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Startup vai usar drones para semear 1 bilhão de árvores por ano e reflorestar o planeta Suzana Camargo - 16/04/2015 às 17:43

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Corte de madeira, mineração, agropecuária e a cada vez maior expansão dos centros urbanos em direção às florestas são responsáveis por levar ao chão aproximadamente 26 bilhões de árvores por ano.

Para reverter este cenário de destruição, o americano Lauren Fletcher sonha em fazer um replantio em escala industrial: semear 1 bilhão de árvores por ano usando drones. “Há anos eu e meu time estudamos as mudanças climáticas. Com esta tecnologia, acreditamos que poderemos mudar o mundo”, afirma o visionário.

Fletcher, engenheiro que trabalhou durante 20 anos na Agência Aeroespacial Americana (Nasa), é o CEO da BioCarbon Engineering, sediada em Oxford, na Inglaterra. A startup desenvolveu um projeto que utiliza a tecnologia dos drones para mapear, plantar e monitorar o crescimento das mudas.

No ar, os drones farão o mapeamento preciso das áreas que precisam ser replantadas, gerando imagens em alta resolução e mapas em 3D. Em seguida, o equipamento será usado para o plantio de sementes germinadas, que tem índice de absorção na terra muito mais alto quando comparado a técnicas que fazem dispersão aérea de sementes  secas.

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O drone lança do ar casulos com sementes pré-germinadas

O sistema é bastante sofisticado. Os drones descem a dois ou três metros acima do solo e lançam uma espécie de casulo, que contem sementes pré-germinadas, cobertas por um hidrogel com nutrientes. O veículo aéreo tem capacidade para plantar dez sementes por minuto. Fletcher acredita que será possível plantar 36 mil mudas de árvores por dia.

A técnica de agricultura de precisão garantirá o replantio em larga escala. Segundo a BioCarbon Engineering, o plantio manual é caro e lento e o que espalha sementes secas apresenta baixo índice de germinação.

Numa última etapa, os drones servirão para monitorar as áreas que foram replantadas. Esta informação ajudará a fornecer avaliações da saúde do ecossistema ao longo do tempo.

start-up-vai-semear-1-bilhao-arvores-com-drones-e-reflorestar-planeta-560A startup estima que será possível plantar 36 mil mudas de árvore por dia

No ano passado, o projeto da BioCarbon Engineering recebeu um prêmio da Skoll Foundation, fundação americana que investe na inovação e empreendedorismo social. Mais recentemente, ficou com o terceiro lugar na competição Drones for Good, nos Emirados Árabes Unidos.

A intenção do engenheiro americano é que até o meio do ano os drones já estejam no ar, semeando novas florestas pelo planeta. Que bons ventos os levem!

Assista abaixo ao vídeo em que Lauren Fletcher explica como funcionará o replantio de árvores com drones:

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Fotos: Pavel Ahmed (abertura) e divulgação BioCarbon Engineering

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Casa de repouso na Holanda abriga universitários em troca de companhia Vanessa Daraya - 14/04/2015 às 10:23

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Na casa de repouso Humanitas, em Deventer, na Holanda, é comum observar longos e gostosos bate-papos entre jovens e idosos. As conversas parecem acontecer entre netos e avós que se gostam muito. Todos moram juntos, só que não há vínculo sanguíneo entre eles.

Essa interação entre gerações, que coloca sob o mesmo teto 160 idosos e seis universitários faz parte de um projeto inovador, que começou há dois anos, quando o estudante Onno Selbach entrou em contato com a gerente da casa de repouso, Gea Sijpkes. Ele reclamava do excesso de barulho, das condições precárias da universidade onde morava – com alojamentos caros e pequenos – e sugeria um intercâmbio.

Lá, os estudantes das universidades Saxion e Windesheim não precisam pagar aluguel, desde que passem ao menos 30 horas por mês como “bons companheiros” dos idosos. O objetivo é reduzir a solidão dos mais velhos e acabar com a imagem negativa que muitos têm sobre o processo de envelhecimento.

Os estudantes participam de diversas atividades com os moradores. Preparam refeições, fazem compras, comemoram aniversários, assistem TV e fazem companhia quando alguém adoece. Também planejam atividades de acordo com os interesses de cada um.

Quando um grupo de idosos demonstrou interesse por grafites, por exemplo, os alunos os levaram para as ruas, munidos de spray e pedaços de papelão para ensiná-los sobre essa forma de arte. Já o morador Anton Groot Koerkamp, de 85 anos, se interessou por aulas de informática. Jurrien Johanna, seu vizinho de 22 anos, se prontificou a ajudá-lo. Hoje, Anton já sabe navegar na internet, tem perfil no Facebook e envia e-mails.

São relações como a de Anton e Jurrien que rompem o isolamento social e a solidão – tão comuns entre os idosos –, responsáveis pelo aumento dos casos de depressão e até de mortalidade. Só que é difícil dizer quem se beneficia mais com o projeto. Os moradores desfrutam – e muito – da presença dos jovens, mas os estudantes também aprendem. Essa conexão entre gerações cria interações sociais positivas e benéficas para todos os residentes da casa de repouso, sejam jovens ou idosos. É uma belíssima forma de criar um ambiente acolhedor e acabar com a barreira dos idosos com o mundo exterior.

