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Uma torneirinha para o bem-estar Liana John - 02/12/2010 às 21:52
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Procurando bem, toda família tem um tio meio careca, sempre em busca de tônicos capilares capazes de preservar os derradeiros fios na cabeça. Toda família tem ao menos uma ameaça de glaucoma entre seus membros mais idosos. E toda família tem também uma avozinha impaciente com a boca seca, a dificuldade para engolir e a falta de sabor da comida de "hoje em dia".
Pois os remédios para problemas tão diferentes entre si podem vir todos do mesmo princípio ativo o alcalóide pilocarpina extraído das folhas do jaborandi (Pilocarpus microphyllus). Trata-se de um tipo de alcalóide raro e diferenciado, capaz de estimular a produção de diferentes secreções do organismo humano, como suor e saliva.
A planta é arbustiva, com cerca de 2 metros de altura, folhas pequenas, flores e frutos em cachos miúdos. É originária do Pará, Maranhão e Piauí, mas também existe em outras regiões do Brasil, cultivada para abastecer a indústria cosmética.
O uso mais comum do extrato de jaborandi é como tônico capilar, xampu ou condicionador contra a queda de cabelos. Mas a atividade da pilocarpina no tratamento de glaucoma também é bem conhecida: ao favorecer a produção de secreções, o alcalóide ajuda a reduzir a pressão interna do olho. Assim, é possível evitar ou postergar a cegueira decorrente da doença.
Mais recente é o investimento em pesquisas sobre o uso da pilocarpina no tratamento de xerostomia, termo técnico que designa a diminuição de produção de saliva, em geral com diversos efeitos colaterais como mau hálito, dificuldade para mastigar e deglutir, língua rachada, feridas na boca, paladar reduzido, pigarros e tosse seca.
Segundo um estudo realizado nos últimos dois anos pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), sob coordenação de Kátia Maria Martins Veloso, o uso de tintura de jaborandi é mais eficiente e muito mais barato do que o de medicamentos convencionais, chamados de saliva artificial.
O medicamento sintetizado tem ação tópica e temporária: a pessoa tem dificuldade em engolir, aplica o spray e resolve o problema imediato de falta de saliva, mas depois volta a ficar com a boca seca, explica a dentista Kátia Veloso, especialista em Fisiologia. Já a tintura de jaborandi é sistêmica: ela estimula a produção de mais saliva e tem efeitos mais duradouros. É como se o cérebro abrisse uma torneirinha emperrada, voltando a enviar o comando de produção para as glândulas responsáveis pelas secreções corporais.
O natural também custa menos: enquanto o spray artificial sai por R$ 50,00, o preço da tintura é R$ 15,00.
Normalmente, um adulto deve produzir 1,5 litro de saliva por dia. Mas esta produção diminui, conforme explica a pesquisadora, em pacientes com câncer submetidos a tratamento radiológico, em portadores de algumas síndromes e em pessoas idosas.
Com a idade, é comum a pessoa ter mais dificuldade em mastigar e engolir, perder o paladar e até perder o apetite, devido à diminuição na produção de saliva. A impressão é de que os alimentos perderam o sabor, mas a percepção é que diminui. Em especial no caso das mulheres, que começam a produzir menos secreções já a partir do climatério e da menopausa, acrescenta Kátia, cuja pesquisa foi premiada no início deste ano, no Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo.
A fórmula usada pela equipe da UFMA para testar os efeitos do jaborandi natural é produzida no Herbário Ático Seabra, da própria universidade. Com a produção em escala, quem já está sentindo saudades do paladar "de antigamente" ganha qualidade de vida por mais alguns anos.
Até que se descubra uma verdadeira fonte da juventude, a torneirinha do jaborandi pode quebrar um galho, garantindo bem-estar a uma boa parcela da população!
Foto: Liana John
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03/12/2010 às 10:44 Anonymous - diz:
Isabel Pellozzer – diz:Liana, gostei muito de saber sobre os benefícios desta plantinha’ abençoada’. Realmente, tem sempre alguém da família com estes problemas de saúde. Obrigada pelas dicas, vou repassar! Uma chuva de água pra você sempre estar bem!
04/12/2010 às 20:37 Anonymous - diz:
Lia Inês Bittelbrun – diz:Que interessante!Bom saber que esta planta também ajuda estimular a produção de saliva.
07/12/2010 às 12:07 Anonymous - diz:
Mariana Vieira Senna – diz:Contra a queda de cabelo esta plantinha é bem conhecida, mas quanto aos outros fantásticos resultados, eu jamais poderia supor!!! Maravilhoso saber destes efeitos mágicos! Parabéns pela matéria!
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Liana John é jornalista ambiental. Escreve sobre conservação, mudanças climáticas, ciência e uso racional de recursos naturais há quase 30 anos, nas principais revistas e jornais do país. Ao somar entrevistas e observações, constatou o quanto somos todos dependentes da biodiversidade. Mesmo o mais urbano dos habitantes das grandes metrópoles tem alguma espécie nativa em sua rotina diária, seja como fonte de alimento ou bem-estar, seja como inspiração ou base para novas tecnologias. É disso que trata esse blog: de como a biodiversidade entra na sua vida. E como suas opções, eventualmente, protegem a biodiversidade.
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