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Quando a tortura se torna permissiva Thiago Carrapatoso - 29/02/2008 às 18:44

Especialistas acreditam que o mundo está mais tolerante à tortura, principalmente depois dos ataques às torres do World Trade Center, ocorridos em 2001, em Nova Iorque. No Seminário Internacional Sobre Tortura, organizado pelo Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP), estudiosos brasileiros, norte-americanos e australianos debateram sobre o tema, entre os dias 25 e 27 de fevereiro, para compreender o impacto que a aceitação dessa prática tem sobre a democracia.

Um dos pontos discutidos foi o da "tortura light". Não que ela seja branda – isso se der para classificar uma tortura desse jeito. As vítimas, em vez de serem espancadas, são submetidas a condições extremas, como dias sem dormir ou comer e expostas a temperaturas elevadas, tanto para o quente, quanto para o frio.

O que mais preocupa, contudo, é a profissionalização da prática. Os EUA estão formando torturadores com a desculpa da "guerra contra o terror". A idéia é que esses profissionais, por meio de práticas de tortura, consigam tirar informações do suposto terrorista. Os especialistas, porém, acham que isso só pode atrapalhar mais as investigações, já que o torturado pode se sentir obrigado a confessar alguma coisa que, em muitas vezes, ele nem fez ou sabe.

O mais impressionante é que uma pesquisa realizada pelo doutor em Ética Fritz Allhoff, da Western Michigan University, com 1.300 universitários australianos e norte-americanos, mostra que os estudantes da Oceania são mais propensos a aceitar as práticas de tortura do que os moradores da terra do Tio Sam.

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Enquanto cortam, a espera Thiago Carrapatoso - 27/02/2008 às 15:24


Comentamos no post “Cortar ou não cortar?”* sobre a situação da cidade de Tailândia, no Pará. A Operação Arco de Fogo – a maior já realizada no Brasil para conter o desmatamento na Amazônia -, contudo, sofre com a falta de fiscais. Os funcionários do Ibama prevêem que a análise de todos os papéis das 90 madeireiras da cidade – incluindo as ilegais – demore cerca de dois meses.

Só o estudo da documentação de uma madereira de pequeno a médio porte tomou dois dias. O impressionante é que o contigente de pessoas envolvidas na operação é muito grande. São 300 agentes envolvidos diretamente na operação, como, por exemplo, os 156 da Força Nacional de Segurança, os 70 da Polícia Federal e os 24 do Ibama (mas nem todos estão trabalhando por não terem chegado ao local, segundo o instituto).

Estima-se que o governo do Pará perde por ano R$ 2 bilhões por causa de atividades ilegais ligadas ao extrativismo de madeiras, o que representa cerca de um quarto de todo o orçamento do Estado para 2008, que é de R$ 9 bilhões.

Os produtores de madeira da região, porém, segundo a Agência Brasil, dizem que a falta de planos de manejo florestal e de zoneamento sócio-econômico ambiental junto com a demora nos processos de concessão de florestas são os principais motivos para a exploração ilegal dos recursos naturais.

* Cortar ou não cortar?

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Cortar ou não cortar? Thiago Carrapatoso - 22/02/2008 às 15:55


Pensa-se que a solução para o desmatamento ilegal seria cortar o mal pela raiz (desculpe o trocadilho) e fechar as serrarias. Sem elas, não existiria motivo para derrubar tantas árvores. Mas a situação não é tão simples, como exemplifica a cidade de Tailândia, no Pará.

O município de 67 mil habitantes, por ordem do governo federal, deverá fechar as serrarias por causa do desflorestamento na região. O problema: elas, juntas com as carvoarias, são responsáveis por cerca de 70% dos recursos econômicos que circulam pela cidade. Ou seja, segundo o prefeito, se a ordem realmente for acatada, a cidade provavelmente irá à falência.

As vendas nos supermercados, com a crise gerada pelo possível fechamento, caíram 50%. A principal fábrica de móveis, que consome 120m³ de madeira por ano – material suficiente para fabricar 3 mil camas de casal -, ameaça fechar suas portas.

As 64 madeireiras registradas legalmente geram mais de 1.500 empregos diretos. Há 40 anos a cidade sobrevive com a exploração da floresta, o que fez com que 60% da cobertura vegetal original da região sumisse. O governo já apreendeu 13 mil m³ de madeira ilegal no município, o que representa, mais ou menos, R$ 5 milhões.

Os moradores estão apreensivos. Há três dias, 200 policiais estão a postos para conter novos protestos. O Fórum de Tailândia já foi depredado e está fechado.

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