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Tucupi, tacacá e tá na cara Liana John - 26/05/2011 às 18:43
O toque especial
do tucupi e do tacacá duas receitas tradicionalíssimas do estado do Pará é
uma erva nativa da região Norte, aparentada com as margaridas e o girassol,
chamada jambu (Acmella oleracea). No tucupi, a base do prato é pato e, no
tacacá, a base é peixe ou camarão. Em ambas receitas entra um caldo de goma de
mandioca como molho e o jambu pode ser refogado ou cozido.
A particularidade
da planta, quando mordida, é causar uma estranha sensação de adormecimento ou formigamento
da língua e dos lábios, seguida de um tremido muito específico e aumento da
salivação. Ao engolir, é possível também sentir um frescor na garganta,
semelhante ao experimentado com as mentas e as hortelãs. Tudo coisa passageira,
mas não a ponto de passar despercebida. Na medicina popular, essa propriedade
do jambu há muito é aproveitada para aliviar dor de dente, sobretudo por
ribeirinhos que vivem longe dos centros urbanos e só contam com a floresta para
socorro imediato.
Já nos
laboratórios de pesquisa foi isolada a substância responsável pelo efeito
anestésico, uma alquilamida batizada como espilantol (spilanthol ou spilantrol) devido ao antigo nome
científico do jambu: Spilanthes acmella. E descobriu-se que essa substância age
sobre os músculos, provocando o que tecnicamente se conhece como
miorrelaxamento, um processo capaz de diminuir o aprofundamento das linhas de
expressão e, portanto, suavizar rugas do rosto. Resultado: o jambu deixou de
ser exclusividade da culinária regional e do pronto-socorro popular para integrar
a formulação de cosméticos sofisticados, como costumam ser os produtos
destinados a remoçar homens e mulheres.
É um ativo
seguro à base de plantas com resultados rápidos e expressivos, com o qual
trabalhamos há dois anos, confirma Gisele Bortollan, do departamento de
Pesquisa e Desenvolvimento da indústria Racco,empresa sediada em Curitiba, no
Paraná, em cuja linha de cosméticos já existe um antirrugas à base de jambu.
Segundo ela, foram realizados testes de segurança e eficácia
antienvelhecimento, normais a todos os produtos da nossa linha, e os resultados
foram todos positivos. A empresa já exporta para os Estados Unidos, Portugal,
Angola, Paraguai e Bolívia e, num futuro próximo, deve desenvolver outros
produtos com o mesmo princípio ativo.
A parte mais
interessante da história é a facilidade de obtenção do espilantol a partir de
extratos feitos com a própria planta, de fácil cultivo e crescimento rápido.
Basta ser uma região livre de geadas. Em alguns países da Europa e, sobretudo,
na Ásia, o jambu brasileiro já é plantado como forragem ornamental ou para o
consumo como alimento. Na China, por exemplo, os ramos, as folhas e as
inflorescências são comercializados secos e existem diversos pratos
considerados iguarias que incluem a erva, eventualmente usada também para
suavizar pimentas muito ardidas.
Foto: Silvestre
ver este postcomente
Silva (jambu florido)
27/05/2011 às 13:17 Anonymous - diz:
Lola – diz:O Tacacá também é comida tÃpica de Amazonas, Acre e Rondônia. Aqui no Acre o caldo não é feito da goma de mandioca, é feito com caldo da mandioca crua, fervido e temperado com sal, açafrão ou colorau, pimentinha de cheiro e várias outras especiarias. A goma da mandioca feita tipo mingau é colocada no caldo já pronto, com as folhas do jambu cozido, os camarões e pimenta pra quem quiser. Ah e as propriedades rejuvenecedoras são reais e facilmente observáveis em quem come a erva regularmente. Também dá pra fazer lambedor de jambu para usar como expectorante. Há quem diga que é afrodisÃaco, mas o que se sente é um calor da moléstia, um suador subindo por aqui e por ali. Enfim, tacacá é minha comida preferida desde que nasceram meus dentinhos e parei de mamar. =D
27/05/2011 às 16:58 Anonymous - diz:
Haroldo Castro – diz:Excelente historia. Vai ter madames paraenses e amazonenses passando tucupi e tacaca no rosto!!! Otimo!
27/05/2011 às 22:23 Anonymous - diz:
João Meirelles – diz:Isto mesmo, Liana, mto bom, o melhor de tudo é arroz com jambu, pizza com jambu, e na terra onde pouca gente come verdura fresca o jambu é importante!, bjs Joao
08/08/2011 às 16:44 Anonymous - diz:
Adamara – diz:No texto acima vc fala que o nome antigo é Spilanthes acmella??? Na verdade não são sinonímias botâncias??? Onde vc achou que é antigo??? A indústria racco fabrica o antirrugas…achei que era a Natura?!?!?! Onde encontro esse dado??? Vc quiz dizer que o espilantol é de fácil purificação???
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Liana John é jornalista ambiental. Escreve sobre conservação, mudanças climáticas, ciência e uso racional de recursos naturais há quase 30 anos, nas principais revistas e jornais do país. Ao somar entrevistas e observações, constatou o quanto somos todos dependentes da biodiversidade. Mesmo o mais urbano dos habitantes das grandes metrópoles tem alguma espécie nativa em sua rotina diária, seja como fonte de alimento ou bem-estar, seja como inspiração ou base para novas tecnologias. É disso que trata esse blog: de como a biodiversidade entra na sua vida. E como suas opções, eventualmente, protegem a biodiversidade.
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