Os jovens podem entrar e sair quando necessário, desde que não incomodem os mais velhos. Mas não é qualquer aluno que pode morar nesta simpática casa! Os interessados passam por processo de seleção criterioso antes de se mudar para lá. Na avaliação, são levadas em conta a origem do estudante e suas motivações para o trabalho no local.

O projeto criativo da Humanitas já ultrapassou as fronteiras holandesas. Intercâmbios de gerações têm surgido na França, Reino Unido e Estados Unidos, só que de formas diferentes. Em alguns países, idosos independentes alugam quartos com desconto para estudantes.

Mas os pioneiros são os espanhóis, que começaram as experiências de habitação compartilhada em 1996, em Barcelona. Segundo a Associação Internacional de Lares e Serviços para o Envelhecimento* (IAHSA, na sigla em inglês), o programa funciona hoje em mais de 27 cidades.

Espero que a ideia chegue ao Brasil e, aos poucos, melhore o sistema atual de atendimento ao idoso. Afinal, a população daqui e de outros países está ficando mais velha. A vida está cada vez mais longa, mas nascem menos crianças. E todos, sejam crianças, jovens, adultos ou idosos, precisamos aprender a conviver com as diferenças (e com todas as idades).

*Associação Internacional de Lares e Serviços para o Envelhecimento

Foto: Cortesia/Divulgação/Humanitas

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Ervas sp: ‘matinhos’ que brotam do concreto ganham intervenções artísticas Laís Semis - 10/04/2015 às 16:46

projeto-ervas-sp-mapeamento-e-catalogacao-minhocao-1-560Atualizado em 13/04/2015 às 10:30.

Diferente de muitas plantas que você pode ter em casa, elas não precisam de tanto cuidado. Aliás, basta uma rachadura no concreto, entre o asfalto e a calçada, no canto ou meio do muro, entre as lajotas ou em qualquer outro buraquinho – somado a um pouco de sol e chuva – para que elas nasçam e se desenvolvam. Para a maioria das pessoas, elas são só mais um matinho, uma planta-praga, uma erva daninha. Ninguém dá muita importância para elas e a opção geralmente é arrancá-las, de preferência, pela raiz – para evitar que cresçam novamente. Se identificou?

Sem nomes conhecidos, elas vivem às margens das outras plantas. Mas, na contramão de quem quer seu extermínio, a artista visual Laura Lydia as coloca como protagonistas da iniciativa Ervas sp. Observando a relação entre cidade, pessoas e vegetação, Laura enxergou no pavimento que parecia impermeável um suspiro de vida. “Pra mim, essas plantas são como uma metáfora de vida: persistência de brotar aonde parece não ter possibilidade alguma. Eu faço uma analogia com esse direito e com o direito ao espaço e à cidade. Quero chamar a atenção para a necessidade que a vida tem de acontecer”, explica Laura no teaser de apresentação do Ervas sp, que pode ser assistido no final deste texto.

A ideia surgiu em 2010, com pequenas expedições e intervenções, mas ganhou todo o elevado e reuniu uma equipe multidisciplinar para expandir o trabalho no início deste ano, quando o Ervas sp foi contemplado pelo Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais 2015.

A partir daí, se tornaram mais frequentes as explorações pelo Elevado Costa e Silva, o polêmico Minhocão, aos domingos, quando os carros são impedidos de passar pelo local e as pessoas o ocupam. Nos passeios pela via, ela mapeou as plantas que encontrou – cerca de 1.500 plantas e 44 ervas diferentes – e fez lindas intervenções: pintou um fundo branco ao lado de cada erva que conseguiu identificar, desenhando-a em detalhes e indicando seu nome científico. Para a catalogação, Laura contou com a ajuda do fotógrafo e biólogo Vitor Barão. Ainda integram a equipe o câmera Caio Dias, o editor de vídeo Christian Caselli, a designer Ana Dias, além da Goitacá Produções e a artista visual Isadora Ferraz.

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Além de dar protagonismo à vegetação, o conceito trazido por Laura também é o de ocupação. Afinal, o quê existia ali antes do Elevado Costa e Silva ser construído, nos anos 70, e antes mesmo da urbanização tomar conta do espaço? As ervas daninhas apenas ocupam um espaço que é delas por direito.

Infelizmente, as identificações feitas em 2010 pela artista (e outras mais recentes) foram apagadas em ações de “limpeza” realizadas pela prefeitura no local, cobertas por tinta cinza. Mas todo esse trabalho deu origem a um catálogo impresso, com imagens do processo e seu resultado final, distribuído gratuitamente pelo Ervas sp em 12/04. Nesse dia, o grupo convidou os apaixonados por botânica, artes, fotografia e pelo Minhocão para participar de expedição coletiva para reconhecimento das espécies e de oficina de desenho ministrada por Laura Lydia, além de assistir à projeção de vídeo de apresentação de todas as ações realizadas até agora.

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Desde que foi criado, o grupo não se limitou ao trabalho realizado no Minhocão. Produziu uma série de gravuras em metal de ervas daninhas encontradas pela cidade. E, em 2012, explorou novos territórios a convite da Galeria Gravura Brasileira: promoveu expedição pelos arredores da galeria, no bairro de Perdizes, também em SP, em projeto desenvolvido para o festival de artes gráficas SP Estampa.

Agora, assista ao teaser que apresenta a iniciativa:

Fotos: Vitor Barão/Ervas SP

Leia também: Ervas sp faz expedição pelo Minhocão.

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