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Um toque de sabor e textura aos congelados Liana John - 16/12/2010 às 17:24
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Não dá para usar produtos frescos todos os dias e sua comida congelada tem gosto e aspecto de hospital? Você não suporta mais alimentos amolecidos, insossos e sem nutrientes feitos com ingredientes congelados?
Pois seus problemas podem ser resolvidos sem troca de fornecedor, de freezer ou de cozinheira. E a solução vem de uma fonte inesperada: a pesquisa com peixes da Antártica!
A conservação do aroma, cor, sabor e textura dos alimentos congelados é um problema comum. Esse conjunto de fatores sensoriais conhecido como propriedades organolépticas depende da integridade das células do alimentos e de seu estado de deterioração. O congelamento interrompe os processos enzimáticos e a ação de micro-organismos responsáveis pela deterioração, porém interpõe cristais de gelo entre as células. E isso pode causar o rompimento das membranas celulares, tendo como conseqüências a perda de líquidos carregados de nutrientes e a alteração das tais propriedades organolépticas.
Em geral, quando o congelamento e o descongelamento são feitos de modo adequado, com os equipamentos de refrigeração em perfeito estado, o rompimento não acontece. No entanto, a linha que separa o ideal do desastre é tênue e a resistência celular de muitos vegetais e carnes é baixa. Qualquer descuido basta para a coisa toda desandar.
Assim, ao identificar nos peixes antárticos a capacidade de resistir ao frio extremo, um grupo de pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen) logo pensou na possibilidade de garantir mais sabor e textura aos alimentos conservados pelo congelamento. De acordo com Luciano Paulino da Silva, um dos pesquisadores que foi pescar este conhecimento na base brasileira da Antártica, foram isoladas algumas moléculas alguns peptídeos com carboidratos associados responsáveis pela adaptação à vida em águas geladas.
Dois peixes do mesmo gênero Notothenia coriiceps e N. rossii têm capacidade de manter líquidos os fluidos corporais mesmo quando expostos a temperaturas ambientais abaixo de 2 graus centígrados, prossegue. Acreditamos que eles possam ser usados como modelos adjuvantes nos processos de congelamento, evitando o comprometimento das propriedades organolépticas.
Outra possibilidade seria transferir essas moléculas dos peixes para plantas cultivadas em regiões sujeitas a geadas, desenvolvendo variedades menos suscetíveis aos danos causados pelo frio.
A prospecção de moléculas de interesse para a biotecnologia em organismos antárticos foi financiada pelo Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O grupo de pesquisadores do Cenargen permaneceu na estação brasileira Comandante Ferraz, na Antártica, por 20 dias, em dezembro de 2007. Os peixes foram coletados na baía do Almirantado, junto à estação, com vara e linha convencionais.
De volta ao Brasil, os pesquisadores se debruçaram sobre o material, passando a trabalhar no universo nanotecológico, com o objetivo de entender como funcionam as membranas celulares desses peixes.
A pesquisa ainda tem um longo período de desenvolvimento até fazer diferença nas refeições dos brasileiros. Mas o segredo de um congelado saboroso já está mais perto de ser desvendado!
Fotos de Beatriz Simas Magalhães (Luciano pescando na Antártica) e Luciano Paulino da Silva (Notothenia coriiceps, ao alto, e N. rossii, embaixo)
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17/12/2010 às 11:55 Anonymous - diz:
maria helena caldas – diz:Achei excelente a noticia e a qualidade da informações da sua matéria. Mas não gostei de ser seduzida e capturada pra lê-la, através de pegadinha. Com todo respeito envio minha critica: sua chamada dá a falsa impressão de uma solução imediata do problema; como se eu pudesse hoje mesmo ligar pra um novo fornecedor de peixes congelados, quando na verdade o que você relata é que esta solução ainda está em estudos. Sorry, critiquinha construtiva.
23/12/2010 às 10:10 Anonymous - diz:
Peter Crawshaw – diz:Matéria extremamente interessante! Ficamos no aguardo dos desenvolvimentos! Abraço!
23/12/2010 às 10:38 Anonymous - diz:
Isabel Pellizzer – diz:Muito interessante, mesmo! Talvez este estudo também sirva para o alimentos que não podem ser congelados e somente refrigerados pois perdem o sabor e textura.
02/01/2011 às 01:03 Anonymous - diz:
Edward Hawkeye – diz:Essa reportagem é surpreendente. Quem poderia imaginar que a pesquisa vai buscar nos peixes da Antártica soluções futuras para melhorar nosso dia-a-dia. Parabéns pela matéria!
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Liana John é jornalista ambiental. Escreve sobre conservação, mudanças climáticas, ciência e uso racional de recursos naturais há quase 30 anos, nas principais revistas e jornais do país. Ao somar entrevistas e observações, constatou o quanto somos todos dependentes da biodiversidade. Mesmo o mais urbano dos habitantes das grandes metrópoles tem alguma espécie nativa em sua rotina diária, seja como fonte de alimento ou bem-estar, seja como inspiração ou base para novas tecnologias. É disso que trata esse blog: de como a biodiversidade entra na sua vida. E como suas opções, eventualmente, protegem a biodiversidade.
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