BLOGS |Blog da Redação

Marina Silva fala sobre Copenhague Thays Prado - 30/10/2009 às 20:15

Na manhã de ontem, a senadora Marina Silva esteve presente no lançamento do produto Conformidade Ambiental, da Serasa Experian. Durante a coletiva, ela comentou sobre o papel do Brasil na 15ª Conferência das Partes, em Copenhague.

Para a senadora, não podemos comprar, previamente, a ideia de que a COP-15 será um fracasso. “Esse é o momento de a opinião pública internacional se posicionar para impedir que isso aconteça”. Mas ela também disse entender o desânimo de algumas pessoas, como o do próprio ministro Sérgio Rezende, que afirmou recente estar deseperançoso em relação às negociações. Especialmente, em função da falta de uma definição do governo brasileiro em relação ao que será apresentado em Copenhague. “Até agora não avançamos”, comentou Marina.

A opinião dela é de que não apenas os países desenvolvidos arquem com metas de redução de emissões, mas também os países em desenvolvimento – “porque eles são responsáveis por mais da metade das emissões”. A senadora ainda afirmou que a Legislação sobre o Clima, que tramita no Congresso americano, sinaliza uma mudança de postura do país. “Ainda que as propostas sejam tímidas, os EUA estão entrando no jogo e isso vai fazer a diferença”.

Sobre o fato de a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, ter sido nomeada para chefiar a equipe que vai a Copenhague, Marina disse entender que essa é uma decisão do presidente Lula. “Quando eu era ministra do Meio Ambiente, sugeri que o próprio presidente coordenasse o Plano de Combate ao Desmatamento, através da Casa Civil, inicialmente com o ministro José Dirceu e, em seguida, com a ministra Dilma Roussef”, lembrou Marina. Questionada sobre a possibilidade de a escolha de Lula se tratar de uma jogada eleitoral, a senadora disse que espera que todas as candidaturas presidenciais fiquem ainda mais verdes do que a dela, “para o bem do Brasil”.

A senadora afirmou que o mais importante é que o Brasil vá à Conferência comprometido não apenas em reduzir emissões provenientes do desmatamento, mas também dos setores de energia, agricultura e indústria, a que Marina deu o nome de “meta global”. Sua esperança é de que o país lidere duplamente, tanto dentro do G77, quanto em relação aos países desenvolvidos.

“É o que eu chamo de constrangimento ético”, disse a senadora. “Se um país em desenvolvimento, com menos recursos e tecnologia e com desigualdade social, é capaz de ter metas, por que os países ricos, que têm responsabilidade histórica, mais tecnologias e recursos não teriam?”. Marina defende que busquemos todos uma nova forma de cumprir o acordo de reduzir as emissões de carbono em 80% até 2050, em vez de nos esquivarmos no princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas.

ver este postcomente

Sustentabilidade: não há escolha consciente sem informação Débora Spitzcovsky - 30/10/2009 às 20:01

Esta semana, o jornalista Caco de Paula concedeu entrevista para o site da Alcoa sobre o movimento Planeta Sustentável do qual é publisher. Ele comentou a iniciativa da Alcoa com seu Prêmio de Inovação em Alumínio e ressaltou que, sem informação, não há discernimento, portanto, impossível fazer uma escolha consciente. Leia, abaixo, o texto na íntegra:

Ampliar o conhecimento sobre o tema sustentabilidade é a missão do Planeta Sustentável, projeto desenvolvido pela Editora Abril com 13 milhões de leitores e participação de revistas e sites do grupo, que se tornou referência e fonte de consulta sobre o assunto. À frente dele está Caco de Paula, jornalista há 30 anos, diretor do Núcleo de Turismo da Editora Abril – composto pela revista Viagem e Turismo, Guias Quatro Rodas, pela edição brasileira da National Geographic e portal Viaje Aqui -, e Publisher do movimento PLANETA SUSTENTÁVEL. Caco foi repórter e editor de O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, repórter de Veja, editor de Veja São Paulo, e participou do projeto da revista Vida Simples.

