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Caixa eletrônico movido a energia solar distribuirá água potável no Paquistão Vanessa Daraya - 18/05/2015 às 19:08

Qual a maior riqueza da humanidade: dinheiro ou água? Não há dúvidas de que é água. Pois, então, por que só sai dinheiro do caixa eletrônico? Foi com esse pensamento que um grupo de pesquisadores deu uma inovadora – e muito bem-vinda – utilidade aos terminais bancários.

A província de Punjab, no Paquistão, ganhará caixas eletrônicos movidos a energia solar que entregam água potável em vez de dinheiro. A tecnologia chamada de Wrind* é uma forma de reduzir o desperdício e garantir o acesso de cada cidadão.

O “saque” é feito por meio de um cartão de crédito que deve ser usado pelos cidadãos para coletar a quota diária de água. Dessa forma, o governo sabe a quantidade exata distribuída. Cada família poderá recolher gratuitamente, no máximo, 30 litros por dia.

O projeto foi criado pelo Laboratório de Inovações para Aliviar a Pobreza de Lahore* (IPAL Lab, na sigla em inglês) em parceria com o governo de Punjab e a empresa Saaf Pani. A ideia é instalar um caixa eletrônico em cada uma das usinas de filtragem de água da cidade.

Em sua primeira fase, o projeto irá abranger três distritos: Bahawalpur, Rajanpur e Faisalabad, que passam por problemas graves de contaminação de água. Isso permitirá que cerca de 20 mil famílias sejam beneficiadas. Qualidade e quantidade da água serão monitoradas em tempo real pela internet com ajuda de um servidor central. Um medidor verificará o controle de fluxo, e sensores medirão quanto ainda há disponível no terminal.

Investir no acesso à água é prioridade do governo de Punjab, cidade mais populosa do país, com 98 milhões de habitantes. Por lá, apenas 13% dos moradores de áreas rurais têm acesso à água potável. O número sobe para 43% em regiões urbanas.

Mas o problema não se restringe a Punjab. Água limpa é um luxo no Paquistão, onde falta acesso à água potável para 35% da população. Nas áreas rurais, o processo é complicado e demorado. É preciso caminhar grandes distâncias e enfrentar longas filas nas plantas de filtração. E é comum que a água acabe antes de atender todos que estão à espera.

O fornecimento inadequado gera uma série de problemas. Aumenta as taxas de morbidade e mortalidade, além de ameaçar o crescimento e desenvolvimento das crianças. A estimativa é que doenças relacionadas à falta de saneamento básico, higiene e saúde custem à economia do país cerca de 1 bilhão de dólares.

Ainda é cedo para saber se a tecnologia irá acabar com os problemas na região. Mas não dá para negar a genialidade do projeto, que garante a distribuição igualitária da água limpa, um direito fundamental à vida cada vez mais escasso e mal gerenciado em todo o mundo, inclusive no Brasil.

*Wrind
*Laboratório de Inovações para Aliviar a Pobreza de Lahore 

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Matéria-prima feita com cogumelo produz embalagens e objetos sustentáveis e biodegradáveis Suzana Camargo - 14/05/2015 às 11:53

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Se você separa o lixo reciclável na sua casa sabe bem do que estou falando. Diariamente nos descartamos de montanhas de resíduos. São embalagens e mais embalagens de todos os produtos que consumimos: caixa de sabão em pó, pote de iogurte, bandeja de carne e muito, muito mais. Apesar da grande maioria delas serem recicláveis, ainda estamos longe de ter um modelo ideal.

Buscando uma solução para este problema, uma empresa americana de design de produtos, a Ecovative, encontrou uma alternativa em meio à natureza: mais especificamente, em um fungo – o cogumelo. A ideia nasceu em 2007 com os estudantes de engenharia Eben Bayer e Gavin McIntyre.

Para fabricar a matéria-prima inovadora – segundo eles, o material cresce, não é fabricado, os engenheiros misturam subprodutos da agricultura (como sobras de feno e cascas de sementes) com micélio de cogumelo. Micélios são um conjunto microscópico de filamentos encontrados dentro de fungos, responsáveis pela sua sustentação e absorção de nutrientes.

