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Adoção de animais de rua rende desconto nos impostos dos italianos Vanessa Daraya - 31/03/2015 às 11:23

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Animais abandonados pelas ruas é um problema no mundo todo. A Organização Mundial da Saúde estima que, somente no Brasil, existam mais de 30 milhões de animais abandonados, sendo 20 milhões de cachorros e 10 milhões de gatos. Assustador, não? Ainda mais se pensarmos que existem milhares de lares que poderiam ajudar a resolver o problema.

Com o intuito de tentar amenizá-lo, algumas cidades italianas criaram uma estratégia para incentivar a adoção de cachorros: quem oferecer casa e cuidados a um cão ganha desconto no imposto do lixo.

Em Mascalucia, cidade na região da Sicília com cerca de 30 mil habitantes, a Câmara de Vereadores local aprovou o projeto por unanimidade. O desconto é de 50% na conta de coleta de lixo para quem adotar nos canis da prefeitura. O incentivo fiscal começa a partir do dia seguinte da adoção e dura por três anos.

A arrecadação de impostos da prefeitura cai com a iniciativa. Mas a cidade economiza com a manutenção de canis. Por ano, a cidade de Mascalucia gasta o equivalente a 500 mil reais em abrigos para animais abandonados.

Solário, também na Sicília, foi a pioneira a dar bônus para adotantes de cachorros. Para evitar que alguém adira à campanha só para conseguir desconto, a prefeitura fiscaliza a casa e o bicho duas vezes por ano. Assim, garante que não houve abandono ou maus-tratos.

O incentivo fiscal também acontece em outras regiões italianas como Ligúria, Sardenha, Campânia, entre outras. Em Fiumicino, na província de Roma, o incentivo fiscal vale desde 2014 e é ainda mais legal, pois também vale para quem quiser adotar gatos dos abrigos locais.

Nessas cidades, a proposta tem funcionado e é uma ótima forma de melhorar a vida dos animais de rua. As famílias ganham um companheiro, e o animal ganha qualidade de vida. Bem que essa ‘moda’ podia pegar no Brasil…

Já noticiamos aqui no Planeta Sustentável que na cidade de Araquari, em Santa Catarina, quem adotar um animal de rua ganha desconto no IPTU. Por lá, a iniciativa funciona com ajuda de uma ONG de proteção aos animais. Agentes da prefeitura visitam as casas e, caso haja sinal de maus-tratos, o benefício é suspenso.

Foto: Alexis/Pixabay/Domínio Público

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Inovador brasileiro usa substância da casca da laranja para limpar solos contaminados Suzana Camargo - 27/03/2015 às 13:35

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Estima-se que todos os anos cerca de 80 milhões de toneladas de solo sejam contaminados por óleo. Só no Brasil, são 2,5 milhões de toneladas. As técnicas utilizadas atualmente para solucionar o problema têm mais de quarenta anos. Além de caras, muitas vezes geram impacto ambiental.

inovador-brasileiro-usa-substancia-casca-laranja-limpar-solos-contaminados-fernando-pecoraro-140Engenheiro químico, com experiência em meio ambiente, o paulistano Fernando Pecoraro descobriu na casca da laranja uma maneira sustentável e mais barata de descontaminar solos impregnados com óleo.

Para entender como esta tecnologia 100% brasileira funciona é preciso primeiro ter uma rápida aula de química. Vamos lá. Terpeno é um hidrocarboneto líquido (traduzindo:  um composto orgânico formado de carbono e hidrogênio), base de grande quantidade de essências vegetais, obtido pela destilação de plantas.

A casca da laranja é rica em óleo essencial D-Limoneno, um terpeno comum. Depois de seis anos de pesquisa, Pecoraro conseguiu potencializar a ação do composto para uso como desengraxante natural e criou o terpeno P.

A tecnologia para recuperação de solos contaminados recebeu o nome de Recoy – RE de recuperação, ECO de ecológico e Y de água, em tupi guarani. “O nosso objetivo sempre foi o de construir uma empresa sustentável. Para isto, tínhamos que nos basear em três pilares principais: escala, qualidade e preço competitivo”, contou Pecoraro ao Blog da Redação. “Para termos escala, buscamos o óleo da casca da laranja, já que o suco da fruta é produzido em larga escala e a cadeia da laranja é bem desenvolvida”.

O equipamento, que funciona dentro de um caminhão, lava o solo sem utilizar grandes quantidades de água, o que é comum nos processos tradicionais. A remoção do óleo a frio dispensa o uso de energia. Ao final do processo, o solo está limpo e pode ser devolvido ao seu lugar original. Não há descarte de resíduo contaminante, que é separado e pode até ser reutilizado. O solvente químico verde também pode ser usado novamente.