Alcoa – Como você avalia a cobertura pela imprensa de assuntos relacionados à sustentabilidade?
Caco de Paula – A cobertura da imprensa vem melhorando muito, mas pode melhorar muito mais. Acredito que o principal problema está na falta de uma visão mais mediana sobre o tema. O que vemos é que muito mais veículos hoje estão se dedicando ao tema, mas a maioria ainda peca, ora por fazer um conteúdo ingênuo demais, ora por não conseguir preparar e transmitir um conteúdo compreensível a um público mais amplo. É por isso que acreditamos muito na fórmula encontrada no Planeta Sustentável, onde conseguimos falar sobre sustentabilidade traduzindo o tema para as linguagens de espectro de referências de cada audiência.

Assim, falamos sobre sustentabilidade no âmbito de viagem para quem lê Viagem e Turismo ou Guia Quatro Rodas, de informática para quem lê a revista Info Exame, de negócios na cobertura de Exame e de atualidade de informação em Veja. Ou seja, creio que a maior razão do sucesso do Planeta Sustentável esteja em nossa capacidade de expressão em 35 linguagens referentes às 35 revistas participantes, o mesmo para sites e eventos. É assim que estamos falando com mais de 13 milhões de leitores. Na linguagem acessível a cada um.

Qual o papel dos meios de comunicação na ampliação do debate sobre sustentabilidade e na mobilização da sociedade em torno do assunto?
O papel dos meios de comunicação é tornar mais compreensíveis alguns temas que originalmente podem parecer complexos demais. Recentemente editamos uma cartilha com dicas sobre hábitos sustentáveis no dia-a-dia. Imprimimos mais de 2,5 milhões de cópias desse material e temos uma versão ampliada, na internet, com mais de 100 dicas. O sucesso desse tipo de iniciativa mostra que o público está interessado, se houver quem leve a ele uma visão que o aproxime de sua realidade e não um discurso em "sustentabilidez", acessível apenas a iniciados. Creio que o papel dos meios é compreender a questão, torná-la interessante e acessível para as audiências e, sim, ter opinião sobre o assunto.

Você acredita que a sustentabilidade é ainda pouco compreendida pela sociedade, apesar de muito falada atualmente?
Sem nenhuma dúvida. Ainda há muita confusão sobre sustentabilidade, um conceito que, para muitos, é entendido apenas como um sinônimo de "ambiental", ou mesmo de "responsabilidade social", ou "benemerência", "fazer o bem", "salvar o planeta". Primeiro porque uma visão mais ampla de sustentabilidade está apoiada em ao menos três pilares, que são o econômico, o social e o ambiental. Eu ainda incluiria um quarto pilar, que é o da cultura. Temos agora um protagonismo maior do aspecto ambiental por conta de um fenômeno que chamo de "algorização" do tema.

Ou seja, desde o esforço empreendido por Al Gore para incluir o tema na pauta das eleições legislativas dos EUA em 2006, quando também se intensificaram os estudos e publicações relacionados ao assunto, como os estudos do IPCC, por exemplo, e, depois, com a concessão do Nobel a Al Gore e ao IPCC.

Em sustentabilidade deve-se desconfiar de qualquer solução que não envolva um aspecto econômico, pois as soluções têm custos. E, se eles não aparecerem, é porque algo está sendo escondido. Eu, particularmente, acredito que as grandes soluções estão ligadas ao capital. Seja na Amazônia, no agronegócio, na emissão de gases de efeito estufa e por aí afora. A visão voluntarista é muito ingênua. E a própria idéia de que se está batalhando para salvar o planeta é algo muito desinformado. O planeta Terra é muito resistente. Se há algo em risco é a capacidade de sobrevivência do ser humano em algumas partes, ou em todo esse planeta. Mas não o planeta em si. Enfim, ainda há muita desinformação. Mas não existe dúvida de que a sociedade está cada vez mais interessada no assunto.

Qual a sua opinião sobre iniciativas como o Prêmio Alcoa, cujo objetivo é estimular a criatividade e difundir as ideias dos estudantes e profissionais brasileiros sobre produtos e aplicações do alumínio, além de gestão de reciclagem?
Acho genial! O Prêmio Alcoa de Inovação em Alumínio já é uma referência, com boa introdução nos meios estudantis e com um grande futuro pela frente. Na minha opinião seu principal mérito está justamente em levar a discussão da sustentabilidade para um campo prático e tangível.

