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Brasil: país que mais trafica mulheres na América do Sul Débora Spitzcovsky - 30/06/2010 às 19:07

A afirmação foi feita no relatório Trafficking in Persons to Europe for Sexual Exploitation, divulgado nesta quarta-feira, dia 30 de junho, pelo UNODC – Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. O estudo mostrou que, por ano, 70 mil mulheres são traficadas para a Europa Ocidental para trabalhar no mercado do sexo, que movimenta cerca de R$ 5,5 bilhões anualmente. 

O relatório apontou ainda que 13% das escravas sexuais são “exportadas” de países sulamericanos e, sobretudo, do Brasil, que aparece em primeiro lugar no ranking, traficando por ano 5 vezes mais mulheres do que o Paraguai, que ocupa a segunda posição. E pior: o tráfico sexual nos dois países, juntos, cresceu 20% em apenas 6 anos.

Ainda segundo o relatório, a maioria das vítimas brasileiras são meninas jovens, que moram em regiões pobres do norte do país – principalmente nos estados do Amazonas, Pará, Roraima e Amapá – e são forçadas a ir, sobretudo, para Espanha, Itália, Portugal e França para trabalhar no mercado do sexo. Muitas são estupradas, drogadas e chantageadas pelos traficantes para embarcarem para a Europa e, quando chegam ao destino, têm seu passaporte confiscado. Já outras vão por vontade própria, iludidas por falsas promessas de emprego.

Para combater essa triste realidade, a ONU lançou, juntamente com o relatório, a campanha mundial The Blue Heart, que pretende combater não só a exploração sexual, mas todo o tipo de tráfico humano. Para isso, a iniciativa pede a ajuda de todos os cidadão, já que o trabalho escravo de homens, mulheres e crianças só terá fim quando a sociedade parar de consumir produtos fabricados nessas condições e deixar de pagar pelo serviço de escravas sexuais. Quem quiser aderir à iniciativa, pode adicionar o perfil da The Blue Heart no Facebook ou, ainda, colocar o logo da campanha no seu site ou blog. Participe

Veja o relatório Trafficking in Persons to Europe for Sexual Exploitation, em inglês, na íntegra.

(Mônica Nunes/Débora Spitzcovsky)

Leia também:
Internet contribui para a exploração sexual infantil 
Contra o tráfico de mulheres e crianças

*UNODC 
*The Blue Heart         

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Plástico nos oceanos pode virar ilha para refugiados climáticos Planeta Sustentável* - 28/06/2010 às 17:29

Por Thays Prado
O Fundo de Arquitetura Holandês quer transformar as toneladas de plástico que flutuam, atualmente, nos oceanos – e têm uma pegada de carbono equivalente à da França e à da Espanha juntas – em uma ilha habitável, sustentável e comunitáriano Pacífico, com cerca de 10.000 Km², mais ou menos o tamanho da principal ilha do Havaí.

A ideia do projeto Recycled Island (Ilha Reciclada) é, além de dar um destino melhor para esse lixo todo e limpar os oceanos, garantir que as pessoas que perderem suas casas e suas terras, por conta dos graves efeitos causados pelas mudanças climáticas, possam ter onde morar sem dependerem (tanto) da ajuda de outros países. De acordo com o Greenpeace, nos próximos 30 anos, pode ser que o aquecimento global gere mais de 200 milhões de refugiados. Até agora, 20 milhões de pessoas já precisaram deixar suas casas em função de catástrofes climáticas, como secas intensas, enchentes e derretimento do gelo.

Apesar do estilo de vida mais urbano – afinal, mais da metade da população mundial vive, hoje, em cidades –, não serão utilizados materiais poluentes na construção da ilha, que conterá bastante verde, prezará pelo meio ambiente e será autossuficiente. A produção de comida será local e a geração de energia, feita a partir da luz solar, do movimento das ondas e dos ventos. Os resíduos dos banheiros, por exemplo, deverão ser utilizados para adubar o solo para a produção agrícola. As fazendas de algas serão fonte de trabalho, comida, remédios, biocombustíveis, fertilizantes, estímulo para o aumento da população de peixes e sequestro de carbono.

O local escolhido para a construção da Ilha Reciclada, o Giro Pacífico Norte, é onde se concentra a maior quantidade de resíduos plásticos já encontrada. Isso vai poupar o transporte dos materiais e evitar, portanto, a emissão de gases de efeito estufa. Como esse amontoado de lixo é flutuante, pode ser que a ilha seja construída em outro lugar caso a sopa de plástico se mova.

- Fundo de Arquitetura Holandês
- Recycled Island

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Médica sulafricana distribui camisinhas antiestupro na Copa Thays Prado - 23/06/2010 às 10:14

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A médica sulafricana Sonnet Ehlers está distribuindo 30 mil camisinhas antiestupro em todas as cidades que tem recebido os jogos da Copa do Mundo este ano. É que o país sede do Mundial é um dos locais com mais alto índice de estupros: 28% dos homens da África do Sul já estupraram pelo menos uma mulher ou criança, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Medical Research Council. No continente africano, as mulheres vítimas de abuso sexual nem sempre recebem atendimento médico e os agressores dificilmente são punidos.

Inserida no canal vaginal como um absorvente íntimo, a Rape-aXe possui dentes em seu interior que não machucam a mulher, mas se agarram fortemente ao pênis assim que acontece a penetração. Depois que a camisinha gruda, o homem não consegue fazer xixi e mal tem forças para andar. E se tentar retirá-la sozinho, vai sentir mais dor, pois ela tende a apertar ainda mais. Só um médico é capaz de removê-la. A intenção é que, no momento do procedimento cirúrgico, já haja um policial do lado do agressor para prendê-lo.

Sonnet garante que os dentes não chegam a perfurar a pele, evitando qualquer risco de contaminação com sangue. Além da ação antiestupro, a camisinha ainda protege contra doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada.

A ideia surgiu quando Sonnet foi procurada, há quarenta anos, por uma mulher que havia acabado de ser estuprada e desabafava: se ao menos eu tivesse dentes lá embaixo! Diante daquela declaração, a médica, que tinha apenas 20 anos na época, prometeu que faria algo pelas mulheres vítimas de abuso sexual. Ela chegou a vender casa e carro para desenvolver o projeto da Rape-aXe, que contou com consultoria de ginecologistas, psicólogos e engenheiros.

O assunto já causou polêmica. Há quem argumente que os homens pegos pela armadilha poderiam se tornar ainda mais violentos e agredir ou matar suas vítimas. Ou que a atitude prejudicaria o psicológico das mulheres usuárias da camisinha antiestupro, que agiriam como se estivessem se antecipando a algo que pode lhes acontecer a qualquer momento. Além do mais, o uso da Rape-aXe não evita a primeira penetração.

Sonnet rebate as críticas alegando que, atualmente, as mulheres já tomam medidas parecidas, mas perigosas, para se proteger, usando shorts de ciclistas apertados por baixo da roupa ou mesmo inserindo, na própria vagina, lâminas de barbear envolvidas em esponjas. A sugestão da médica é que as mulheres utilizem o preservativo antiestupro quando forem se encontrar com desconhecidos ou andar por lugares que não sejam seguros.

Aos que chamam o artifício de medieval, Sonnet responde: “Pode ser medieval, mas é para combater uma ação também medieval que tem se arrastado por décadas”.

As camisinhas, ainda em fase de teste, podem chegar ao mercado a 2 dólares a unidade.

E você, é a favor do uso da Rape-aXe?

*Rape-aXe   

Via CNN

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