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Japão inaugura duas megaplataformas solares flutuantes Suzana Camargo - 30/04/2015 às 10:33

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Depois do terremoto e tsunami que atingiram o Japão em 2011 e provocaram a explosão da usina nuclear de Fukushima, o país tem investido fortemente em outras fontes energéticas, principalmente renováveis. Antes do acidente, apenas 11% da energia produzida lá era limpa, basicamente vinda de hidrelétricas.

Nos últimos anos, entretanto, o governo japonês, em parceria com a iniciativa privada, apoiou iniciativas que privilegiem a geração de energia eólica e solar. Recentemente, a empresa de tecnologia Kyocera anunciou a inauguração de duas plantas solares gigantese flutuantes – na cidade de Kato, na província de Hyogo. Juntas, as plataformas possuem 11.265 módulos solares.

Construídas em apenas sete meses, elas foram instaladas sobre dois reservatórios de água: Nishihira e Higashihira. As plataformas vão gerar cerca de 3,300 megawatt hora (MWh) por ano, volume este que suprirá a demanda anual de eletricidade de aproximadamente 920 residências. A energia produzida pela planta será vendida para a companhia de eletricidade local.

O mais interessante do projeto é que estudos realizados pelos pesquisadores da Kyocera mostram que a instalação de plataformas solares sobre reservatórios de tratamento de água traz importantes benefícios para ambos:

- sistemas flutuantes de produção de energia solar geram mais eletricidade do que aqueles montados sobre o solo ou telhados devido ao efeito de resfriamento da água;

- a sombra da plataforma reduz a evaporação de água do reservatório e o crescimento de algas;

- plantas solares flutuantes são 100% recicláveis, já que utilizam polietileno de alta densidade, que pode resistir a raios ultravioletas e à corrosão.

Por último, as estruturas foram projetadas para suportar estresses físicos extremos, incluindo terremotos e furacões, bastante comuns na Ásia.

No vídeo abaixo você tem a real dimensão do projeto, através das images de um sobrevoo sobre uma das plataformas que foram inauguradas em março deste ano:

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Foto: divulgação Kyocera

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‘Tem mais gente lendo’ incentiva leitura em espaços públicos e só cresce Vanessa Daraya - 28/04/2015 às 09:00

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“Brasileiro não gosta de ler”. É provável que você já tenha escutado essa frase por aí. Mas ela está bem longe de ser verdade. O projeto Tem Mais Gente Lendo* (TMGL, como é chamado pelos idealizadores) prova que brasileiro gosta, sim, de ler. E muito! Criado pelos jornalistas Sérgio Miguez e Hamilton dos Santos, o movimento fotografa e divulga nas redes sociais pessoas enquanto leem em espaços públicos. Afinal, tem coisa mais bonita de se ver do que alguém apreciando um bom livro?

Tudo começou há cerca de dois anos, quando Sérgio passou a publicar em sua página do Facebook imagens de pessoas lendo no metrô com a hashtag #temmaisgentelendo. Não demorou muito para que Hamilton, seu amigo, também notasse o fenômeno. “As pessoas deveriam estar no smartphone, no tablet… Uma das coisas que passou pela minha cabeça foi: isso é incompatível com o que dizem as pesquisas. De fato, há uma diminuição na compra de livros. Mas isso não significa que as pessoas não estejam lendo”, me contou Hamilton. “Pode ser que as pessoas comprem menos, mas leiam mais. Isso não é contraditório. Elas podem pegar livros emprestado ou ler aqueles que compraram há muito tempo e estavam naquela velha pilha”.

Hamilton, então, também aderiu ao movimento de Sérgio e começou a postar registros de pessoas lendo, em seu Facebook. As publicações dos dois amigos repercutiram tão bem que resolveram criar uma página na rede social para centralizar o conteúdo em um único local. “Assumimos que era um projeto de incentivo à leitura nos espaços públicos. Não por meio de discursos edificantes, mas por meio da tecnologia, da difusão da imagem e das redes sociais. Ao mesmo tempo em que valorizamos o gesto da leitura a partir de fotos bonitas, também valorizamos o espaço público”, explica o jornalista.

Aos poucos, o projeto saiu do metrô e ganhou outros lugares, como ônibus, parques e até praias. Já são mais de 900 fotos publicadas, com cliques de gente lendo os mais diversos tipos de livros, que vão desde George R. R. Martin, Edmund Wilson e Madame Bovary à Bíblia e Zíbia Gasparetto. “Esse é o maior charme do projeto: a gente só registra o movimento do leitor. O gosto do leitor. Não o nosso”, conta.

E se alguém não curtir aparecer na página do TMGL, não tem problema! Apesar de a maioria dos registros não mostrar o rosto para preservar o direito de imagem das pessoas, basta pedir para tirar a foto do ar que a equipe se encarrega disso.

Na internet, o movimento extrapolou as fronteiras do Facebook e das imagens. Hoje, há o blog do TMGL*, que reúne conteúdos relacionados ao mundo dos livros a partir do gosto e da perspectiva do leitor. Um dos exemplos é a lista com objetos que ajudam a ler com mais conforto. Há também rankings dos livros mais lidos no metrô de São Paulo. “Fazemos uma cobertura que não tem pressupostos. Ela é popular. Para onde o leitor aponta a gente vai. Estamos tentando organizar esse conteúdo de alguma forma, com vários formatos e meios, entre eles vídeos”. Veja, abaixo, uma produção com algumas inspirações que deram vida ao projeto:

A equipe também cresceu. Apesar de não ter ninguém dedicado exclusivamente ao TMGL, hoje, além de Sérgio e Hamilton, fazem parte do projeto outros profissionais, também amantes de livros. O administrador Alexandre Campos, o designer gráfico Peu Ishio, e os jornalistas Carol Argamim Gouvêa e André Azevedo fazem parte do grupo.

