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Reality show leva blogueiros de moda para trabalhar em fábrica de roupas no Camboja Suzana Camargo - 28/01/2015 às 10:45

reality-show-leva-blogueiros-moda-trabalhar-fabricas-camboja-abre-560Diversas denúncias já mancharam os bastidores do mundo fashion: trabalho análogo à escravidão, condições insalúbres, pagamentos miseráveis e até pedido de socorro enviado através da etiqueta da roupa. Em 2013, o mundo ficou chocado ao ver nas manchetes dos jornais que quase mil pessoas tinham morrido no desabamento de um prédio em Bangladesh. A grande maioria delas confeccionava peças para redes de lojas internacionais.

Aqui no Brasil, há vários escândalos também com marcas de moda bastante conhecidas, que lamentavelmente, ainda fazem uso de trabalho mal-remunerado e que desprezam garantias fundamentais aos direitos humanos de funcionários.

Para trazer esta realidade chocante para ainda mais perto das pessoas, um reality show da Noruega decidiu levar três jovens blogueiros de moda para passar um mês no Camboja em 2014. Não só eles dormiram em casas de famílias locais, mas também trabalharam em fábricas têxteis.

Sweatshop, Deadly Fashion, produzido pelo principal jornal norueguês, o Aftenposten, foi considerado um experimento social. O título “sweatshop” se refere a como são chamados os lugares onde as pessoas destes países trabalham: ambientes minúsculos, sem janelas e ventilação, por isso sweat, suor em inglês.

Nos primeiros episódios, Anniken Jørgensen (na foto que abre este post), Frida Ottesen e Ludvig Hambro encaram a aventura como uma viagem turística à capital Phnom Penh. Mas logo, logo eles se depararam com a terrível vida de milhares de trabalhadores de países pobres que fabricam as roupas que vemos nas vitrines e eles noticiavam em seus blogs.

reality-show-leva-blogueiros-moda-trabalhar-fabricas-camboja-casa-560A série mostra, por exemplo, como o preço de uma peça bem simples pode ser o mesmo pago para o aluguel da casa de uma jovem cambojana da mesma idade dos blogueiros. Sokty, de 17 anos, recebe, em média, 3 dólares por dia de trabalho.

Em entrevista ao canal de notícias G1, após sua volta à Noruega, Anniken afirmou que demorou a se recuperar da experiência. Disse ainda que agora compra roupas raramente e seu blog fala mais sobre estilo de vida. Todavia, ela acredita que o principal problema não é “comprar”, mas as péssimas condições de trabalho a que as pessoas são submetidas. Os episódios do programa estão disponíveis no site do Aftenpost, com legenda em inglês.

O trailer do reality show, originalmente em norueguês, mas divulgado recentemente com legendas em inglês, viralizou na internet. Revela o que muitos de nós não enxergamos – ou fingimos que não, principalmente os amantes da moda. Por isso, o ideal é saber a procedência das roupas que você compra e não levar para casa peças de marcas envolvidas em denúncias.

Também já divulgamos aqui no Blog da Redação, do Planeta Sustentável, ferramentas com as quais se pode checar se há trabalho forçado na fabricação de produtos. Para isso, é só acessar a página do Slavery Footprint e responder um questionário online, que analisa as condições em que se é fabricado tudo aquilo que temos no guarda-roupa e nos armários de casa.

Há ainda o aplicativo Moda Livredisponível para os sistemas operacionais iOS e Android. Gratuito, mostra como as principais marcas de roupas lidam com as questões do trabalho escravo no Brasil e em suas cadeias de produção

Confira abaixo o vídeo com o trailer do reality show norueguês que está bombando nas redes sociais:


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Fotos: reprodução

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Bombas coloridas de sementes espalham flores (e salvam abelhas) Vanessa Daraya - 26/01/2015 às 09:40

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Você já ouviu falar em bombas de sementes? São pequenas bolinhas – feitas de materiais diversos – recheadas com sementes, adubo e argila e muito usadas por ativistas americanos na década de 70 como estratégia de reflorestamento. Quando são arremessadas e ficam expostas ao sol e à chuva germinam até mesmo em solo pouco fértil. Além de ser uma diversão lançar essas bombas por aí, é uma tática fácil e muito interessante para aumentar o verde em praças e terrenos baldios.

Em São Francisco, na Califórnia (EUA), por exemplo, elas têm sido usadas para combater o desaparecimento das abelhas. Com o intuito de espalhar flores silvestres por todos os cantos do país, o casal Chris Burley e Ei Ei Khin criou o projeto Grow the Rainbow* (“Cresça o arco-íris”, em tradução livre). O nome se deve às cores das bolinhas – feitas com sementes nativas dos Estados Unidos, composto orgânico para ajudar na fertilização e um pó não tóxico – que remetem ao arco-íris em tons pastel, como mostra a foto. Não dá vontade de comê-las?

