BLOGS |Biogás: a energia invisível

A nota fiscal de Colombari Suzana Camargo - 08/10/2014 às 12:09

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A Granja Colombari, em São Miguel do Iguaçu, no oeste do Paraná, tinha cerca de 3 mil suínos, pesando entre 25 e 110 quilos, e produzindo nada menos que 36 m3/dia de vazão média de dejetos.

A história de como José Carlos Colombari, proprietário da granja, transformou estes dejetos em biogás e conseguiu ainda vender a energia excedente produzida localmente para a Companhia Paranaense de Energia (COPEL) é um dos capítulos mais fascinantes de Biogás, a Energia Invisível, de Cícero Bley Jr. 

O produtor de leitões já era um dos pioneiros na região a fechar contrato de mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL) junto a uma empresa canadense, em que obtinha créditos por redução de emissões de carbono por ter instalado um biodigestor na granja e implantado projeto energético.

Interessado em produzir energia elétrica a partir do biogás para poder investir no crescimento do negócio, Colombari conduziu então o gás para alimentar um motogerador. “A visão estratégica de Colombari se fez realidade”, diz Cícero no livro. Foi construída uma fábrica de ração própria, alimentada com energia elétrica a partir do biogás. “A lucratividade da fazenda com esta autossuficiência em ração aumentou consideralvamente”.

Todavia, a energia produzida com os dejetos ainda sobrava. Graças a um acordo intermediado pela Itaipu/Energias Renováveis, a Granja Colombari conseguiu viabilizar um contrato de microgeração com biogás.

Foi uma cooperação entre Itaipu, a maior geradora de energia hidrelétrica do mundo, com a menor geradora termelétrica em operação na região. “Percebeu-se ali … a formação real de parcerias fundamentais para a edificação de um mundo novo das energias“, comemora o autor do livro. A pequena granja vendia para a geradora oficial do estado o excedente da energia produzido localmente.

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Símbolo desta grande conquista é a nota fiscal do produtor rural, na imagem acima (clique para ver em tamanho maior). A mesma nota usada para vender produtos rurais como grãos e suínos, passou a ser utilizada para comercializar um novo artigo: energia elétrica. O valor obtido com a venda de 19 MW hora/mês em fevereiro de 2011, ao preço de R$ 135 por MW hora/mês, foi de cerca de R$ 2.500,00.

“As notas fiscais de Colombari comprovam a possibilidade real de se transformar o conhecimento sobre energia, acumulado pelo setor elétrico, armazenado nos arquivos científicos, em economia”, afirma Cícero Bley Jr.


Leia também:
A era dos gases
A redescoberta do biogás
O gás verde
Por que ler o livro?

Foto: Agriculture, Food and Rural Communities/Creative Commons

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Homem, o ser energívoro Suzana Camargo - 17/09/2014 às 12:07

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Nós somos os únicos seres vivos que consumimos mais energia do que produzimos. Na natureza, os animais sabem respeitar este equilíbrio vital. O urso hiberna por seis meses e o leão dorme de 16 a 20 horas por dia.

“O ser humano é o único no planeta que gasta a própria energia e vai além dela milhares de vezes”, afirma Cícero Bley Jr. É por essa razão que o autor de Biogás, a Energia Invísivel considera o homem um ser energívoro.

Clique na imagem deste infográfico do livro, conseguimos ver como a energia faz o corpo humano  funcionar e quais países são os maiores produtores e consumidores mundiais dela. A China está no topo da lista. Certamente é hora dos chineses repensarem o modelo energético!

Os interessados podem baixar a versão digital do livro Biogás – A energia invisível aqui, por R$ 28.

 

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Biogás ao alcance de uns cliques Liana John - 10/09/2014 às 15:29

Post originalmente publicado no blog Agrisustenta,  do Planeta Sustentável 

Instalar um biodigestor para processar os dejetos de animais confinados é uma solução de múltiplas vantagens ambientais e econômicas para o criador. Reduz significativamente a poluição das águas e as emissões de gases estufa; acaba com o mau cheiro e as moscas; transforma esterco em biofertilizante estabilizado; gera biogás para uso no aquecimento ou para transformação em eletricidade e garante energia firme na propriedade rural, sem ameaças de racionamento ou corte, mesmo em tempos de estiagem prolongada. Além disso, a produção de biogás tem um apelo tecnológico que ajuda a fixar a nova geração no campo, evitando o êxodo para as zonas urbanas.