Tudo isso sem falar dos incontáveis colaboradores virtuais. “Temos recebido muitas mensagens. As pessoas enviam fotos de todo o Brasil. Ainda não conseguimos publicar tudo que chega, mas divulgamos na medida do possível. Criamos uma rede e achamos que ela será ampliada”, afirmou.

Vale lembrar que o TMGL é talvez o mais recente projeto de incentivo à leitura. Existem outros como já contamos aqui no Planeta Sustentável sobre o Leitura no Vagão (parceiro do TMGL), que distribui livros nos bancos dos metrôs de São Paulo. E também o Underground New York Public Library*, da fotógrafa Ourit Ben-Haim, que registra leitores no transporte público de Nova York, nos Estados Unidos.

No blog do TMGL, Hamilton publicou uma entrevista com o fotógrafo holandês Reinier Gerritsen, viciado em clicar gente devorando livros no metrô de Nova York e autor da série The Last Book*, em que reúne esses retratos. E essas são apenas algumas provas de que, sim, tem mais gente lendo no Brasil e no mundo. E sempre terá!

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*Tem Mais Gente Lendo
*Blog do TMGL
*Underground New York Public Library 
*The Last Book

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Primeira Foto: Divulgação/TMGL/Bruna Goldberger Teixeira Coelho
Segunda fotoDivulgação/TMGL

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Recomeço com emprego e dignidade: no Magdas Hotel, em Viena, todos os funcionários são refugiados Suzana Camargo - 23/04/2015 às 18:38

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Este não é um hotel como outros. Logo de cara, na entrada, ao lado do lobby, uma série de retratos na parede fazem as primeiras apresentações. O Magdas Hotel, em Viena, na Áustria, é um lugar cheio de histórias.

Histórias como a do iraniano Antonio Piani, que fugiu de seu país natal há mais de dez anos. No Irã, foi preso diversas vezes porque lutava pela democracia. Chegou à Áustria como exilado, mas nestes anos todos, nunca conseguiu um emprego estável. Descobriu que apesar de estar longe da ditadura, a falta de um trabalho o impedia de se tornar um homem livre.

Assim como Piani, o nigeriano Segun Brince buscou asilo em Viena. Por ser cristão, sua mulher foi morta por terroristas do grupo fundamentalista islâmico Boko Haram, na Nigéria, e ele teve de ir embora.

Brince e Piani são funcionários no Magdas Hotel. Ao lado deles, refugiados de outras 14 nacionalidades trabalham no local. Eles ocupam as mais diferentes funções: de chefs de cozinha a camareiros, eletricistas a recepcionistas. São as lindas fotos deles, que dão as boas-vindas aos hóspedes.

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Retratos dos funcionários no lobby do Magdas Hotel

A ideia do hotel é criar um ambiente em que pessoas de todos os cantos do planeta, sejam elas turistas ou refugiados – tenham a chance de conviver e conhecer a história do próximo.

A iniciativa do Magdas Hotel é da organização europeia Caritas, que faz trabalho filantrópico no mundo todo, frequentemente com refugiados. A Europa vive um momento dificílimo: milhares de pessoas chegam todos os dias ao continente, tentando fugir da fome, terrorismo e guerras civis. Muitos já morreram no caminho, em travessias ilegais, até a costa da Itália.

O hotel de Viena, inaugurado em fevereiro deste ano, é um negócio social. Pretende resolver um problema social e econômico. Mas justamente por isso, não receberá subsídios ou doações. Terá que gerar lucro para continuar de portas abertas. Pelo sucesso dos primeiros meses e a receptividade dos hóspedes, o hotel terá vida longa.

O prédio do Magdas era um antigo abrigo de idosos, localizado em frente à famosa roda-gigante da cidade. Reformado, ganhou decoração minimalista e clean. Os alunos da Academia de Belas Artes de Viena, vizinha de bairro, colaboraram com diversas obras de arte e pinturas na parede. Na escadaria, que leva aos 78 quartos do hotel, estão penduradas bandeiras que representam as nacionalidades dos refugiados.

recomeco-com-emprego-e-dignidade-no-magdas-hotel-em-viena-todos-funcionarios-sao-refugiados-ambiente-560O hotel é um negócio social, criado para solucionar um problema econômico e social

Pelos corredores podem ser ouvidos 23 idiomas. Línguas diferentes, mas de pessoas unidas por um objetivo comum: ter um emprego, que garanta uma vida com liberdade e dignidade. Pessoas que fugiram de terras distantes e buscaram um novo recomeço longe de seus amigos, familiares e lembranças mais queridas.

Certamente este é um hotel único. Uma iniciativa brilhante, que merece ser replicada em outros lugares do mundo.

Na foto abaixo, você conhece a equipe completa do Magdas Hotel de Viena.

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Posando para foto: refugiados de 14 nacionalidades, que falam 23 idiomas

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Fotos: divulgação Magdas Hotel

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