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Fogão portátil e sustentável, movido a biomassa, leva saúde e economia para famílias da África Suzana Camargo - 02/04/2015 às 11:00

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Para muitos de nós, que estamos agora na frente de um computador ou usando algumas das mais avançadas tecnologias móveis, pode ser muito difícil imaginar que neste mesmo momento, 3 bilhões de pessoas ao redor do planeta ainda precisam cozinhar seus alimentos em fogareiros rústicos, quase iguais aqueles utilizados na Idade Medieval.

A fumaça gerada por estes fogareiros é extremamente tóxica, conhecida como carbono negro. A Organização Mundial de Saúde estima que ela seja responsável pela morte de 4 milhões de pessoas anualmente. Ao inalar continuamente esta fumaça, elas acabam sofrendo com problemas respiratórios, pneumonia, doenças pulmonares e catarata.

Mas o projeto African Clean Energy* quer mudar esta triste história. Numa fábrica em Lesoto, país extremamente pobre no sul da África, Stephen e Alice Walker – marido e mulher, criaram um negócio para impactar a vida de milhares de pessoas.

A empresa familiar desenvolveu o ACE 1, um fogão portátil movido a biomassa (combustível limpo) e o mais importante de tudo, que não produz fumaça. Mas que biomassa seria essa? Podem ser restos de madeira, esterco de animais, palha de milho ou mesmo aglomerados de madeira e briquetes, feitos a partir de sobras de materiais, como serragem, resíduos florestais ou agrícolas.

fogao-portatil-sustentavel-movido-biomassa-leva-saude-gera-economia-africa-modelo-560Movido a biomassa, o fogão tem ainda conector DC e porta USB

Além de necessitar de aproximadamente 70% menos combustível para funcionar do que fogões portáteis tradicionais, o ACE 1 foi projetado internamente com telhas cerâmicas, o que retem o calor por muito mais tempo.

A ideia do African Clean Energia é que este seja um negócio social e sustentável. Na cidade de Maseru, no Lesoto, os Walker trabalham ao lado de 60 funcionários, moradores da região. Eles têm orgulho de fabricar um produto africano. Com isso, movimentam a economia local e querem estimular a produção de biomassa – criando uma nova fonte de renda para a população.

fogao-portatil-sustentavel-movido-biomassa-leva-saude-gera-economia-africa-fabrica-560O ACE 1 é produzido na fábrica de Maseru, em Lesoto

Nas casas onde ainda se usam fogareiros,  25% do orçamento familiar é gasto com a compra de combustível. “Com a economia gerada pelo uso do ACE 1, as crianças podem ir para a escola e as mulheres conseguem trabalhar”, diz Ruben Walker, diretor comercial do African Clean Energy.

Na base do pequeno fogão há também um conector DC e porta USB, que com energia solar, transformam o equipamento em uma fonte adicional de energia – uma comodidade incrível para muitas famílias que não possuem acesso à eletricidade.

fogao-portatil-sustentavel-movido-biomassa-leva-saude-gera-economia-africa-vantagens-560Vantagens e economias geradas pelo fogão portátil africano

Desde 2011, quando o projeto foi iniciado, dezenas de fogões foram doados, principalmente para as chamadas “famílias orfãs”. Por causa do grande número de vítimas da Aids em Lesoto, em muitos lares, jovens que ainda nem completaram 18 anos, são responsáveis por cuidar de seus irmãos mais novos.

Mortes provocadas pela inalação do carbono negro acontecem em diversas outras regiões carentes do mundo – em países da Ásia, na Índia e inclusive, no Brasil. Ao oferecer uma tecnologia mais barata e sustentável, como o fogão portátil ACE 1, é possível reduzir a pobreza nestes lugares e promover o desenvolvimento destas comunidades.

Os criadores do incrível ACE 1 querem comercializá-lo no mundo todo, afinal ele também é uma solução inovadora para acampamentos, piqueniques ou festas ao ar livre. É outra maneira de financiar o projeto e reinvestir recursos em Lesoto.

