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A casa sustentável: o futuro que já chegou Suzana Camargo - 31/07/2014 às 14:15

casa honda

Aquecimento global e mudanças climáticas são termos que deixaram de fazer parte somente da conversa de cientistas. Hoje estão integrados no nosso dia a dia. Sabemos que para enfrentar a transformação que o planeta vem sofrendo, precisamos nos adaptar e viver de forma diferente.

Para atender esta demanda, pesquisadores da Universidade da California Davis (UC Davis), a fabricante de veículos Honda e uma equipe de arquitetos e engenheiros criou a Honda Smart Home, a casa com emissão de carbono zero.

A construção foi erguida na cidade universitária de Davis, a cerca de 25 quilômetros de Sacramento. Tem 180 m2, com três quartos e dois banheiros. No total, o projeto levou dois anos para ser concluído.

A concepção da planta partiu da técnica conhecida como passive design. Ao estudar o movimento da rotação da Terra e, consequentemente, a direção dos raios do sol nas diferentes épocas do ano sobre o terreno onde a casa iria ser construída, os arquitetos projetaram a planta, que utiliza da melhor forma possível a luz solar. Com isso, reduziu-se a necessidade do uso de aquecimento ou ar-condicionado.

casa honda - luz naturalMáximo uso da luz natural para economizar energia

Desta maneira, durante o verão, o telhado da casa bloqueia mais o sol e mantem o ambiente fresco e no inverno possibilita o maior uso de calor natural. “É fundamental otimizar a colocação de janelas, portas e escadas ao projetar um ambiente eficiente energeticamente”, explica Michael Koenig, líder do projeto.

A mesma lógica do ciclo natural – dia versus noite, foi utilizada para a iluminação, que respeita e acompanha o ritmo e o relógio biológico dos moradores. Lâmpadas LED – cinco vezes mais eficientes que as tradicionais, se revezam automaticamente com tons mais quentes nas primeiras horas da manhã, tornando-se mais frias durante a tarde e mudando para um tom mais azulado e calmante à noite, para que os moradores possam relaxar e ter uma boa noite de sono.

casa honda - iluminaçãoIluminação LED digital muda os tons conforme passam as horas do dia

O telhado de metal – mais durável e reciclável – recebeu uma centena de paineis solares. Toda a madeira utilizada para erguer o “esqueleto “ da casa é certificada. No piso, concreto polido, que além de durar mais e ser fácil de limpar, acumula menos poeira e provoca menos alergias respiratórias.

A água da chuva e das tempestades que cai do telhado, escorre através de calhas em pequenas rochas no quintal. À medida que a água penetra na terra, a poluição é naturalmente filtrada pelo solo. Além disso, as plantas escolhidas para o jardim são nativas da região e praticamente não precisam ser regadas. Quando isso se faz necessário, é utilizada água de reuso purificada, proveniente de pias, vasos sanitários e máquina de lavar.

casa honda jardimPlantas nativas e água de reuso no jardim

Um dos pontos mais impressionantes do projeto é que através do uso inteligente de recursos naturais – sol, vento e água, a casa produz mais energia do que consome. No subsolo, foram instaladas bombas de energia geotérmica. O sistema de aquecimento e resfriamento distribui esta energia uniformemente através da  circulação de água, feita por uma rede de tubos instalados nos pisos, paredes e tetos.

Na garagem, uma bateria de lítio de 10kWh armazena energia solar para que ela possa ser usada à noite, quando normalmente ocorre o pico da demanda doméstica e veículos elétricos são geralmente recarregados.

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O mais bacana é que projeto sustentável foi feito para ser disseminado. No site da Honda Smart Home é possível fazer download de todas as plantas da casa inteligente e saber mais sobre os materiais empregados. “Nossa intenção é que todas as pessoas conheçam nosso projeto e de alguma maneira possam aplicar alguma coisa em suas casas”, revela Koenig.

Mas o americano ressalta que governos devem estimular aqueles que investem em construções sustentáveis. “Deve haver algum incentivo financeiro, redução nas contas ou ainda, que seja criado um mercado de compra e venda de energia para estes tipos de casas”.

A casa do futuro já existe. Agora precisamos colocar em prática o mercado regulado pela economia verde.

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Fotos: divulgação

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Fim ao desperdício de alimentos: conheça a história do Pay as You Feel Cafe Suzana Camargo - 24/07/2014 às 11:26

Fim ao desperdício de alimentos a história do Pay as You Feel Cafe (5)

Quantos vezes você já não se sentiu culpado por jogar sobras de comida no lixo? Assim como você, o inglês Adam Smith e a brasileira Johanna Hewitt (ela nasceu no Brasil e fala português), fundadores do projeto The Real Junk Food*, também estavam chocados com a gigantesca quantidade de alimentosem excelente estado ainda para ser consumida,  que é simplesmente descartada.

O casal se reuniu com um grupo de amigos, também incomodado com o imenso desperdício, e decidiu fazer algo para mudar esta realidade. E começou a fazer a diferença onde vivia, na cidade de Leeds, no norte da Inglaterra.

No Pay as You Feel Cafe (em tradução livre, “Café Pague se Você Quiser”), todos os pratos do cardápio são preparados com ingredientes que seriam jogados fora. Não significa que a equipe retira sobras da lixeira, mas na verdade, utiliza alimentos que já estão com o prazo de validade vencido – mas podem sim ainda ser consumidos, com rótulos incorretos ou simplesmente comida que seria descartada.

