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Economia de baixo carbono independe da COP Thays Prado - 30/11/2009 às 19:32

Independentemente do que for definido em Copenhague, na 15ª Conferência das Partes, que acontece a partir da próxima semana, a economia de baixo carbono já está em curso e não vai mais parar. Essa é a opinião do economista José Eli da Veiga, que esteve na Editora Abril, a convite do Planeta Sustentável, para falar à comitiva de jornalistas e empresários que vão acompanhar de perto as negociações da COP-15.

Para ele, há um equívoco nas manifestações que exigem que os países assumam compromissos de redução de emissões. Zé Eli acredita que o argumento mais forte para que as nações optem pela economia de baixo carbono é a garantia da segurança energética, já que a distribuição de combustíveis fósseis no mundo não coincide com a localização geopolítica dos maiores consumidores dessa matéria prima. Enquanto os Estados Unidos importam petróleo do Oriente Médio, por exemplo, a China busca boa parte do carvão que utiliza na África e a Inglaterra depende do gás proveniente da Rússia.

O segundo ponto a favor de um novo modelo econômico seria o fator inovação, que deve dar origem a uma nova fase do capitalismo, acredita Zé Eli. Os investimentos em Ciência e Tecnologia podem garantir competitividade e ganhos de mercado num futuro não muito distante. Os países que não optarem por esse caminho, vão depender de transferência de tecnologias e não terão as mesmas condições de se desenvolver.

De acordo com o economista, os alertas feitos pelo IPCC – Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas sobre as catástrofes que podem atingir o mundo se o aumento de temperatura global ultrapassar os 2ºC e a preocupação com as gerações futuras deveriam ser apenas o terceiro argumento para optarmos por uma economia de baixo carbono.

Até porque, as piores previsões são para os países com menor grau de desenvolvimento e, se nos fixarmos apenas nisso, pode ser que os países desenvolvidos acabem por apresentar como solução apenas enviar recursos para que as nações potencialmente atingidas pelos eventos climáticos se protejam. Com isso, o mundo todo sairia perdendo e a humanidade entraria, de fato, em extinção.

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China promete dobrar suas emissões até 2020 Thays Prado - 27/11/2009 às 16:04

A China anunciou ontem que vai reduzir a intensidade de suas emissões por unidade de PIB em 45%, em relação a 2005, até o ano de 2020. A princípio, o número impressiona, mas é preciso entender o que ele significa.

Em 2005, a China emitia cerca de 6 mil gigatoneladas de CO2e e tinha um PIB de R$2,23 trilhões. Portanto, sua intensidade de emissões era de 2,69 GT CO2e por mil dólares de PIB. A estimativa é de que, em 2020, o PIB chinês seja de, mais ou menos, 9,315 trilhões de dólares. Se a mesma intensidade de 2,69 GT CO2e fosse mantida, os chineses teriam uma emissão de 25GT CO2e.

O número é absurdo, já que, de acordo com os cálculos do IPCC, o mundo inteiro só poderia emitir 18GT CO2e por ano para termos 25% de chance de chegarmos até o final do século com um aumento de temperatura inferior aos 2º C.

Ao propor que a intensidade de suas emissões caia em 45%, a China diz que ela seria, na verdade, de 1,48 GT CO2e por mil dólares de PIB. Mantendo-se a mesma projeção de crescimento do PIB de 9,315 trilhões, e com essa nova intensidade, as emissões chinesas ainda seriam de 13,78 GT CO2e. Ou seja, 130% maiores em relação a 2005.

No fim das contas, a China está contando que vai mais do que dobrar suas emissões até o ano de 2020 e, ainda assim, anuncia sua meta como se estivesse fazendo um grande esforço.

Os números, às vezes, enganam…

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Carlos Nobre aprova meta brasileira Thays Prado - 26/11/2009 às 18:01

O climatologista e diretor do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Carlos Nobre, secretário-executivo da Rede Clima e agora também membro do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, está satisfeito com as metas de redução de emissões apresentadas pelo Brasil.

Ele calcula que, se o país cumprir a meta máxima, de cerca de 39% de redução das emissões em 2020, em relação ao modelo do business as usual, estaríamos fazendo praticamente o mesmo dever de casa que os Estados Unidos propõem em sua Lei de Energia e Mudanças Climáticas.

Enquanto os americanos pretendem diminuir as emissões de carbono em 17% em relação ao ano de 2005 – o que corresponderia a 1,2 bilhão de toneladas de CO2e –, o Brasil reduziria em 1,1 bilhão de toneladas de CO2e.

“Mesmo que os EUA fizessem o máximo e reduzissem suas emissões em 40% em relação o 1990, ainda assim, o Brasil faria 40% da meta dos americanos, o que é extremamente significativo”, diz Carlos Nobre.

Ele ainda defende que a meta brasileira seja, de fato, voluntária, pois “não faz sentido que os países em desenvolvimento tenham metas obrigatórias”. Até porque, não é isto o que está previsto na Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.

“O jogo não começou agora”, argumenta Nobre. “O jogo começou há 250 anos, com a Revolução Industrial”. De acordo com o climatologista, o mundo desenvolvido tem um quinto da população mundial e emitiu dois terços de todos os gases lançados na atmosfera, enquanto os países em desenvolvimento têm quatro quintos dos habitantes do planeta e suas emissões são um terço do total.

A partir de 2020, com o aumento das emissões dos países em desenvolvimento, o cenário será outro e eles também terão que se comprometer com metas obrigatórias. “Se o Brasil cumprir sua meta voluntária, vai chegar neste período em uma situação invejável. Chegaremos emitindo menos do que emitimos agora, o que já consiste em uma redução real”.

Para o secretário-executivo da Rede Clima, políticas públicas e ajuda financeira e tecnológica dos países desenvolvidos, como prevê a Convenção, são fundamentais para alcançarmos esse objetivo.

Carlos Nobre ainda afirma que o Brasil não pode abrir mão de uma economia de baixo carbono e, portanto, apesar de nossa maior parcela de redução de emissões estar ligada à diminuição do desmatamento, outros setores devem ser contemplados para que não haja perda de competitividade em relação a outros países.

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A redação do PLANETA SUSTENTÁVEL é um encontro de pessoas envolvidas com um grande desafio: trabalhar a sustentabilidade como um tema urgente, transversal e inspirador, tradutível em múltiplas linguagens e necessário para os diversos públicos. Aqui, a editora Mônica Nunes, as repórteres Marina Maciel Vanessa Daraya e a jornalista Suzana Camargo (que colabora com o Planeta desde 2009) indicam lugares imperdíveis da web e contam novidades e boas histórias sobre cultura, sociedade, meio ambiente, cidadania, mudanças climáticas, mobilidade, inovação, direitos humanos, economia verde e muito mais.

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