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Viva São João! Lá no alto e aqui no chão! Liana John - 23/06/2011 às 16:34

 

Festa junina que
se preza tem pinhão na panela!

 

O fato de a safra
de pinhão coincidir com o início do inverno – e as festas de Santo Antonio, São
João
e São Pedro – é uma bênção extra para os festeiros. Nada melhor que forrar
o estômago com a semente nutritiva do pinheiro brasileiro, quentinha, e depois
sair dançando quadrilha e tomando quentão! E a benção se estende a quadrúpedes
e voadores, pois não são poucos os animais da nossa fauna para os quais o pinhão
é o principal alimento, numa época em que quase não há frutos
disponíveis.

 

O que pouca gente
sabe, é das outras participações de produtos da araucária (Araucaria
angustifolia
) nas mesmas festas juninas. Tem móveis feitos de pinho, claro,
pode ser a mesa com os quitutes ou as cadeiras e os bancos para as sinhás e os
sinhôs descansarem. Tem também a lenha e o nó de pinho, abastecendo as
fogueiras. Mas não é a eles que me refiro, é à resina extraída do nó de pinho
por meio de dissolução em álcool.

 

A resina natural
da araucária tem uma composição muito particular, com diversos usos pouco
conhecidos. Como ajudar a selar alguns fogos de artifício, de forma a garantir
que subam aos céus em segurança e enfeitem a noite de festa em lugar de causar
acidentes. Ou servir como verniz alimentício – comestível, sim – na fabricação
de queijos e embutidos. Quer dizer, se além do pinhão, a festa tem linguiça,
salame ou assemelhados, ali tem araucária também.

 

Outra aplicação
dessa resina é como tinta flexográfica, para impermeabilizar e dar brilho a
papéis de presente e outros tipos de papel, como as bandeirinhas coloridas da
nossa festa junina ou as imagens do santo do dia pendurada lá no alto do pau de
sebo! E ao lado das bandeirinhas, nas lâmpadas que iluminam o arraial, vai
resina de araucária igualmente!

 

Não chega? Pois a
versatilidade da resina se estende pelo chão. O produto é usado como
impermeabilizante em vernizes de assoalhos; entra na composição de emulsão
asfáltica
(para vedação) e como aditivo incorporador de ar em concreto e
argamassa, detalhe importante quando se quer evitar rachaduras num piso exposto
ao tempo – sobretudo aos contrastes entre o calor do sol do meio-dia e o frio
da noite estrelada, como acontece no Brasil em junho.

 

A lista de utilidades
da resina natural de araucária abrange ainda peças automobilísticas, colas de
tubulações
, colas de peças metálicas, tinta para espelhos, verniz para couro e
produtos farmacêuticos. E quem detalhou tudo isso, um por um, foi a técnica
Rosana dos Passos Ribas, da Esquipar, empresa sediada no Paraná, uma das poucas
a comercializar as múltiplas versões da resina de araucária. Rosana explicou,
inclusive, como a resina é extraída do nó de pinho, depois passa por uma
caldeira a vapor para ser transformada em pasta, em seguida é ventilada em um
equipamento especial até se transformar em flocos de mais ou menos um
centímetro e então vira quase um pó, parecido com purpurina marrom.

 

Um viva, então, à
‘purpurina’ de São João! Tão boa lá no alto como aqui no chão!

 

Foto: Liana John
(reflorestamento de araucárias)

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Comentários

23/06/2011 às 18:35 Anonymous - diz:

Iris – diz:Tão bom saber tudo o que a nossa biodiversidade brasileira pode nos oferecer, se soubermos usar de forma inteligente e sustentável!Adorei o post, como sempre!!

25/06/2011 às 23:11 Anonymous - diz:

Lia Inês – diz:Nossa!mil e uma utilidades!adorei!E um viva para a Araucaria!

27/06/2011 às 11:41 Anonymous - diz:

Mariana Senna – diz:Nossa mãe! Araucária é igual “Bombril”, mil e uma utilidades! Encontramos aqui sempre posts muito interessantes. Parabéns mais uma vez!

27/06/2011 às 17:03 Anonymous - diz:

Carla Sabiá – diz:Esta foi muito boa , as outras também , mas esta da tradição do pinhão foi saborosa.ahahhaha

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BiodiversaLiana John

Liana John é jornalista ambiental. Escreve sobre conservação, mudanças climáticas, ciência e uso racional de recursos naturais há quase 30 anos, nas principais revistas e jornais do país. Ao somar entrevistas e observações, constatou o quanto somos todos dependentes da biodiversidade. Mesmo o mais urbano dos habitantes das grandes metrópoles tem alguma espécie nativa em sua rotina diária, seja como fonte de alimento ou bem-estar, seja como inspiração ou base para novas tecnologias. É disso que trata esse blog: de como a biodiversidade entra na sua vida. E como suas opções, eventualmente, protegem a biodiversidade.

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