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Vai antigraxa aí, doutor? Liana John - 26/08/2010 às 08:00


Banha, cera e sebo são compostos fundamentais para os seres vivos. Desempenham funções variadas, da estocagem de energia à proteção do animal ou da planta contra agressões do ambiente – vento, água, poeira – e de parasitas ou pragas. Mas quando a vida se extingue – ou onde não há vida – eles podem se transformar em problema, pois costumam ser difíceis de degradar e frequentemente produzem mau cheiro.

Assim, essa fábrica de boas ideias a que chamamos natureza ‘inventou’ uma categoria de antigraxas para dar conta da faxina na floresta, acelerando a degradação das gorduras, agindo sobre partículas em suspensão e deixando o ar leve e saudável, com seu imbatível cheirinho de mato. As moléculas antigraxa são óleos também, mas óleos voláteis, ou seja, com a propriedade de se transformarem em vapor à temperatura ambiente. São estruturas orgânicas à base de carbono, genericamente chamadas de terpenos.

Flores, folhas, cascas de troncos e raízes, nas plantas, produzem essas moléculas ‘faxineiras’ e as liberam continuamente no ar. Animais também produzem terpenos, mas não superam as plantas em quantidade, variedade e qualidade, embora a produção das plantas também sofra variações, a depender do solo, do clima e da composição da vegetação. Venham de onde vierem, os terpenos não ficam só na faxina aérea: também são arrastadas para o chão com a água das chuvas, ou mesmo com o sereno, e lá continuam a limpeza, dando conta de decompor as gorduras presentes em carcaças ou outros resíduos orgânicos e ainda eliminar seus odores desagradáveis.

 

Nas mãos do químico Maurício Castro e do empresário José Luiz Majolo, a ‘invenção’ da natureza virou uma linha de produtos comerciais, fabricados na Terpenoil, em Jundiaí, no interior de São Paulo. A linha inclui desengraxantes, removedores, detergentes, neutralizadores de odor, bactericidas, fungicidas, antimicrobianos, inseticidas e repelentes, de uso industrial, doméstico ou em ambientes comerciais.


Em residências e em hotéis, o carro-chefe é o tratamento antimofo. Nas fábricas, a estrela é o produto antigraxa para peças de máquinas industriais: é só mergulhar a peça suja de graxa numa mistura de água com os terpenos certos e, em questão de dias, a peça sai limpinha, sem precisar esfregar ou fazer malabarismos para alcançar as reentrâncias mais escondidas.

Os desengraxantes sintéticos disponíveis no mercado levam 2 anos para produzir o mesmo efeito, conforme Maurício Castro, responsável pelo desenvolvimento de vários produtos comercializados pela Terpenoil. E os terpenos ainda são ecologicamente corretos, pois os resíduos contidos na água de lavagem são biodegradáveis. Em outras palavras, transformam a grudenta graxa em uma porção de compostos mais simples e não tóxicos, sendo que, em apenas 14 dias, os subprodutos já estão 93% degradados!

Com uma performance dessas, águas sanitárias e solventes químicos não dão nem pro cheiro!

Foto: Liana John

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Comentários

29/08/2010 às 09:22 Anonymous - diz:

Isabel Pellizzer – diz:Que maravilha! Será que também poderá ser utilizado na faxina caseira que consume grande quantidade de produto quimicos para eliminar gorduras?

13/01/2011 às 18:14 Anonymous - diz:

Regina Scharf – diz:Este projeto é, de fato, a cara do Majolo, meu ex-chefe, um cara à frente do seu tempo, de uma ética e um engajamento na sustentabilidade a toda prova.

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BiodiversaLiana John

Liana John é jornalista ambiental. Escreve sobre conservação, mudanças climáticas, ciência e uso racional de recursos naturais há quase 30 anos, nas principais revistas e jornais do país. Ao somar entrevistas e observações, constatou o quanto somos todos dependentes da biodiversidade. Mesmo o mais urbano dos habitantes das grandes metrópoles tem alguma espécie nativa em sua rotina diária, seja como fonte de alimento ou bem-estar, seja como inspiração ou base para novas tecnologias. É disso que trata esse blog: de como a biodiversidade entra na sua vida. E como suas opções, eventualmente, protegem a biodiversidade.

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