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2009: A vez dos gorilas Planeta Sustentável - 19/12/2008 às 19:19

Desejar que o mundo seja mais sustentável é cuidar para que o todo esteja em equilíbrio. É ter a consciência de que cada parte, por menor que seja, influencia e é influenciada pelas demais e que a saúde de uma contribui para a saúde das outras. Em 2008, as atenções se voltaram para o todo.

Este foi o Ano Internacional do Planeta Terra, decretado pela ONU e pela União Internacional das Ciências Geológicas, em comemoração a meio século de pesquisas sobre nossa morada. Também em 2008, o mundo se reuniu em torno de assuntos que vêm abalando a frágil harmonia deste todo, como a crise financeira e as mudanças climáticas.

É bem provável que, cada vez mais, os seres humanos se preocupem com o equilíbrio do planeta, pois também aumenta entre nós a consciência de que nenhuma parte sairá ilesa enquanto a Terra continuar a ser duramente atingida. No entanto, em 2009, as atenções devem estar voltadas para uma parte específica que está seriamente ameaçada de extinção: os 600 últimos gorilas da montanha, a maioria deles habitantes do Parque Nacional Virunga, patrimônio mundial, localizado na província de Kivu do Norte, na República Democrática do Congo e fortemente acometido por trocas de tiros e cenas de violência que fogem do controle dos guardas florestais.

De acordo com um relatório divulgado pela União Internacional para a Conservação da Natureza, das 634 espécies e subespécies de primatas do mundo, quase metade corre o risco de sumir do mapa. Por isso, as Nações Unidas escolheram o próximo ano para tratar do assunto desses que são os parentes mais próximos da espécie humana – homens e gorilas compartilham de cerca de 98,4% de seus DNAs. Nossos parentes possuem uma inteligência considerável,  se comunicam por sinais e símbolos e também sabem demonstrar emoções.

Como os seres supostamente mais evoluídos do planeta, consta no desafio de aprendizagem da espécie humana aprender a cuidar de cada parte deste todo que depende muito de nós. Começar por olhar para uma destas partes que está bem próxima pode ser um bom começo.

Que em 2009 cada um saiba fazer a sua parte em prol de todos.
Boas festas e até lá!

Leia também:
2009: Ano Internacional dos Gorilas

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O clima morno de Poznan Planeta Sustentável - 16/12/2008 às 19:57

Apesar do frio das temperaturas próximas de 0º C na cidade, a “sensação térmica” da Conferência em Poznan, nas duas últimas semanas foi morna. A portas fechadas, as discussões entre as delegações e os representantes dos 189 países não receberam muitas contribuições de movimentos sociais, ambientalistas e da sociedade civil em geral e pouco progrediram.

Os 11 prédios que formavam o complexo onde a conferência foi realizada, interligados por túneis, dificultaram a interação entre os delegados e os participantes dos “side events”, eventos paralelos às negociações oficiais, organizados por ONGs e pela mídia. “O ambiente físico não propiciou muitos encontros. Os negociadores ficaram escondidos e, se não cruzássemos com eles nos intervalos para café, não víamos ninguém”, disse Rachel Biderman, do GVces – Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, que esteve em Poznan durante a segunda semana da 14ª COP.

Depois de registrar suas impressões sobre a conferência no blog do Observatório do Clima, Rachel conversou com o Planeta Sustentável. Confira abaixo o que ela nos contou e sinta um pouco do clima do evento que marcou o meio do caminho entre a Conferência em Bali, em 2007, e a que vai acontecer em dezembro do ano que vem, em Copenhague, quando a expectativa é de que seja estabelecido, finalmente, um termo de cooperação global de longo prazo para as questões climáticas no mundo.

Planeta Sustentável: Você concorda com a afirmação de que a Conferência em Poznan foi “café com leite”?
Rachel Biderman:
Concordo e ainda digo mais: vi inúmeros negociadores brasileiros muito desanimados, esperando durante horas pela chegada dos ministros na noite em que viraram em claro – em toda COP, essa última sexta-feira é fatídica e eles sempre passam em claro…

Minha sensação é que a conferência em Poznan foi como um jogo de xadrez, em que os países decidiram colocar todos os soldados atacando. Eles jogam tudo o que têm de demanda e não oferecem nada e, com isso, começam as negociações no ano que vem.