Cardápio variado e balanceado muda diariamente

“Os alimentos vêm de várias fontes, incluindo restaurantes, empresas, supermercados, feiras”, conta Adam. O cardápio muda diariamente. “Criamos pratos todos os dias com base no que temos no estoque”. Há sempre preocupação em preparar refeições bem variadas nutricionalmente.

A experiência inicial do projeto aconteceu em dezembro do ano passado. Adam, que é chef profissional, cozinhou um jantar de Natal para os moradores sem-teto de Leeds. A iniciativa foi um sucesso e desde então o Pay as You Feel Cafe abre todos os dias da semana, entre 9h e 16h. O lugar é pequeno e simples. O pessoal do The Real Junk Food Project não paga aluguel por ele. O restaurante acomoda até 30 pessoas.

Fim ao desperdício de alimentos a história do Pay as You Feel Cafe (8)Dia cheio no Pay as You Feel Cafe

Os cinco amigos, co-diretores do café e integrantes da iniciativa (um deles também é chef) são jovens ativistas, que desde cedo estavam engajados em movimentos de mudanças políticas, sociais e ambientais.

Para administrar o dia a dia do restaurante, contam com a ajuda de voluntários, que se revezam na cozinha, no atendimento aos clientes, na realização de eventos e num dos momentos mais importantes de todos: a captação de alimentos e recebimento de doações pela cidade. Eles gostam de se intitular interceptadores do desperdício.

Fim ao desperdício de alimentos a história do Pay as You Feel Cafe (9)Doações de frutas e verduras

 Pelos cálculos de Adam, até agora o Pay as You Feel Cafe já evitou que mais de 10 mil quilos de comida fossem jogados em aterros. Até agora quase 3 mil pessoas foram atendidas e cerca de 4 mil refeições servidas. E quem são os clientes? Os mais diversos. De idosos a adolescentes, crianças a adultos. Até o tricampeão do Tour de France, Greg Lemond comeu no restaurante, quando esteve em Leeds para o Grand Départ da competição.

O pagamento pelo serviço é realmente opcional. Há quem pague, outros não. Alguns realmente nem têm dinheiro para tal. Mas isso não faz a mínima diferença para os jovens voluntários do projeto. “O que importa é que estamos tendo um impacto direto e positivo sobre a vida das pessoas”, diz Adam.

Assim como o trabalho realizado pelo Pay as You Feel Cafe, estão surgindo outras iniciativas similares no Reino Unido. Lugares com o intuito de alimentar o mundo e acabar com o desperdício.

É bom lembrar que estimativas apontam que 1,3  bilhão de toneladas de comida são perdidas anualmente no planeta, aproximadamente 40% da produção global. Estudos britânicos apontam que grande parte desde desperdício se deve à legislação de segurança alimentar por demais rigorosa e confusa.

*The Real Junk Food Project


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Fotos: The Real Junk Food Project

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Põe no Rótulo: pais de crianças com alergias pedem informações claras Marina Maciel - 15/07/2014 às 09:00

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Como se já não bastasse a dificuldade de ler as pequenas letras dos rótulos, existem informações que não constam na embalagem dos produtos – e elas podem ser vitais a pessoas com alergias. De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai), de 6% a 8% das crianças brasileiras e de 2% a 3% dos adultos possuem algum tipo de alergia alimentar.

Para pedir mais segurança para comer, 600 mães e pais de crianças alérgicas se uniram na internet e criaram a campanha Põe no Rótulo*. Lançada em fevereiro deste ano, defende a obrigatoriedade de informações claras nos rótulos de produtos industrializados. Isso porque nem sempre substâncias que podem induzir uma reação alérgica – como leite, soja, ovo, peixe, amendoim, entre outros – estão identificadas nos produtos.

Estudos da Unidade de Alergia e Imunologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) mostram que 39,5% das reações alérgicas infantis são relacionadas a erros na leitura de rótulos dos produtos. Dependendo do grau de sensibilidade, o alérgico pode ter reações graves que podem levar à morte, como choque anafilático.

Celebridades como Thiago Lacerda, Leticia Spiller, Juliana Paes e Zeca Baleiro postaram fotos no Facebook, Instagram e Twitter apoiando a campanha, usando a hashtag oficial #poenorotulo.

A mobilização foi tanta que sensibilizou a Diretoria Colegiada da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que regula os rótulos dos alimentos no Brasil. Para definir mudanças nos rótulos que contêm substâncias capazes de provocar alergia,o órgão abriu consulta pública online. Para participar basta preencher o formulário no site com sugestões e comentários até 18/08. Após a decisão final da agência, as indústrias terão prazo de um ano para se adequar às novas regras.

*Põe no Rótulo

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Imagem: Reprodução

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A redação do PLANETA SUSTENTÁVEL é um encontro de pessoas envolvidas com um grande desafio: trabalhar a sustentabilidade como um tema urgente, transversal e inspirador, tradutível em múltiplas linguagens e necessário para os diversos públicos. Aqui, a editora Mônica Nunes, as repórteres Marina Maciel Vanessa Daraya e a jornalista Suzana Camargo (que colabora com o Planeta desde 2009) indicam lugares imperdíveis da web e contam novidades e boas histórias sobre cultura, sociedade, meio ambiente, cidadania, mudanças climáticas, mobilidade, inovação, direitos humanos, economia verde e muito mais.

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