Depois disso, há um processo como de fermentação, parecido com o que ocorre na massa de pão. Juntos, o micélio e o outro componente se tornam um material extremamente resistente, facilmente moldável e que pode ser utilizado na produção de embalagens, objetos de decoração e até material de construção.

materia-prima-feita-fungo-cogumelo-produz-embalagens-objetos-sustentaveis-biodegradaveis-luminariaLuminárias criadas com fungo de cogumelo

A principal diferença entre o material feito a partir do cogumelo é ser biodegradável, ou seja, após sua utilização, ele entra totalmente em decomposição em contato com o solo, ao contrário de outros materiais sintéticos e artificiais que demoram séculos para desaparecer no meio ambiente.

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Embalagem biodegradável entra em decomposição em contato com o solo

A criação dos jovens americanos já ganhou diversas premiações. Em 2008, recebeu 500 mil euros do PICNIC Green Challenge, um dos maiores prêmios internacionais de soluções para as mudanças climáticas. Durante o Fórum Econômico Mundial, em 2011, a empresa foi reconhecida como Tech Pioneer. Eben Bayer e Gavim McIntyer já participaram de dois TED Talk.

Agora em 2015, a equipe da Ecovative levou para casa o 2015 Design of the Year Award, organizado anualmente pelo Museu de Design de Londres. Vasos, luminárias e até pranchas de surfe já foram criadas com o material de cogumelo.

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Matéria-prima natural e sustentável

Veja no vídeo abaixo como é o processo de produção da matéria-prima com micélio:

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Fotos: divulgação Ecovative

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Vovô sírio transforma lixo em brinquedos para crianças refugiadas Vanessa Daraya - 12/05/2015 às 15:18

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A Síria enfrenta, desde 2011, uma triste guerra civil. Cerca de 10 milhões de adultos e dois milhões de crianças estão em campos de refugiados em países vizinhos. O carpinteiro Kareem, de 65 anos, vive com sua família no deserto da Jordânia. O abrigo onde mora está longe de ser confortável. Mas nada disso abala o vovô, que faz brinquedos com o que encontra no lixo para deixar a rotina de seus netos e das crianças da vizinhança mais leve.

Kareem levava uma vida agradável na Síria ao lado de seus 14 filhos. Eles eram donos de uma grande fazenda, tinham casas confortáveis e várias lojas em um vilarejo próximo à cidade de Homs. Quando a guerra começou, homens armados invadiram sua casa e ameaçaram matar sua família, a menos que ele entregasse suas economias. Foi quando decidiu abandonar tudo o que tinha construído em busca de um lugar mais seguro.

A UNHCR – agência da ONU para refugiados – e diversas ONGs oferecem o necessário para que famílias como a de Kareem possam viver com o mínimo de dignidade. Os refugiados têm casa, comida e roupas. Mas não há como negar a tristeza de deixar tudo para trás. “Fora daqui tínhamos conforto, uma casa boa e limpa. Quando chegamos, estava tudo sujo”, conta ele em entrevista para a UNHCR. “Mas tudo bem. É melhor do que nada. Agora estamos acostumados e felizes. Não podemos negar isso”.

Hoje, a maior reclamação de Kareem é a falta do que fazer. E, para acabar com o problema, ele decidiu usar o tempo livre para garantir a brincadeira da criançada. “Aqui é muito entediante. A única coisa que podemos fazer é comer e dormir… ou dormir e caminhar. É bom fazer algo para manter a mente ocupada”, explica.

Kareem usa sua habilidade de carpinteiro para fabricar brinquedos. Tudo é produzido com itens encontrados no lixo, como espumas de isolamento, cordas e arames. “Fico muito feliz quando vejo meus netos e outras crianças brincarem com as coisas que faço. Meu estresse vai embora”, diz.

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Um avião se destaca entre carrinhos, bicicletas, flores e outas peças feitas por Kareem. “Não pensava em guerra quando o fiz”, explica. “Eu viajava muito a trabalho para Arábia Saudita, Bahrein, Dubai. Adorava viajar de avião. Mas a imagem que nos marcou foi a de quando as aeronaves vieram nos bombardear. Fiz este brinquedo para nos lembrarmos daqueles aviões que eu amava”. Ele espera que, com suas criações, as crianças possam se distrair, ocupar suas mentes e imaginar um futuro melhor, onde poderão pilotar e andar de carro sem medo.

“Se eu pudesse, faria brinquedos ainda melhores”, conta Kareem, cujo maior desejo é voltar para casa. “Neste momento, eu quero paz e amor de volta à Síria. Nós éramos tão felizes… Espero que a gente possa voltar para o nosso país e ter esses dias de alegria de volta”.

Quer saber mais sobre essa história inspiradora? Veja, abaixo, o vídeo produzido pela UNHCR:

Crédito da foto: Reprodução/YouTube

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