Esse é um tipo de acordo em que tudo só se resolve no final. Os pacotes vão sendo apresentados e negociados concomitantemente, de uma maneira progressiva, de modo que, no final, todos ouviram o que os outros querem, pelo menos em parte. Tudo só vai se resolver mesmo em Copenhague.

Podemos esperar que, em Copenhague, seja firmado, de fato, algum compromisso?
De Copenhague, dá para esperar um acordo de redução de emissões para os países do atual Anexo I. O que não precisamos esperar é que sejam estabelecidas metas de redução para os países em desenvolvimento, que devem assumir compromissos e terão indicações de medidas a serem tomadas, mas em um nível mais genérico.

Será que não teremos problemas com os EUA por conta disso, já que eles endureceram as discussões ao final da Conferência e, desde Kyoto, carregam o discurso de que o país vai cumprir sua parcela de responsabilidade desde que os países em desenvolvimento também façam a sua parte?
É provável que eles dificultem sim. Mas, em Poznan, os EUA estavam com uma delegação de transição, ainda sob o comando de Bush, não foi a turma de Barack Obama quem deu o tom das discussões. No entanto, Al Gore, que foi ouvido em um auditório gigantesco por mais de 5 mil pessoas e ovacionado, se disse porta-voz de Obama e se comprometeu a assumir, pelos EUA, uma postura mais agressiva de combate às mudanças climáticas.

Quer dizer que ainda podemos ter esperanças de que, com a posse de Obama, os EUA se engajem mais com as questões climáticas?
Com certeza vai ser retomada essa postura de compromisso com o tema. Até porque, existe um fenômeno maior acontecendo em várias cidades americanas, que têm assumido seus próprios compromissos. É certo que existem milhares de cidades nos EUA, mas essa é uma tendência que vai continuar. Aliás, estou convencida de que as ações não podem acontecer apenas em nível nacional e só funcionam se houver várias esferas concomitantes de atuação.

A esfera da ONU serve como “pisca-alerta”, que acena para nos lembrar de que existe um problema grave, mas esse sistema internacional é muito complexo. Se alguém desrespeitar uma regra global, não existe uma sanção internacional, a não ser a econômica. O sistema jurídico internacional é falho. A definição de regras e a resolução de conflitos precisam acontecer em esferas menores.

Participei de um evento organizado pelo ICLEI, que reuniu governos locais. É absurda a quantidade de ações que vêm sendo feitas na Alemanha, na Suécia, nos Estados Unidos… Certamente, muita coisa vai acontecer no nível das empresas.

O que foi dito sobre a crise financeira em Poznan?
Falou-se bastante sobre a crise. É impressionante o desânimo unânime dos ambientalistas e dos movimentos sociais pelo fato de que foram feitos investimentos com tanta rapidez para resgatar essa crise financeira e, ao mesmo tempo, não há empenho para resolver o problema climático, que é muito mais barato.

É claro que, na cabeça de um tomador de decisão, a economia é prioritária em relação à questão climática. Mas, para os movimentos sociais e os ambientalistas isso não faz sentido, já que uma crise é tão grave quanto a outra. O próprio Al Gore disse que elas são de igual magnitude e não podem ser tratadas de forma diferente.

Não houve manifestações paralelas à Conferência para agitar as discussões?
Todos os dias na entrada havia alguma intervenção, mas foi tudo muito morno. A Oxfam foi a que mais se manifestou e chamou atenção para as questões de fome e miséria, já que milhões de refugiados podem ter sua situação agravada pelas alterações climáticas. Os movimentos indígenas, ainda em que em menor volume, também estiveram presentes nas negociações de REDD – Redução de Emissões decorrentes de Desmatamento e Devastação Florestal e gritaram muito quando algumas delegações ameaçaram tirar a cláusula de acesso das populações indígenas aos recursos.