Mas qual o melhor biodigestor? Quais as dimensões adequadas? Como calcular a quantidade de dejetos conforme o tipo e a idade dos animais criados? Ou conforme estejam em lactação ou na engorda? Como produzir eletricidade, além de biogás e biofertilizante? Como fazer a análise de viabilidade? E calcular a equivalência econômica da eletricidade a ser gerada? Como obter financiamento pelo Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono)?
Todas essas perguntas agora podem ser inseridas num aplicativo gratuito para celular e tablet, que devolve a cada produtor as informações básicas para desvendar os mistérios do biogás. Assim, ele pode montar um projeto de instalação de biodigestores, apropriado para o seu uso e para a região onde fica sua propriedade.

O aplicativo Biogas Simulator foi desenvolvido para aparelhos com sistema Android pelo tecnólogo em biocombustíveis, Pedro Chamochumbi, e seu parceiro, o engenheiro agrônomo João Marcelo Elias. Ambos vão completar um ano à frente da startup CH4, hospedada na Esalqtec, a incubadora tecnológica da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), em Piracicaba, São Paulo.

“Queremos contribuir para a difusão das tecnologias de geração de biogás, que resolvem problemas ambientais importantes na propriedade rural e contribuem para a redução de emissões associadas às mudanças climáticas”, resume Pedro. “Com o aplicativo, o produtor consegue avaliar a viabilidade do biogás sem ter necessidade de procurar um profissional especializado nem arcar com o alto custo associado à contratação desse profissional”.

Ao final dos cálculos automáticos feitos através do Biogas Simulator, o usuário tem como opção enviar seu projeto para a CH4. A empresa então pode desenvolver um projeto produção de biogás e apontar as melhores alternativas de compras na cadeia de suprimentos de fornecedores parceiros. “Para nós, o aplicativo funciona como um centralizador de demanda. Se o produtor se interessar, após os cálculos, aí podemos detalhar o projeto, acompanhar a instalação ou prestar assessoria até a obtenção do financiamento ABC junto ao Governo Federal. E o produtor que não quiser não precisa enviar seus cálculos, ele vai obter os resultados do mesmo modo”, acrescenta.

Os projetos em andamento, por enquanto, concentram-se na região Sudeste, sobretudo entre suinocultores e no confinamento de bovinos de corte ou gado leiteiro. “O confinamento é uma tendência de diversificação entre produtores de cana, no interior de São Paulo, para aproveitamento das áreas não mecanizáveis dos antigos canaviais, agora que a colheita manual já não pode mais ser feita devido ao protocolo ambiental para acabar com as queimadas”, prossegue Pedro. “Mas também temos consultas de criadores de aves da região de Sorocaba, Cerquilho (SP) e temos interessados do Centro-Oeste, do Sul e até de outros países, como a Alemanha, onde a cadeia do biogás é muito desenvolvida, com mais de 30 mil pequenas usinas em funcionamento”.

Se, além do biodigestor, o produtor quiser instalar uma pequena central de produção de eletricidade, a venda do excedente de energia pode gerar uma boa renda extra ou um desconto considerável na conta de luz. Por enquanto, porém, a maioria dos clientes da CH4 quer o biogás para uso próprio, assegurando a autossuficiência energética da propriedade, a par de fazer o saneamento ambiental e de economizar com a substituição dos adubos químicos pelo biofertilizante, num ciclo bem sustentável.

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Biogás: a energia invisível

Entre as fontes de energia, mesmo as não convencionais, o biogás passa despercebido por quem pode gerá-lo, pelos planejadores e pelos gestores do setor energético. Em seu livro Biogás: A Energia Invisível, o engenheiro agrônomo Cícero Bley Jr. quer dar visibilidade a esta fonte renovável, além de incentivar seu uso para microgeração de energia. Editada pelo Planeta Sustentável - em parceria com a Itaipu Binacional e o CIBiogás-ER -, a obra mostra que, ao contrário do que prega o ditado popular, focinho de porco pode ser tomada, sim! Ou melhor, que os dejetos da criação dos porcos podem resultar em produção de energia elétrica a partir do biogás e ainda suprir todas as necessidades de energia elétrica de uma pequena propriedade e ser distribuída na rede. Neste blog (atualizado pela redação do Planeta), acompanhe a publicação de trechos do livro, resenhas, entrevistas e muito mais.

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