Creio que, num certo aspecto, assemelha-se à experiência que temos no Planeta Sustentável com as cartilhas e também com os planos de aulas, que nós mesmos criamos a partir de conteúdos que produzimos, e que são utilizados por milhares de professoras em salas de aula. Outro ponto que eu destacaria do Prêmio Alcoa é a sua relevância de primeira hora. Ele não foi criado ontem, só porque agora começou-se a falar mais sobre esse assunto. Se não me engano, o Prêmio existe há oito anos, o mesmo período em que a companhia figura no Índice de Sustentabilidade Dow Jones.

Para mim, esse tipo de iniciativa, ligada à educação, à formação, ao estímulo sério dos estudos é um dos principais caminhos que se deve traçar para incluir a sustentabilidade nas discussões cotidianas de pessoas, empresas e governos. E com uma pegada muito ligada a consumo, que é onde cada um de nós toma decisões que podem impactar ambiente, sociedade e economia. Impactos que, a experiência mostra, podem ser negativos ou positivos, dependendo da escolha que fizermos. E as boas escolhas dependem, antes de mais nada, de informação, de educação. Não há escolha consciente sem algum tipo de discernimento.

ver este postcomente

Fórum Amazônia Sustentável cobra Lula Débora Spitzcovsky - 30/10/2009 às 18:46

Na última quarta-feira, durante o Diálogo Interreligioso pelo Clima, quatorze lideranças religiosas se reuniram para debater meios de contribuir para a conscientização da sociedade em relação às mudanças climáticas (saiba mais em Diálogo Interreligioso pelo Clima). Na ocasião, uma carta foi escrita para o presidente Lula, pedindo que ele vá para Copenhague e assuma a liderança brasileira no combate ao aquecimento global.

O documento ainda nem chegou às mãos do presidente e uma nova carta já foi redigida, por outras pessoas, exigindo ainda mais de Lula na COP-15. Dessa vez, os remetentes foram as empresas, trabalhadores e ONGs que atuam na Amazônia e participaram do Fórum Amazônia Sustentável, que aconteceu nesta quinta-feira, 29 de outubro.

Na carta, nada de exigir a presença do presidente do Brasil em Copenhague. Para os participantes do Fórum, isso nem está mais em discussão. O que eles desejam é muito mais: querem que Lula assuma seu papel de líder mundial e convoque os governos de todo o mundo a firmarem um acordo climático global ambicioso e com força de lei, que vá muito além de uma carta de boas intenções.

A iniciativa tem fundamento. Diante das recentes declarações dos líderes mundiais, que ressaltam que os governos devem se posicionar de forma voluntária sobre as questões climáticas, os membros do Fórum temem que o encontro de Copenhague seja frustrado. Sendo assim, o documento redigido para Lula, faltando quase um mês para a COP-15, é uma “última cartada”, que aposta todas as fichas no presidente do Brasil para que o encontro, nas palavras dos próprios participantes do Fórum, não seja “um fracasso”.

Será que é exigir demais do nosso presidente?

Leia também:
Especial Rumo a Copenhague

ver este postcomente

Blog da Redação

A redação do PLANETA SUSTENTÁVEL é um encontro de pessoas envolvidas com um grande desafio: trabalhar a sustentabilidade como um tema urgente, transversal e inspirador, tradutível em múltiplas linguagens e necessário para os diversos públicos. Aqui, a editora Mônica Nunes, as repórteres Marina Maciel Vanessa Daraya e a jornalista Suzana Camargo (que colabora com o Planeta desde 2009) indicam lugares imperdíveis da web e contam novidades e boas histórias sobre cultura, sociedade, meio ambiente, cidadania, mudanças climáticas, mobilidade, inovação, direitos humanos, economia verde e muito mais.

Mônica NunesEditora/Gerente de Conteúdo

Marina MacielRepórter

Suzana CamargoColaboradora

Vanessa DarayaRepórter

Clique e faça o download

Revista do clima Material de etiqueta

Posts anteriores

Receba as noticías mais recentes

assine RSS Blog da Redação

Arquivos de posts