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Segundo o engenheiro, as novas linhas de pensamento em sustentabilidade falam de modelos circulares. Abandonar os processos lineares onde exploramos recursos, utilizamos os mesmos e descartamos tudo aquilo que foi transformado e não serve mais. “A tecnologia Recoy partiu do princípio de que dois grandes ativos – solo e óleo – não podem simplesmente perder seus valores reais quando misturados. Dois ativos que viram resíduo tóxico imediatamente após combinados. Desenvolvemos uma forma de devolvê-los ao formato original”, explica.

O terpeno P se mostrou eficiente na remoção de solos contaminados com hidrocarbonetos em geral. Podem ser de origem mineral, vegetal ou animal. Ou seja, qualquer tipo de contaminação com petróleo e derivados, óleos vegetais e gorduras animais.

Em janeiro deste ano, a inovação do brasileiro foi premiada pelo programa americano Launch*, que tem como logo “Collective Genius for a Better World” (Gênios Reunidos por um Mundo Melhor, em tradução livre). O programa é uma parceria entre o Departamento de Estado dos Estados Unidos, Nasa, Nike e Agência Para o Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos. O objetivo da iniciativa conjunta é identificar e acelerar inovações que possam melhorar o planeta. Exatamente como a nova tecnologia desenvolvida no Brasil.

Fernando Pecoraro recebeu o prêmio de melhor desafio nos avanços na área da química verde. Foi selecionado entre 60 concorrentes de 12 países. Em palestra no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, no começo do ano, apresentou sua descoberta e discutiu com membros do Conselho Launch estratégias para tornar a tecnologia global.

“Foi uma honra ter sido selecionado pelo Launch e ainda ter recebido o Innovator’s Award. É como encerrar a fase de desenvolvimento tecnológico inovador com chave de ouro”, diz.

Assista abaixo animação que mostra o processo de produção do terpeno P e no outro vídeo como funciona a limpeza do solo dentro do caminhão:



*Launch

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Imagem: postbear eater of worlds/creative commons

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Muçulmanos abrem as portas de suas casas aos vizinhos para acabar com preconceito Vanessa Daraya - 25/03/2015 às 15:53

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Onde quer que estejam, os muçulmanos sofrem preconceito por causa de atos terroristas provocados por extremistas. Mas existe muita gente boa no mundo que deseja transformar o medo (ou ódio) das pessoas pelo islamismo em amor, tolerância… Essa é a proposta da comunidade muçulmana ahmadi, do Canadá, que lançou a campanha Meet a Muslim Family* (Conheça uma família muçulmana, em tradução livre).

A ação que lançou essa ideia aconteceu de 1 a 14 de março e incentivou famílias muçulmanas a abrir as portas de suas casas e mesquitas aos vizinhos. Os criadores acreditam que isso pode ajudar a acabar com ideias equivocadas e estereótipos sobre islamismo e intolerância religiosa.

Para participar, os canadenses podiam entrar no site da ação e fazer um pequeno cadastro. Em seguida, eram orientados para o encontro com alguma família. Sem dúvida, uma ótima oportunidade para aprender sobre tradição e valores do islamismo e quebrar barreiras culturais.

Depois da visita, os participantes eram convidados a publicar sobre sua experiência no Twitter com a hashtag da campanha #MeetAMuslimFamily, também para divulgar fotos e vídeos dos encontros com outras famílias locais.

Na verdade, a ação não é nova no Canadá, mas este ano foi realizada em uma situação especial. Em outubro de 2014, o muçulmano Zehaf-Bibeau matou um soldado e tentou atacar o Parlamento canadense. Foi um grande susto para a população local e aumentou a discriminação contra muçulmanos.

A vereadora canadense Marilyn Iafrate se interessou pela ação e almoçou na casa de uma família muçulmana. Em entrevista à CTV News*, ela contou que foi um momento ótimo para compartilhar valores, vivenciar e consolidar saberes.

A comunidade local continua disposta a receber visitantes mesmo após o final da campanha. A família do casal Michael e Esther Ruten, por exemplo, foi a casa de Rashid Ahmed pela primeira vez. A experiência foi tão boa que disseram ao Global News* que já começaram a combinar o próximo encontro.

Seria ótimo se essa ideia se espalhasse pelo mundo (inclusive por aqui, no Brasil). Mais uma linda forma de mostrar que somos todos iguais.

Agora, veja, abaixo, o vídeo de divulgação da campanha feita no Canadá:

*Twitter 
*Meet a Muslim Family 
*CTV News
*Global News

Foto: Divulgação/Meet a Muslim Family

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