Confira no vídeo abaixo quais são as principais vantagens do projeto African Clean Energy:

 

*African Clean Energy 

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Fotos: divulgação African Clean Energy

 

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Beagle: o melhor amigo dos elefantes do Parque Nacional de Virunga, no Congo Suzana Camargo - 18/02/2015 às 15:44

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Qual é a relação entre este lindo cão da foto acima, da raça beagle, com o maior mamífero terrestre do planeta: o elefante africano? No Parque Nacional de Virunga, no África, é muita próxima. Ela pode ser a diferença entre vida e morte para os elefantes da floresta.

No mais antigo Parque Nacional do Congo, na costa oeste do continente africano, uma equipe de cães beagle, se tornou a maior aliada para impedir a caça ilegal de elefantes. Os animais são mortos por bandidos, que retiram suas presas para comercializar marfim. Este é um dos crimes mais chocantes contra animais, mas que ainda hoje, movimenta milhares de dólares, principalmente nos países asiáticos.

Desde 2011, os beagles do parque africano são treinados exaustivamente pelos guardas para encontrar caçadores. Como possuem olfato extremamente apurado, os cães aprendem a reconhecer o cheio dos caçadores nos cartuchos de munição manuseados por eles e deixados pela mata.

A raça é considerada pelos especialistas como uma das melhores para a caça. Além do bom faro – eles sempre estão com o nariz no chão cheirando alguma coisa, o bealge possui um latido característico, que pode ser ouvido a quilômetros de distância, principalmente em florestas. Também é conhecido por sua determinação e energia, vitais para a atividade.

O Parque Nacional de Virunga é uma das maiores reservas ambientais da África – e do planeta. Sua biodiversidade é riquíssima. São aproximadamente dez mil espécies de plantas tropicais, 400 mamíferos, mil espécies de aves e 700 de peixes que têm o habitat ali. Algumas delas só vivem na Bacia do Congo.

Essa grandiosidade toda se reflete no tamanho do parque: uma área de 790 mil hectares. Infelizmente, os guardas florestais – cerca de 400 – não conseguem impedir a caça ilegal de animais. E é por isso que a ajuda do beagle é tão importante.

Além dos elefantes, em Virunga vivem outros animais que correm risco de extinção, como chimpazés e gorilas das montanhas. Estima-se que entre as décadas de 30 e 40, a população de elefantes africanos era de 3 a 5 milhões de indíviduos. Nos anos 80, com o crescimento do comércio ilegal de marfim, acredita-se que 100 mil elefantes foram mortos por ano.

Muitas organizações não-governamentais, com o WWF-International, têm promovido campanhas e investido recursos para dar um basta a esta matança. E a equipe de beagles, do Parque de Virunga, também está fazendo sua parte.

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Fotos: Gianluca Annicchiarico/Creative Commons (beagle) e Peter Steward/Creative Commons (elefantes)

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Escultura inspirada em árvore africana produz água potável para comunidades carentes Suzana Camargo - 14/10/2014 às 11:30

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A Warka é uma frondosa figueira, nativa da Etiópia. Tradicionalmente conhecida como símbolo de fertilidade e generosidade, a árvore também se tornou local de encontro para moradores de muitos vilarejos africanos.

Inspirado pela forma exuberante da Warka, o artista italiano Arturo Vittori criou uma imensa estrutura que produz água através da condensação do vapor. A WarkaWater Tower é feita com hastes de bambu e junco entrelaçadas, que formam a base da torre. No interior, uma malha de plástico de fibras de nylon e polipropileno funciona como microtúneis ou poros para a condensação.

A medida que as gotas de água se formam, elas fluem através da malha e se depositam no recipiente na base da torre. A WarkaWater Tower consegue fornecer quase 100 litros de água potável por dia.

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A ideia de Vittori é que pelo menos duas torres sejam instaladas em vilarejos da Etiópia em 2015. Segundo estudo das Nações Unidas, o país é o que tem a menor disponibilidade de água no mundo e a de pior qualidade.

Geralmente são as mulheres, que caminham longas distâncias e muitas horas, para conseguir água para o consumo da família. Crianças também participam destas viagens diárias – difíceis e perigosas. Muitas vezes a água encontrada é contaminada e insalubre.

O artista italiano acredita que as torres possam ser feitas pelas próprias comunidades, com material disponível localmente, tornando este um projeto sustentável e de longo prazo. A WarkaWater Tower leva em média uma semana para ser construída por um grupo de quatro pessoas.

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Fotos: divulgação

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