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Escravo chinês denuncia trabalho forçado por meio de bilhete escondido em brinquedo Débora Spitzcovsky - 25/11/2013 às 09:00

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Parece história de filme, mas aconteceu de verdade. Em um dia comum, a norte-americana Julie Keith foi ao mercado comprar artigos de decoração para o Halloween. No entanto, dentro de um dos brinquedos que escolheu – uma espécie de imitação de lápide – para assustar quem passasse em frente a sua casa, encontrou algo apavorante de verdade: um pedido de socorro de um escravo chinês, que vivia em condições desumanas em um campo de trabalho forçado chamado Masanjia.

Jornadas de trabalho diárias de mais de 12 horas, sem descanso nos finais de semana ou feriados, além de espancamentos, privação de sono e torturas psicológicas foram alguns dos horrores descritos por Zhangcodinome escolhido pelo escravo chinês – em um inglês meio torto. “Se você comprar este produto, por favor, mande esta carta para a Organização Mundial de Direitos Humanos. Milhares de pessoas na China (…) vão ser gratas para sempre”, dizia o homem, no bilhete encontrado por Keith.

A norte-americana tentou pedir ajuda a alguns grupos defensores dos direitos humanos, mas, sem sucesso, recorreu ao Facebook. Foi na rede social de Zuckerberg que a história teve repercussão e ganhou o noticiário internacional, alertando para o problema do trabalho escravo na China

O episódio aconteceu há alguns anos – Zhang escreveu o pedido de socorro em 2008, Keith comprou o brinquedo em 2011 e o bilhete foi encontrado em 2012 –, mas ganhou os noticiários, novamente, neste mês de novembro. Isso porque a CNN encontrou o escravo chinês autor da carta e, sob garantia de anonimato, conseguiu que ele concedesse sua primeira entrevista contando os horrores que viveu em Masanjia.   

Segundo Zhang, ele foi levado ao campo de trabalho forçado pela própria polícia chinesa, pouco antes dos Jogos Olímpicos de Verão que aconteceram em Pequim, em 2008. O motivo? O mesmo que levou outras milhares de pessoas a serem escravizadas em Masanjia: divergências políticas e religiosas. Zhang era seguidor de um movimento espiritual chamado Falun Gong, que desde 1999 era proibido pelo governo chinês por ser considerado um “culto maligno”.

Condenado a passar 2,5 anos no campo de trabalho forçado – onde a tortura era mais intensa para aqueles que, como Zhang, recusavam-se a mudar suas crenças políticas e religiosas –, o chinês decidiu pedir ajuda por carta. Foram 20 bilhetes escritos na “ilegalidade”, com papel e caneta contrabandeados, e só um deles teve o destino que Zhang esperava. Cerca de três anos depois que o pedido de socorro foi escondido no brinquedo, Keith comprou o produto em um mercado dos EUA e encontrou o bilhete 12 meses depois.

Hoje, Zhang está livre e Masanjia, aparentemente, foi desativado. O chinês, no entanto, continua lutando por aqueles que não tiveram a mesma sorte que ele e continuam escravizados na China. Segundo Zhang, ainda há muitos campos de trabalho forçado no país asiático. Confira, na íntegra, a entrevista concedida à CNN

Foto: Julie Keith/Divulgação

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Comentários

26/11/2013 às 21:16 Abilio Junior - diz:

O que me deixa mais triste ainda é saber que a norte-americana tentou pedir ajuda a alguns grupos defensores dos direitos humanos, mas, foi sem sucesso.

26/11/2013 às 23:06 Maria Helena - diz:

Os campos de concentração ainda estão ativos no Planeta Terra, o fantasma do Carrasco Mao Tse Tung ainda povoa a China dilacerada pela saga da exploração monetária.
Até quando?

27/11/2013 às 11:34 joao pereira torres - diz:

será verdade esta barbaridade?

27/11/2013 às 12:03 Lercia - diz:

infelizmente ate hoje existem muitos que estão nessa situação. No Gabão por exemplo (Africa), muitas crianças vivem esta dura realidade.

27/11/2013 às 12:47 Vania - diz:

Indignação! Na minha cidade está cheio de lojinhas com esses artigos fabricados na China. Já se foi falado anteriormente quando lançaram a chamada loja de 1,99, mas parece que não acreditamos nisso. Sem esquecer as crianças escravizadas. Fazer o quê. Vê se tomaram alguma providência com relação às bijuterias contaminadas.

27/11/2013 às 14:32 michelle - diz:

O “engraçado” é que organizações de direitos humanos não estejam nem aí pra um caso desse, mas ir em cadeias para salvar assassinos e estupradores safados eles tem tempo e interesse.

27/11/2013 às 15:27 Tarso Santos - diz:

Eu realmente queria entender o papel dos direitos humanos no mundo. Após esta denuncia, com provas reais, não foi muito bem aceita pelos grupos de direitos humanos. Vejo os direitos humanos com uma presença muito forte quando os noticiários apresentam violência ou morte para bandidos, estupradores, etc. Esta realidade existe aqui no Brasil também em muitas confecções de roupas que prestam serviços a grandes marcas que pagamos caro entre outras áreas por ai.

30/11/2013 às 11:59 Walderio de Souza Dantas - diz:

— Acho uma tremenda barbaridade, em pleno século XXI. Onde estão os Direitos Humanos Internacionais???

01/12/2013 às 07:44 Aissa Mussah - diz:

- Só nos resta pedir Ajuda Divina pois sabemos que o Deus Pai, o Criador da Humanidade Inteira, o Todo Poderoso, nos Poderá Ajudar.
- Porque ELE mesmo disse:- “Pedi e recebereis”.
- Então nós dizemos:- Deus Pai Todo Poderoso, nós Vos Suplicamos, com toda a nossa humildade, Vos pedimos, para Perdoar as nossas falhas e para Ajudar-nos a todos nós Vossas criaturas, no mundo inteiro, a fim de Vos Adorar, Vos Amar ó Pai do Céu Amado por nós, Nós Vos Suplicamos, com toda a nossa humildade, para Ajudar-nos a amar-nos e a respeitar-nos uns aos outros, pois somos Vossos filhos e Vossas filhas, irmãos e irmãs de Nosso Senhor Jesus Cristo-Deus Feito Homem na Unidade do Espírito Santo. Que Assim Seja Feita a Vossa Vontade PAI DO CÉU, DEUS PAI AMADO, CHEIO DE INFINITO AMOR POR TODOS NÓS VOSSAS CRIATURAS NO MUNDO INTEIRO !!! Ámen !!!

01/12/2013 às 11:35 Carlaile Pina Meireles - diz:

Postei um comentário a respeito disto, no yahoo…
A ONU tem que ser mais atuante!…
E o Brasil, um dos membros do tal ” BRICS “… o que tem a dizer sobre isto?
Acorda, humanidade!…

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