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Felipe Calderon convoca apoio de países africanos na COP16 Débora Spitzcovsky - 30/11/2010 às 19:12

Marina Franco

Eventos extremos do clima, como as secas, tempestades e furacões, têm a ver com as mudanças climáticas. Por isso, “hoje mais do que nunca é necessário tomar medidas efetivas para deter a mudança do clima”. Foi essa ideia que marcou o discurso do presidente do México, Felipe Calderon, na abertura da COP16.

Calderon citou exemplos de desastres naturais como as fortes chuvas que mataram 60 mexicanos nesse ano, a grave seca na África e os incêndios ocorridos na Rússia. “Estou convencido de que, sim, podemos mudar o curso dos acontecimentos. Se trata de um desafío global que exige uma resposta global”, defendeu.

Felipe Calderon, presidente mexicano, na abertura da COP16

O presidente mexicano dedicou atenção ao continente africano em seu discurso, dizendo que a região é a que menos gera emissões, mas a que mais pode sofrer com as consequências do aquecimento global. Por isso, seria a mais beneficiada se os países reunidos na COP chegarem a um acordo global eficaz. “Hoje a África e todo o mundo tem mais secas e ao mesmo tempo mais inundações, com efeitos nocivos para a nossa população. Os povos situados no litoral são ameaçados pelo aumento do nível do mar”, destacou. Além disso, ressaltou que espécies silvestres já estão ameaçadas de extinção e que a escassez de água prejudica a agricultura, entre outros problemas. Por outro lado, na visão de Calderon “ainda não temos os incentivos necessários para promover uma mudança rumo à economia de baixo carbono, nem os instrumentos adequados para incentivar a transferência de recursos financeiros e tecnologia dos países desenvolvidos para os em desenvolvimento.”

Neste sentido, Calderon pediu o apoio e participação dos países africanos para o avanço das negociações sobre:
- adaptação às mudanças climáticas;
- disposição de tecnologias para os países em desenvolvimento;
- o papel das florestas na mitigação dos efeitos das transformações do clima e
- financiamento para projetos de mitigação.

“Precisamos adotar um pacote ambicioso, compreensivo e balanceado para nos conduzir a ações efetivas. Com a disposição política das nações africanas, seu apoio e as bases de uma abordagem pragmática que nos permita começar a agir, Cancun poderia inaugurar uma nova era de acordos sobre mudanças climáticas. Isto é o que as pessoas esperam”, concluiu o presidente.

(Foto: UNFCCC/ONU)

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Mortes por causas climáticas dobram em 2010 Planeta Sustentável - 30/11/2010 às 18:13


No ano passado, 10 mil vidas foram perdidas em desastres climáticos. Nos primeiros nove meses de 2010, este número mais que dobrou: 21 mil mortes, segundo relatório da Oxfam*, organização humanitária internacional.

O documento, intitulado “Agora, mais que nunca: negociações sobre o clima que funcionem para quem mais precisa delas”, foi lançado ontem, 29, primeiro dia da COP16 – Conferência da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas, da qual participam representantes de 194 partes (193 países + União Europeia).

“Cancún (onde ocorre a COP16) não vai ver os governos cruzarem a linha de chegada (que é desaceleração das mudanças climáticas), mas eles podem dar passos vitais para trazer essa linha de volta à vista”, diz o relatório, com esperança.

Infelizmente, o resto do documento é bastante desalentador:
- 2010 já viu o menor nível de água do Rio Negro, na bacia do Amazonas;
- as temperaturas mais altas já alcançadas na Ásia (53,7ºC), na Rússia;
- inundações que mataram mais de 2 mil pessoas no Paquistão;
- o terceiro nível de gelo mais baixo do oceano Ártico
- inundações na China que afetaram 140 milhões de pessoas (com secas igualmente severas, que atingiram 51 milhões de chineses).

Se barrar o aquecimento global por completo é impossível, subir apenas dois graus na temperatura (que é a meta firmada na COP15, no ano passado em Copenhague) parece igualmente utópico. Mas o relatório da Oxfam acredita que há como reverter essas mudanças climáticas e apresenta três frentes de atuação que considera mais importantes: 1. Estabelecimento de um fundo global para o clima, destinado às pessoas pobres, especialmente mulheres, como carro-chefe do progresso sobre o financiamento do clima; 2. O fim de compromissos de mitigação dos países desenvolvidos e aceitação de que eles não serão suficientes para mandar o aquecimento global abaixo de 1,5ºC – e fazer algo a respeito; 3. Chegar a um consenso para um acordo abrangente que seja compreensivo, justo, ambicioso e que comprometa a todos, tanto para o Protocolo de Kyoto e Ação de Cooperação de Longo Prazo (AWG-LCA).

Um único dólar investido em adaptação economiza 60 dólares em contenção de danos, informa o documento. "Os países devem identificar novas formas de arrecadar bilhões de dólares necessários, como impondo tarifas sobre as emissões não-reguladas da aviação e da navegação internacionais, e aceitando uma Taxa de Transações Financeiras sobre os bancos", sugere Tim Gore, autor do relatório, em nota no site da Oxfam.

Reduzir a temperatura da Terra é praticamente impossível (e muito, muito caro). Por isso, é preciso deixar os egos de lado e atuar em conjunto para que isso não aconteça. Parece fácil?

*Oxfam

Lívia Aguiar (imagem: Newsbeats via Flickr Commons)

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Maior barco solar do mundo estará na COP16 Débora Spitzcovsky - 30/11/2010 às 18:00

Mônica Nunes/Débora Spitzcovsky

O maior barco do mundo movido a energia solar, o MS Tûranor – ou PlanetSolar, como é mais conhecido –, atracará no porto de Cancún, no México, nos próximos dias. A “visita” tem um motivo nobre: a COP16 – 16ª Convenção das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que acontece no local até o dia 10 de dezembro.

Ao chegar ao porto mexicano com o catamarã, que possui 500 m² de sua superfície cobertos por células fotovoltaicas e funciona, apenas, a base de energia solar, a equipe de 6 tripulantes do PlanetSolar espera fazer os participantes da COP16 acordarem para o fato de que o mundo já tem tecnologia suficiente para passar a usar, apenas, fontes limpas de energia.

“O PlanetSolar é a prova de que podemos mudar para um modelo de baixo carbono hoje, não amanhã”, disse o projetista do barco, Raphael Domijan, em entrevista ao portal Veja.com, da Editora Abril. (Assista ao vídeo da entrevista, na íntegra, aqui

Após finalizarem a missão de tentar influenciar os participantes da COP16 a se comprometerem mais com a redução de emissões globais de GEE, os tripulantes do PlanetSolar seguirão em busca de outro objetivo: ser o primeiro barco movido, apenas, a energia solar a dar uma volta completa pela Terra.

Leia também:
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*PlanetSolar 

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