A Conferência contou com a presença de chefes de Estado?
Não tenho conhecimento da presença de nenhum chefe de Estado, o que, aliás, foi uma das grandes críticas. As delegações eram chefiadas por ministros de Meio Ambiente e de Energia, que não são ministros fortes. Isso demonstra descaso com o assunto. Al Gore também fez essa pergunta: cadê os chefes de Estado? Será feita muita pressão para que eles compareçam a Copenhague, já que quem tem o poder de assinar o documento final para um acordo de cooperação entre os países é o presidente da república ou o primeiro ministro.

Al Gore também elogiou a política brasileira de combate às mudanças climáticas durante o discurso. O que você acha disso?
Ele apenas citou algumas boas ações de países de maneira rápida, como forma de reconhecimento pelo esforço em relação à questão. Entre elas, o fato de a China ter investido mais de U$600 bilhões em energias renováveis e a iniciativa brasileira de fazer um Plano Nacional de Mudanças Climáticas, mas ele não se referiu ao conteúdo do plano.

Na volta para casa, qual era a sensação geral entre os participantes desta COP?
A de que há muito trabalho a ser feito no próximo ano para desatar os nós sobre metas e compromissos para os países desenvolvidos e em desenvolvimento. Muito desse trabalho será feito nos encontros intermediários ao longo de 2009, que são, mais do que necessários, fundamentais para a Conferência de Copenhague.

(Foto: Divulgação)

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EUA ainda dificultam negociações sobre clima Planeta Sustentável - 15/12/2008 às 19:27


Por mais que as declarações de Barack Obama* tenham deixado o mundo animado em relação à postura norte-americana diante das mudanças climáticas, o comportamento dos EUA nos últimos momentos da Conferência em Poznan** mostrou que o país ainda vai dar trabalho na definição do acordo pós-Kyoto.

De acordo com reportagem do jornal Folha de S. Paulo, a delegação americana apresentou uma revista em que mostraram ações que o país já têm feito em favor do clima e considerou o Protocolo de Kyoto pouco importante para a questão, já que a meta de redução de gases é de apenas 5% (e ainda assim eles se recusaram a assumir esse compromisso mínimo!). Eles ainda teriam criticado os países que assinaram o protocolo e não o cumprirão no prazo.

Depois de ter acompanhado o trabalho das delegações em Poznan, o ambientalista Fábio Feldmann disse ao Planeta Sustentável que, de fato, ficou claro que os EUA vão endurecer as negociações e que não será nada fácil chegar ao acordo multilateral em 2012.

Na mesma semana, o Senado americano lançou um documento de 231 páginas assinado por mais de 650 cientistas dissidentes do IPCC, que discordam da afirmação de que o aquecimento global é causado pelos seres humanos e suas emissões de CO2. Essa é, na verdade, uma atualização da edição de 2007, quando o documento contava com 400 assinaturas.

Enquanto questionamentos sobre a nocividade ou não do excesso de gases de efeito estufa persistem e são validados pelo governo, fica mesmo difícil de acreditar que serão estabelecidas metas efetivas de redução de emissões.

*Veja a declaração do futuro presidente dos EUA. Resta saber se ele vai manter o mesmo direcionamento depois de tomar posse.
** 14ª COP

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A redação do PLANETA SUSTENTÁVEL é um encontro de pessoas envolvidas com um grande desafio: trabalhar a sustentabilidade como um tema urgente, transversal e inspirador, tradutível em múltiplas linguagens e necessário para os diversos públicos. Aqui, a editora Mônica Nunes, as repórteres Marina Maciel Vanessa Daraya e a jornalista Suzana Camargo (que colabora com o Planeta desde 2009) indicam lugares imperdíveis da web e contam novidades e boas histórias sobre cultura, sociedade, meio ambiente, cidadania, mudanças climáticas, mobilidade, inovação, direitos humanos, economia verde e muito mais.

Mônica NunesEditora/Gerente de Conteúdo

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