Mas não é só para enfeitar as cidades que eles disparam bombas de sementes. Chris e Ei Ei querem que as abelhas voltem a voar pela Califórnia, pelos Estados Unidos, pelo mundo. Como sabemos, sua população está em declínio em várias regiões, inclusive no Brasil. Os cientistas acreditam que vários fatores contribuem para o colapso de suas colônias como a proliferação de pesticidas e parasitas, além da maior frequência de eventos extremos causados pelas mudanças climáticas. Tudo isso causa o declínio dos habitats naturais da espécie. E isso atinge a nossa vida diretamente.

As abelhas são indispensáveis para a produção dos alimentos porque polinizam cerca de 70% das frutais e vegetais que consumimos. Ao transportar o pólen de uma flor para outra, polinizam maçãs, morangos, amêndoas, melões, tomate, feijão, entre outros.

Criar abelhas num mundo complexo e contaminado como o de hoje, não é fácil, mas todos podem fazer sua parte para ajudar a proteger essa prática. E é por isso que Chris e Ei Ei estão na “batalha”, com seu projeto, para incentivar o plantio de flores.

Um pacote da Grown the Rainbow, com 20 bolinhas, custa cerca de nove dólares no site do projeto. Mas fabricá-las em casa é possível e pode ser ainda mais divertido. A jornalista Giuliana Capelo, autora do blog Gaiatos e Gaianos (aqui no Planeta Sustentável), em post recente, ensinou seus leitores a produzir bombas de sementes, mostrando as que ela fez como lembrancinhas para o chá de bebê da filha que vai nascer em fevereiro.

Que tal espalhar essa ideia e ajudar a colorir as terras do Brasil, também? De quebra, com certeza as abelhas virão participar dessa festa.

*Grow the Rainbow 

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Foto: Divulgação/Seedles/Grow the rainbow

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Nos EUA, casal recebe US$ 2,2 milhões para trocar asfalto por placas solares Marina Maciel - 23/01/2015 às 16:09

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O casal norte-americano Julie e Scott Brusaw tem um sonho ambicioso: trocar todo o asfalto do mundo por placas solares, o que reduziria drasticamente as emissões de gases de efeito estufa e geraria energia limpa e renovável. A boa notícia é que o plano visionário está mais perto de se tornar realidade.

Batizado de Solar Roadways*, o projeto dos dois recebeu US$ 2,2 milhões via financiamento coletivo – aliás, mais que o dobro do valor que pediram inicialmente na plataforma de crowdfunding Indiegogo. O dinheiro veio de mais de 48 mil pessoas, de 42 países. Um sucesso! Especialmente, porque o vídeo de divulgação viralizou na web, com mais de 19 milhões de visualizações (assista no final deste post).

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Como colocar o projeto em prática? Para responder a essa pergunta, vou contar a história do começo. Quando tiveram a ideia de instalar painéis fotovoltaicos no chão, o casal passou a pesquisar uma forma de fazer as placas aguentarem muito peso. “Queríamos painéis solares em que você pudesse dirigir, estacionar e andar em cima”, conta Scott, que é engenheiro elétrico, no site da iniciativa. A pesquisa durou oito anos, mas foi bem sucedida!

Com financiamentos da Administração Federal de Rodovias dos EUA, o casal desenvolveu painéis que podem aguentar mais de 113 toneladas. Feitos de vidro (10% do material é reciclado!), cada módulo possui pequenos hexágonos que contém células solares.

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Agora, o dinheiro arrecadado com o crowdfunding será usado para viabilizar a tecnologia no mundo todo e contratar profissionais. “Esses painéis podem ser instalados em rodovias, estacionamentos, calçadas, ciclovias e playgrounds… Literalmente, em qualquer superfície abaixo do sol”, conta o casal em seu site.

A ideia é que a eletricidade gerada pelas placas abasteça casas e empresas. De acordo com os cálculos do casal, um sistema nacional de painéis pode produzir mais energia limpa do que os Estados Unidos usa como um todo.

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Além disso, o Solar Roadways também tenta convencer com outros benefícios, como:
- fazer crescer o mercado de carros elétricos, graças aos novos postos de abastecimento de energia;
- acabar com os postes de energia das ruas, já que os fios de transmissão de eletricidade seriam subterrâneos;
- descongelar neve que fica acumulada nas vias, e
- sinalizar com iluminação LED pessoas e animais atravessando a pista à noite.

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Convenceu?

Abaixo, assista ao vídeo do projeto:

*Solar Roadways

Fotos: Divulgação/Solar Roadways

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