade, o princípio é o mesmo da biblioteca. “Uma criança lê aquele livro, depois outra e depois outra”, define Mary Azevedo, uma das mães voluntárias que cuida da troca de livros no Colégio Pio XII, também na capital paulista.

Já faz sete anos que Mary abraçou a causa. “Sempre tive o hábito de reaproveitar – guardar roupas do filho mais velho para o mais novo. Por que não com o livro?”, questiona. “Para mim, isso sempre pareceu muito óbvio”.

A troca de livros didáticos e paradidáticos no Pio XII é bastante concorrida. Mary trabalha ao lado de uma equipe de outras seis voluntárias, que doam algumas horas no começo ou final da manhã durante o período da bibliotroca. Assim que a escola libera a lista do material escolar para o ano seguinte, ainda em dezembro, mães e pais fazem fila para levar os usados e conseguir novos para o ano seguinte. “Agora em 2015, consegui economizar 1.000 reais”, diz Angela Andrade, mãe de aluna do colégio.

Mais do que poupar dinheiro, as bibliotrocas têm importante papel social e ambiental. Iniciado em 2009, o projeto Reviva Livro, da Escola Viva, também em São Paulo, é uma iniciativa conjunta entre pais e administração. “Foram necessárias muitas conversas para que o foco do projeto não fosse apenas a economia no bolso e, sim, a redução do consumo, reutilização e atitude colaborativa”, revela Marta Campos, coordenadora de núcleos.

Um dos pontos mais importantes para lançar o programa de reutilização dos livros foi justamente escolher um nome para ele. Através de uma votação por email dos pais, com diversas sugestões recebidas, chegou-se ao Reviva Livro.

bibliotroca-livro-usado-que-vira-novo-escola-viva-560Troca de livros didáticos na Escola Viva

Na hora da matrícula, a Escola Viva já informa às famílias a possibilidade da troca. A feira de autosserviço é montada no ginásio. Os livros coletados e não reaproveitados são encaminhados a instituições de cunho social. “Todo esforço é em torno da redução do consumo e da reutilização”, ressalta Marta.

A Troca Solidária do Vera Cruz, ainda em São Paulo, chama a atenção das famílias para a contribuição para a redução da pegada hídrica, diminuição da geração de lixo e e educação para o consumo consciente (veja números dos recursos poupados em 2014 no final deste texto).

Outras escolas adotam iniciativas similares. Algumas utilizam cupons de trocas. O Colégio Santo Inácio, no Rio de Janeiro, promove o Sebo Solidário. Os alunos doam seus livros já lidos para a escola, que os vende pelo valor simbólico de 2 reais. O dinheiro arrecadado é destinado a obras sociais. No ano passado, o sebo ofereceu mais de 2,5 mil exemplares. A procura maior é sempre pelos livros didáticos.

Uma modalidade mais recente da brilhante iniciativa é a “uniformetroca”. No Pio XII, ela começou em 2012. Peças em bom estado são recebidas e podem ser trocadas por outras. Ou então, guarda-se o crédito para outra oportunidade. Uma ideia sensacional, já que não há fase na vida que se perca mais roupa do que na infância.

O sucesso de todos estes projetos depende muito da união entre escola e famílias. O apoio do colégio é fundamental – ao ceder espaço para as feiras e divulgar os eventos. A adoção do mesmo livro didático por vários anos também é importantíssima, já que depende disso para que o mesmo possa ser reutilizado no ano seguinte.

Nem é preciso mencionar o valiosíssimo trabalho voluntário de mães e pais. São geralmente eles que fazem a triagem das doações e acompanham o trabalho da bibliotroca.

Além de contribuir para diminuir a geração de resíduos (por mais chocante que seja, em muitas casas livros didáticos ainda vão parar no lixo no final do ano), as feiras de trocas ajudam a reduzir todos os recursos empregados na fabricação de livros.

Para quem tem oportunidade de participar, a sensação mais legal é ver a adesão e empolgação de crianças e adolescentes. Eles não se importam se o livro está com orelhas ou tem alguma marca de caneta. O importante é ecomomizar e poder viver num planeta mais bacana.

Na escola do seu filho ainda não tem bibliotroca? Arregace as mangas, chame outros pais e organize uma já.

Veja abaixo a economia feita pela bibliotroca do Colégio Vera Cruz no ano passado:

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Não usa mais? É só trocar!
Como organizar uma feira de trocas solidárias?
Livros itinerantes


Fotos: H is for home/Creative Commons e divulgação Escola Viva

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Designer americana transforma jaquetas velhas em bolsas cheias de estilo Suzana Camargo - 09/12/2014 às 09:50

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Shannon South sempre achou que tínhamos demais. Compramos o que não precisamos e enchemos nossas casas de bens desnecessários. Apesar de ser uma designer de produtos, a americana nunca se rendeu ao apelo do consumo e só gastava dinheiro com aquilo que reamente tinha valor para ela.

Em 2008, Shannon se deparou com uma jaqueta de couro no armário que ela não vestia há muito tempo. Foi naquele momento que surgiu a inspiração para a reMade USA.

Apaixonada pela criação de bolsas, ela decidiu transformar a velha jaqueta vintage numa peça contemporânea e cheia de estilo. A ideia foi um absoluto sucesso. Em pouquíssimo tempo, o número de pedidos de pessoas interessadas em reciclar suas peças de couro, que estavam sem uso no guarda-roupa, começou a crescer.

Shannon inaugurou então o website reMade USA, em que os clientes enviam suas jaquetas e escolhem o estilo de bolsa em que querem que elas sejam transformadas. Além deste negócio, a designer abriu o estúdio Shannon South no bairro de Brooklyn Navy Yard, em Nova York, onde desenvolve suas próprias coleções.

O princípio da marca leva em conta sustentabilidade e preocupação ambiental. A designer produz peças com sobras de couro da indústria de móveis. Os modelos não são feitos seguindo tendências da moda: são simples, clássicos e principalmente – duráveis. “A ideia é que elas sejam usadas ano após ano”, diz Shannon.

 

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Fora da caixinha
O lado “s” da moda
Diário de um guarda-roupa: o blog que conta histórias emocionantes de nossas roupas
Guia da moda “verde”

Fotos: divulgação 

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A redação do PLANETA SUSTENTÁVEL é um encontro de pessoas envolvidas com um grande desafio: trabalhar a sustentabilidade como um tema urgente, transversal e inspirador, tradutível em múltiplas linguagens e necessário para os diversos públicos. Aqui, a editora Mônica Nunes, as repórteres Marina Maciel Vanessa Daraya e a jornalista Suzana Camargo (que colabora com o Planeta desde 2009) indicam lugares imperdíveis da web e contam novidades e boas histórias sobre cultura, sociedade, meio ambiente, cidadania, mudanças climáticas, mobilidade, inovação, direitos humanos, economia verde e muito mais.

Mônica NunesEditora/Gerente de Conteúdo

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